Agência de Jornalismo Investigativo

Ex-governador mineiro reclamou que brasileiros deportados dos Estados Unidos desembarcavam unicamente em Belo Horizonte.

24 de março de 2011
16:28
Este texto foi publicado há mais de 11 anos.

“Retornar todos os deportados para o estado de Minas Gerais, quando muitos são de outros estados, faz com que pareça que ‘exportar ilegais’ seja uma marca registrada do estado”, teria dito Aécio, segundo o telegrama de 7 de novembro de 2005.

Para os diplomatas americanos, a notícia de vários mineiros procurando por oportunidades nos EUA pode não causar boa impressão para investidores estrangeiros em Minas Gerais. De acordo ainda com a mensagem, Aécio Neves estava se esforçando, e com sucesso, em trazer investimentos estrangeiros para o estado. “Ele provavelmente está certo em ver os vôos de repatriação como chamariz para instabilidade de emprego, mas, mas certamente este é um problema do país inteiro e não apenas do estado de Minas Gerais”, concorda parcialmente o telegrama com o então governador.

Em 27 de outubro de 2005, um vôo fretado pelo governo americano com 169 brasileiros deportados dos EUA foi impedido de pousar em Confins por Aécio Neves. No dia seguinte, em entrevista ao jornal Estado de Minas, Aécio questionou a forma como os repatriados eram desembarcados no Brasil. “Nós recebemos três vôos de emigrantes ilegais (766 repatriados) e os mandamos para casa”, alertou o governador na matéria citada pelos americanos.

De acordo com estimativas do Departamento de Segurança Nacional americano (DHS) daquele ano, cerca de 170 mil brasileiros viviam em situação ilegal nos Estados Unidos. Mas o número está longe de representar a realidade: fala-se de até 1 milhão de brasileiros vivendo nos EUA. O telegrama aponta que 27 mil encontravam-se em cadeias do Texas presos ao tentar entrar ilegalmente em solo americano e esperando para serem mandados de volta para o Brasil.

Os diplomatas americanos ainda citam dados do MRE que mostram que 50% dos deportados são de Minas Gerais. “Existe este comportamento migratório aqui em regiões de Minas Gerais. Mas não temos dados, apenas estimativas”, disse à reportagem a conselheira do escritório de representação do MRE em Belo Horizonte, Mariane Bravo Leite.

Precisamos te contar uma coisa: Investigar uma reportagem como essa dá muito trabalho e custa caro. Temos que contratar repórteres, editores, fotógrafos, ilustradores, profissionais de redes sociais, advogados… e muitas vezes nossa equipe passa meses mergulhada em uma mesma história para documentar crimes ou abusos de poder e te informar sobre eles. 

Agora, pense bem: quanto vale saber as coisas que a Pública revela? Alguma reportagem nossa já te revoltou? É fundamental que a gente continue denunciando o que está errado em nosso país? 

Assim como você, milhares de leitores da Pública acreditam no valor do nosso trabalho e, por isso, doam mensalmente para fortalecer nossas investigações.

Apoie a Pública hoje e dê a sua contribuição para o jornalismo valente e independente que fazemos todos os dias!

Mais recentes

Saiba quem é e o que disse o policial legislativo do Senado investigado por atos golpistas

3 de fevereiro de 2023 | por

Alexandre Hilgenberg é servidor desde 1996; no dia 8 de janeiro ele pediu apoio a invasão do Congresso em suas redes

Parlamentares participam de sessão na Câmara dos Deputados

As igrejas que dominam a nova ala evangélica na Câmara

2 de fevereiro de 2023 | por

Assembleia de Deus, Batista e IURD reúnem 58% dos 93 parlamentares evangélicos empossados na atual Legislatura

Agricultor Neri Gomes de Souza mostra sua plantação no assentamento Roseli Nunes

Agrotóxicos colocam em risco produção agrofamiliar em assentamento no Mato Grosso

2 de fevereiro de 2023 | por e

Relatório aponta contaminação da água de rios, poços, chuva e até caixa d'água da escola por 10 tipos de agrotóxicos