Quando a investigação é levada para além dos números, surgem histórias que revelam a realidade dos ataques de uma guerra secreta

Quando a investigação é levada para além dos números, surgem histórias que revelam a realidade dos ataques de uma guerra secreta

15 de agosto de 2011
11:39

Por David Pegg, do Bureau of Investigative Journalism

Ao compilar os dados sobre a guerra secreta, corremos o risco de reduzir os acontecimentos a meros números.

Embora os dados possam dizer muito sobre tendências, padrões e eventos relevantes no contexto mais amplo desses ataques, também pode obscurecer a realidade brutal de eventos específicos.

Somente quando se examinam os detalhes de cada ataque se pode perceber a determinação de militantes em atacar soldados americanos no Afeganistão; assim como a determinação de civis frustrados exigindo o fim dos ataques por controle remoto; e o drama de crianças inocentes que estão no lugar errado na hora errada.

Dos centenas de ataques que pesquisamos, muitos se destacam por serem estrategicamente intrigantes, significativos geopoliticamente ou extraordinariamente violentos.

Por trás de cada um deles há uma história importante. Abaixo, três histórias que se destacaram durante a pesquisa:

B47 – Azam Warsak – 11 de dezembro de 2008

Esse ataque foi um dos últimos a serem conduzidos sob a presidência de George W. Bush.

Sete pessoas, incluindo três militantes da etnia punjabi, foram mortas quando um avião pilotado por controle remoto atirou mísseis em uma casa em Azam Warsak, no Waziristão do sul. No entanto, o ataque também arruinou a escola ao lado, e há relatos de moradores entre as vítimas.

Um professor religioso do vilarejo, que pediu ao secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon o fim dos ataques, teria dito que “estes aviões têm privado moradores inocentes da sua paz mental e afetado muito a nossa rotina”.

Ele também mostrou muita revolta com o governo paquistanês por não evitar esses ataques em regiões civis.

Ob167 – Khushali – 6 de dezembro de 2010

Este ataque, que supostamente matou dois civis, é um exemplo de situações em que a determinação de matar os alvos militantes parece levar a uma violência  indiscriminada, que resulta na morte de inocentes.

Um ataque controlado remotamente contra um carro na localidade de Khushali, no Waziristão do norte, matou dois supostos militantes.

Porém, um terceiro militante teria escapado do carro e entrado em uma loja próxima, buscando um lugar para se esconder. Mesmo assim, o avião pilotado pela CIA por controle remoto atirou mais dois mísseis contra esta loja.

Há relatos de que o alvo militante foi morto, mas também dois civis que estavam na loja.

LEIA MAIS: “NÃO SOU SORTUDO” – MAIS DE MIL FERIDOS

Ob219 – Karez – 15 de junho de 2011

Este ataque se destaca por ser uma das duas ocasiões em que ninguém foi morto ou ferido – no segundo, quatro civis ficaram feridos – mostrando como é raro não haver mortos após os ataques.

Ele ocorreu em Karez, no Waziristão do norte, quando aviões sem tripulantes atiraram um míssil em um carro em movimento com quatro supostos militantes dentro dele.

Mas o míssil não atingiu o alvo; as quatro pessoas rapidamente saíram do carro e fugiram para um pomar lá perto.

Diferentemente do primeiro caso apresentado, o avião não seguiu o alvo, mas atirou um segundo míssil contra o veículo, destruindo-o completamente.

Clique aqui para ler a reportagem original, em inglês.

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