Buscar
Nota

Dino pede prioridade para Senado votar PL bolsonarista que regula e dá mais poderes à PM

5 de outubro de 2023
12:05
Este artigo tem mais de 3 anos

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), pediu ao presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), “prioridade” para a tramitação de um projeto de lei bolsonarista que busca instituir a lei orgânica unificada para as polícias militares e corpo de bombeiros, o PL 3045/2022. 

O projeto tem sido criticado por especialistas —  como relatado pela Agência Pública —  por dar poder de fiscalização ambiental aos policiais militares, conforme proposto por Jair Bolsonaro (PL) quando ainda era deputado federal, e limitar em no máximo 20% a entrada de mulheres em vagas na corporação. Além disso, a proposta abre brecha para acabar com as Secretarias de Segurança nos estados nos moldes do que ocorreu no Rio de Janeiro durante o governo de Wilson Witzel (PMB), então aliado de Bolsonaro. 

Reportagem da Pública mostrou que o atual governo não estaria disposto a se movimentar para barrar a tramitação da proposta, como um aceno aos militares, que em sua maioria integram a base de apoio de Bolsonaro. Por esse motivo, a ordem era que o PL tramitasse no Senado “sem alarde”. Apesar das críticas, o projeto também traz pontos considerados por representantes da sociedade civil como positivos, como a garantia de equipamentos de proteção individual (EPIs) para todos os policiais e a necessidade de que o comandante-geral siga critérios objetivos para distribuir o efetivo policial.

No início de setembro, no entanto, organizações da sociedade civil de direitos humanos e segurança pública enviaram uma carta cobrando um posicionamento mais enérgico do governo federal. O documento foi entregue a representantes do MJSP e encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Além de dar o carimbo de um governo popular a uma legislação autoritária, o projeto atual supera os retrocessos anteriores”, diz o documento, que conta com mais de 500 assinaturas. “O PL 3045 aprofunda os poderes das polícias militares, incorpora a legislação militarista de 1967/69 e amplia a incidência das Forças Armadas”, acrescentam as entidades na carta.

O ofício de Dino, endereçado a Pacheco, mostra que o ministério o considera prioritário. No documento acessado pela Pública, o ministro da Justiça pede “apoio para a tramitação” das propostas ali elencadas, já que seriam “relevantes para o cumprimento da Missão Institucional” do Ministério. O documento passou a circular depois da última segunda-feira (2), quando o MJSP lançou o Plano de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Enfoc). Dessa forma, o Ministério insere o PL como parte da execução do plano. 

Carolina Ricardo, diretora-executiva do Sou da Paz, considera que o governo tem entendido o projeto como “uma oportunidade de acenar e de se aproximar do campo policial”. Ela ressalta que é importante que seja criada uma lei orgânica para as polícias, já que se trataria de uma “oportunidade do Brasil discutir o que se espera de uma polícia”, mas aponta que tem faltado participação popular na tramitação do projeto. “De fato, do jeito que a lei está, ela está sendo aprovada com pouco debate com a sociedade civil”, finaliza. 

Além do PL bolsonarista, Dino também pediu “prioridade” para outras seis proposições, entre elas a que estabelece pensão especial vitalícia a Maria Fabiana dos Santos, viúva de Genivaldo de Jesus Santos, morto pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no estado de Sergipe. Proposições sobre segurança digital de crianças e adolescentes e tipificação de delitos digitais também foram citadas. 

Decisões pendentes

Atualmente, o PL 3045/2022 aguarda avaliação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, onde está sob relatoria do senador petista Fabiano Contarato (PT-ES). O projeto, cujo texto inicial data de 2001, foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado e já passou pela Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado. Na sessão de desta quarta-feira (4) da CCJ, Contarato afirmou que fará uma audiência pública para discutir o assunto. 

Além do projeto sobre as polícias militares e os bombeiros, existe ainda outro similar, que busca instituir a lei orgânica nacional das polícias civis. Também relatado por Contarato, que deu um parecer favorável, o PL 4.503/2023 foi aprovado pela CCJ em regime de urgência nesta quarta e está pronto para ser votado no plenário do Senado Federal. Carolina Ricardo critica, assim como no projeto sobre a PM, a falta de debate em torno do texto. “Não inova muito, não faz uma discussão profunda do modelo de polícia que a gente quer”, aponta.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem. 

Edição:

Notas mais recentes

Mulheres são maioria das vítimas de violência política, mesmo sendo minoria das candidatas


Senado deve avaliar PEC do fim da escala 6×1 no Plenário após primeiro turno das eleições


Aposta online: 12 dos 17 parlamentares da Bancada das Bets seguem mais 4 anos no Congresso


Recordar é votar: 7 dos 13 investigados pela CPI da Covid saem eleitos das urnas


Morta por PMs, juíza Patrícia Acioli “humilhava policiais”, disse Flávio Bolsonaro em 2011


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

Da sua mão para o crime organizado: o que acontece quando seu celular é roubado?

|

Quase cem celulares são subtraídos por hora no Brasil e então eles podem tomam 4 caminhos, inclusive sites de compras

Gestão Tarcísio exonera professoras com regra da ditadura

|

Três docentes contestam exonerações na justiça e uma delas morreu antes de reaver cargo

Processo da Advocacia da União contra bets tem 14 empresas que passaram impunes por CPI

|

Ação pede R$ 1 bilhão por danos coletivos; parte das empresas estava nos documentos da CPI, que “terminou em pizza”

Plataformas mantêm anúncios e recomendações políticas irregulares no dia da votação

|

Monitoramento encontrou golpes que imitavam o TSE e diziam que eleitor poderia votar pela internet

Pela 1ª vez desde redemocratização, Brasil terá 10 militares no Congresso e nos governos

|

Ex-Forças Armadas governarão dois estados e ocuparão oito cadeiras no Congresso, sendo quatro no Senado
Vânia Borges do Amaral e presidente Lula

O tempo das bets e a hora da luta: a perda familiar que não está em jogo no STF

|

Mãe que perdeu filho para bets fala de emoção por MP que proíbe apostas no Brasil na véspera da suspensão de plataformas
Brasília (DF), 04/10/2026 - Pessoas chegam para votação das Eleições 2026 na Unieuro

Escândalo Master pesa na urna para uns e passa batido para outros

|

O 1º turno puniu apenas parte dos políticos ligados a Vorcaro, poupou outros e deixou Flávio Bolsonaro para o 2º turno
Rio de Janeiro (RJ), 04/10/2026 – O candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) vota na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel.

Virada de Flávio no 1º turno: escândalos podem ter favorecido desejo antissistema

|

Para especialistas, campanha nas redes, voto útil e governo Lula sem apelo renovado também colaboraram para resultado

Quando o trabalho impede o voto

|

De longas jornadas a quem decide fazer hora extra, trabalhadores estão entre os milhões que ficam sem votar
Imagem feita com auxílio de IA mostra o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro (Banco Master) e o cartaz do Filme Dark Horse

Why a Bolsonaro biopic is at the center of Brazil’s presidential election

|

A Hollywood-style film about Jair Bolsonaro is wrapped up in Brazil’s biggest bank fraud probe

Quase mil anúncios sobre Lula e Flávio na Meta foram pagos em dólar

|

Impulsionados por US$120 mil, conteúdos circularam sem rótulo de conteúdo político