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Terror no centro de detenção de Maikelawi

Maikelawi é um centro de detençãofamoso pelos abusos de direitos. Para os etíopes, é a “Guantánamo africana”.

Por Angus Stickler e Caelainn Barr

Maikelawi é um centro de detenção localizado no centro da capital da Etiópia, Adis Abeba, que é sempre citado em qualquer conversa sobre abusos de direitos humanos no país.  Para os etíopes, é a “Guantánamo africana”.

De acordo com membros da oposição, a maioria dos detentos é de adversários políticos.

A reportagem entrevistou ‘Daniel’ – o nome é fictício – que anteriormente era capitão do exército etíope e foi recentemente detido no Maikelawi.

“Quando meu caso estava sendo julgado no tribunal, os promotores inventaram testemunhas dentre os prisioneiros. Eles foram pagos. Na verdade o governo não tinha testemunha nenhuma”, disse ele.

“O interrogatório ocorria sempre de noite. Eles começavam batendo, depois amarravam os pés e mãos com um ferro e penduravam o preso de cabeça para baixo. Eles nos mergulhavam na água, davam choques elétricos e enchiam a nosa boca com um pano para que ninguém pudesse ouvir os gritos. Sofremos ferimentos horríveis devido à tortura. Alguns perderam a mobilidade nas mãos, ou as unhas. Um homem foi pendurado pela mão por mais de 19 horas”.

As denúncias de Daniel, assim como a de muitos outros ouvidos pela reportagem, são compatíveis com os relatórios publicados por organizações de direitos humanos. A ONG Human Rights Watch, por exemplo, publicou um documento em 2010 segundo o qual os detentos de  Maikelawiafirmaram ter sofrido longas noites de maus-tratos físicos, tais como serem obrigados a deitar no chão, algemados, vendados, e em alguns casos nus, enquanto os interrogadores calçados com botas militares subiam sobre seus peitos.

Também disseram ter sido chicoteados e espancados na cabeça e nos pés, amordaçados, pendurados de cabeça para baixo e espancados com cabos elétricos. Foram ameaçados com injeção de sangue infectado pelo HIV e submetidos a insultos étnicos”.

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Abuso sistemático

A Etiópia aderiu à Convenção da ONU contra a Tortura em 1994 e incorporou leis anti-tortura em sua Constituição, mas o país segue violando essas leis.

Cabe à Comissão de Direitos Humanos etíope relatar os abusos ocorridos nos centros de detenção para o governo. Para esse fim a organização recebeu 6 milhões de dólares através do programa da ONU para o desenvolvimento. Mas até o momento a Comissão não relatou nenhum abuso em Maikelawi.

Organizações de direitos humanos insistem em que o abuso é sistemático, permeando todos os níveis da segurança e até mesmo as forças judiciais.

Outra vítima, Amerar Bayabel, disse depois de 14 dias consecutivos de tortura foi convidado para ser testemunha contra outros presos. “Quando me recusei a fazer isso, eles me acusaram de um crime”.

Além dele, o sargento Yibeltal Birhanu contou que em maio de 2009 estava com os olhos vendados e algemados na sala de interrogatório. “Disseram-me que queriam que eu fosse testemunha. Perguntei conta quem eles queriam que eu testemunhasse. Então instruíram que eu dissesse ao tribunal que [os réus] tinham prometido me dar dinheiro se eu matasse funcionários do governo. Eu disse que não conhecia essas pessoas e nunca seria testemunha. Então eles começaram a me bater”.

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  • Mais um caso de paises do primeiro mundo patrocinando verdadeiras ditaduras na Africa. Pra onde vai esse dinheiro? Acho que o melhor jeito de ajudar esses países é primeiramente desestruturando as fontes que pagam os atos terroristas desses governos,ou seja, os países ricos deveriam criar um bloqueio economico. No inicio, esse bloqueio poderia trazer mais miséria, mas haveria um governo sem dinheiro para combater a oposição, e assim seriam criadas vias para uma transição politica por via de eleições (justas).

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