Buscar
Reportagem

Paes se compromete a tombar entorno do Maracanã

Após reunião com Comitê Popular do Rio, prefeito também garantiu a permanência da comunidade da Indiana, na Tijuca, e disse que vai dialogar com os moradores de Vila Autódromo, na área do Parque Olímpico, além de divulgar dados oficiais sobre remoções

Reportagem
9 de agosto de 2013
13:04
Este artigo tem mais de 13 anos

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Em reunião realizada ontem com o Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) se comprometeu a preservar o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Julio Delamare, ameaçados de demolição com a privatização do Maracanã, e a tombar a Aldeia Maracanã a Escola Municipal Friedenreich. As instalações esportivas situadas no entorno do estádio eram protegidas como patrimônio histórico da cidade, mas foram destombadas em 2012, às vesperas da divulgação do edital de privatização. A Pública procurou o gabinete do prefeito para saber se entre os despachos de ontem, publicados hoje no Diário Oficial do município, estão decretos pedindo o tombamento das estruturas anexas ao estádio. As respostas não chegaram até o fechamento dessa reportagem.

O encontro marcou a entrega oficial do dossiê Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Rio de Janeiro. 

Para Comitê Popular, encontro só aconteceu após mobilização de rua. (Foto Reprodução/Comitê Popular do Rio de Janeiro)
Para Comitê Popular, encontro só aconteceu após mobilização de rua. (Foto Reprodução/Comitê Popular do Rio de Janeiro)

O movimento também exigiu a instalação do Parque Glaziou, que integraria o Complexo do Maracanã à Quinta da Boa Vista. “O Maracanã deve ser reconhecido pelos governos municipal e estadual como um espaço público de especial interesse para a população”, afirma nota sobre a reunião de ontem publicada no site do Comitê Popular. O prefeito não confirmou a construção do parque, mas garantiu que o terreno onde ele seria construído terá função pública.

Moradia

O Comitê Popular estima que 40 mil pessoas estejam sofrendo graves violações ao direito de moradia no Rio de Janeiro. “Ameaçadas de remoção, famílias convivem com a incerteza de seu futuro e sofrem intensa pressão psicológica para deixar suas casas, na maior parte dos casos sem nem mesmo saber o motivo”, detalha a nota.

O prefeito reconheceu que alguns processos de remoção foram ou estão sendo mal conduzidos, mas não aceitou a proposta do Comitê de interromper todos os processos para discutir os projetos com as comunidades atingidas. No entanto, ele se comprometeu dialogar com a sociedade civil e especialistas para elaborar um decreto com regras claras sobre o reassentamento de famílias. Segundo Paes, a prefeitura do Rio também vai produzir dados oficiais sobre as remoções na cidade por conta dos megaeventos, deixando disponíveis informações como o número exato de famílias removidas e ameaçadas, impactos ambientais e sociais das obras, contrapartidas do poder público nas Parcerias Público-Privadas (PPPs), assim como a origem e destinação dos recursos em cada projeto. Ainda não há data prevista para a publicação.

Pela primeira vez o prefeito considerou a possibilidade de manter a comunidade de Vila Autódromo, na Barra da Tijuca, região que abrigará o Parque Olímpico. Os moradores da região vem sofrendo com informações desencontradas sobre a possibilidade de remoção.

Eduardo Paes afirmou que propôs ao presidente da Associação de Moradores do local que fosse criado um grupo técnico de diálogo entre a comunidade, técnicos da prefeitura e a Defensoria Pública. Segundo ele, remoções ainda podem acontecer na comunidade, mas com a participação desse grupo.

A comunidade da Indiana, situada na Tijuca, não será despejada, segundo Paes. O prefeito se comprometeu a visitar a comunidade no próximo domingo, 18 de agosto, às 8h para anunciar aos moradores o processo de urbanização e regularização fundiária do local.

“Seguimos na rua”

Segundo o membro do Comitê Popular do Rio Renato Cosentino, o movimento continuará cobrando suas pautas em atos de rua. “Só conseguimos o diálogo pela conjuntura atual. Diversos movimentos estão na rua e alguns deles foram convidados pelo prefeito para dialogar. Não sabemos o que pode acontecer se sairmos das ruas”.

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Leia também

O tabu das arquibancadas

|

Enquanto torcedores formam grupos para dar visibilidade à homossexualidade, organizadas temem perda de espaço. Discussão sobre homofobia no futebol é inadiável

Estádio só pra rico?

|

Ingressos disparam nos últimos dez anos no Brasil e novas arenas têm preços 119% maiores do que os estádios antigos, afastando os torcedores tradicionais

Notas mais recentes

PL reúne-se esta semana para debater candidatura de Rogério Marinho a presidente do Senado


Lula vence em seções eleitorais com local alterado, apesar de abstenção maior


Filha de Flávio Bolsonaro falta à escola há 2 dias em meio à suspeita de fuga do senador


Hospitais do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro e a acusação de Lula na Band


Às vésperas do 2° turno, governo tenta votar PEC da Segurança Pública no Senado


Leia também

O tabu das arquibancadas


Estádio só pra rico?


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Como a quebra do banco Ueno, no Paraguai, acabou com o governo do presidente Santiago Peña

|

Crescimento do Ueno teve ajuda política e dinheiro público; presidente foi acionista de empresa do grupo ligado ao banco

Queimaduras, terror psicológico e salários atrasados em data centers na Europa

|

Investigação revela realidade dos trabalhadores nos centros de desenvolvimento de infraestrutura de IA na Europa

Sessão sobre a PEC da segurança pública no Senado

Segurança Pública: PEC da redução da maioridade penal no Senado pode ter relator do PT

|

Senado aprova PEC da Segurança Pública e proposta de mudança na maioridade penal pode ser analisada nesta quarta

Audiência Pública – ADI 8027/DF - no STF sobre proibição das bets no Brasil

Contas espalham conteúdo falso sobre bets nas redes enquanto STF discute proibição

|

Perfis no X/Twitter divulgam histórias irreais sobre apostas ao mesmo tempo em que audiência pública reúne lobistas

Com a 1ª vitória do PT em 12 anos, a cidade do Rio deixou de ser reduto bolsonarista?

|

Lula virou na capital fluminense, onde a família Bolsonaro ganhou 22 de 24 pleitos desde 1988

Pantanal entra oficialmente na rota da aridez, aponta plano do governo

|

Cientistas alertam que é preciso uma mudança na forma como o país produz alimentos e maneja a pecuária

Fuga de Flávio abre caminho para bolsonarismo abraçar políticos para além do sobrenome

|

Para Especialistas derrota eleitoral enfraquece herdeiros do ex-presidente, mas não elimina força política do movimento

‘Primavera Brasileira’: como ato de estudantes virou onda global contra extrema direita

|

Marcha em Niterói iniciou efeito borboleta progressista que contou com fandoms e Janones e hoje inspira outros países

Brasília (DF), 07/12/2025 - O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres

‘O sistema do Estado é horrível’: Caraguatatuba é campeã em violência contra a mulher

|

A jornada de duas vítimas de violência doméstica em busca de acolhimento e justiça no litoral norte de São Paulo