Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Checagem

Quantos partidos existem, estão no Congresso ou podem ser criados?

PEC da reforma política prevê clausula de barreira, medida que pode causar a redução do número de legendas

Checagem
6 de dezembro de 2016
12:00
Este artigo tem mais de 9 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
Exagerado, distorcido ou discutível

“São 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, são 28 partidos políticos com representação no Parlamento brasileiro (…) e são pelo menos 52 partidos em fase de organização.” – Ricardo Ferraço (PSDB-ES), durante votação e aprovação em segundo turno da PEC da reforma política (36/2016) no Senado, em 23 de novembro

Exagerado, distorcido ou discutível
Exagerado, distorcido ou discutível

O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) é o autor, com Aécio Neves (PSDB-MG), da Proposta de Emenda à Constituição da reforma política (PEC 36/2016). Aprovada no fim de novembro no Senado, a PEC traz uma série de medidas que buscam alterar o sistema partidário no país. Na visão de muitos parlamentares, é preciso reduzir a quantidade de siglas e o projeto ajudaria nisso. Está prevista a adoção da cláusula de barreira, por exemplo, que exige um porcentual mínimo de votação para que os partidos tenham direito ao tempo na TV e no rádio e recebam dinheiro do fundo partidário. Aqueles que não conseguirem atingir esse valor terão de se organizar em federações.

Ao argumentar sobre o assunto no plenário do Senado, Ferraço criticou o que considerou um número excessivo de partidos. “São 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 28 partidos políticos com representação no Parlamento brasileiro (…) e são pelo menos 52 partidos em fase de organização”, disse. O Truco no Congresso – projeto de checagem de dados da Agência Pública, feito em parceria com o Congresso em Foco – verificou os dados citados pelo parlamentar. Segundo a assessoria de Ferraço, os números foram obtidos no TSE.

O senador acertou o número de partidos políticos registrados no TSE: são 35. Ele também apontou corretamente que mais de 52 legendas buscam a oficialização – 55 estão em formação, segundo os dados do Tribunal. Ferraço deslizou, entretanto, ao falar da quantidade de siglas representadas no Congresso. Não são 28, mas 27, das quais apenas 16 contam com parlamentares tanto na Câmara quanto no Senado. Pela imprecisão, o senador recebe a carta “Não é bem assim”.

Segundo os dados do TSE, foram criados 11 novos partidos no Brasil, de 2005 a 2015. Ritmo mais acelerado se deu no período 1988-1998, quando 19 legendas surgiram. Outras cinco siglas, que tiveram o registro deferido pela Justiça Eleitoral entre 1981 e 1986, completam a lista das 35 que estão em funcionamento atualmente.

A “juventude” dos partidos políticos brasileiros pode ser explicada pelo bipartidarismo imposto pela ditadura militar, entre 1966 e 1979, quando funcionaram somente a Aliança Renovadora Nacional (Arena), de apoio total ao regime, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição. Todas as demais legendas foram extintas em 1965.

Após a volta do multipartidarismo, o primeiro a conseguir registro foi o PMDB, em 1981. Passados 35 anos, foi criada, em média, uma legenda por ano. O índice é inferior ao do período anterior de multipartidarismo. Entre 1945 e 1979, foram registradas 42 siglas, segundo o TSE, média de 1,2 por ano ou uma taxa 20% maior do que no período 1981-2016.

O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) errou o número de partidos representados no Congresso
O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) errou o número de partidos representados no Congresso. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 228 O fracasso do Estado em proteger mulheres – com Juliana Brandão

Coordenadora de gênero e raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública analisa as falhas de crimes contra a mulher

0:00

Truco

Este texto foi produzido pelo Truco, o projeto de fact-checking da Agência Pública. Entenda a nossa metodologia de checagem e conheça os selos de classificação adotados em https://apublica.org/truco. Sugestões, críticas e observações sobre esta checagem podem ser enviadas para o e-mail truco@apublica.org e por WhatsApp ou Telegram: (11) 99816-3949. Acompanhe também no Twitter e no Facebook. Desde o dia 30 de julho de 2018, os selos “Distorcido” e “Contraditório” deixaram de ser usados no Truco. Além disso, adotamos um novo selo, “Subestimado”. Saiba mais sobre a mudança.

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso

Banco do Nordeste e Itaú financiam R$ 44 milhões para soja em área de conflito no Maranhão

|

Investidora paulista consegue autorizações de desmatamento e sinal verde na Justiça em disputa contra extrativistas
Governador de Goiás Ronaldo Caiado no escritório do Google em Nova York

Candidato à Presidência, Caiado transformou Goiás em laboratório de leis para Big Techs

|

Projetos que interessam ao Google e Amazon avançam em Goiás sem debate, cada um aprovado em menos de 48 horas
Deputado Alfredo Gaspar e senador Flávio Bolsonaro durante evento do PL

Após pressão por uma vice mulher, PL fecha chapa apenas com homens

|

‘Michele está fazendo comida para o marido’, responde Damares Alves sobre ausência de ex-primeira dama

Eleições: legislação não é o suficiente para barrar conteúdos de IA nas redes sociais

|

Decisões do TRE-BA determinam que Meta retire vídeos com IA do Instagram, mas cópias seguem na rede
Foto mostra plataforma de trem da Estação Luz, no centro de SP. Estação integra a linha 12 da CPTM.

As denúncias por trás dos acidentes e da greve de trens em São Paulo

|

Funcionários apontam problemas elétricos em linha que pegou fogo, falta de treinamento e de pessoal