Agência de Jornalismo Investigativo

“Toda a bancada é próxima a mim, mas não terei qualquer participação em indicações para ministérios.” – Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, na quarta-feira (23)

25 de setembro de 2015

não é bem assim v2 azulEmbora não se tenha notícia da participação direta de Cunha na reforma ministerial, alguns dos nomes indicados pela bancada do PMDB na Câmara são aliados incontestes do presidente da Casa. Conhecido pela discrição em público, aliada à alta habilidade de mobilização de parlamentares, não é difícil supor que as decisões dos colegas de legenda tenham, nos bastidores, a influência direta de Cunha.

Manoel Júnior (PMDB-PB), aliado declarado do presidente da Câmara, concorre ao Ministério da Saúde, que, segundo se especula, pode ser entregue ao PMDB. Já no início do ano, Henrique Alves foi contemplado com a pasta do Turismo após perder a disputa pelo governo do Rio Grande do Norte. Como presidente da Câmara entre 2013 e 2014, o velho amigo de Cunha pautou o plenário da Casa durante a rebelião na base governista que impôs derrotas ao Planalto no ano passado – liderada justamente por Cunha.

Acontece que ele não é o único peemedebista a declarar afastamento dos bastidores das mudanças na Esplanada. O vice-presidente da República, Michel Temer, que até há pouco tempo era um dos articuladores do governo com o Congresso, foi outro a negar publicamente intervenção nos nomes indicados à presidente Dilma Rousseff. O presidente do Senado, Renan Calheiros, é outro cacique que se diz de fora das articulações.

Mais do que uma conduta individual de Cunha, portanto, a postura do presidente da Câmara é reflexo da identidade e do modus operandi do PMDB, e da forma com que a sigla lida com a atual crise política – que envolve inclusive risco de impeachment de Dilma. Na tentativa de agradar a todos os peemedebistas, a presidente adiou para a próxima semana o anúncio dos novos ministros.

“Sempre houve essa competição, esse conflito entre as várias alas do PMDB, que nunca foi um partido muito unido”, comenta David Fleischer, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB). Em um momento de reprovação da opinião pública ao governo e de possibilidade de abertura de um processo de impeachment, continua Fleischer, não se poderia esperar outra postura do partido senão “jogar com os dois lados”: a cautela pública enquanto negocia nos bastidores.

Professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Rui Tavares Maluf vê pouco a ganhar em manifestações de apoio ou confissões sobre as articulações com o governo. “O desgaste perante a maior parte da opinião pública é considerável. O presidente da Câmara teria muito mais a perder do que a ganhar, então esse distanciamento no discurso faz sentido no momento.”

As declarações dos caciques peemedebistas também são classificadas como retóricas por João Paulo Peixoto, cientista político e professor da UnB. “Elas fazem parte do jogo de pressões políticas, onde o objetivo do PMDB é aumentar o número de ministérios sob o seu comando”, diz. Ele lamenta a manobra. “Mais uma vez vemos uma reforma que não vai atacar os problemas estruturais do Estado, mas se resumir a uma troca de apoio por cargos, prática imposta pelo modelo político.”

Peixoto ressalta, entretanto, que dada a complexidade do momento, um entendimento mais preciso e prudente da situação só poderá ser feito na próxima semana, caso o novo prazo para a reforma ministerial se confirme. “Temos de esperar pra ver os nomes que serão agraciados e, sobretudo, as reações em torno deles”, afirma.

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