Buscar
Nota

Segurança de Lula no 7 de setembro terá militar do GSI que atuou com Bolsonaro

6 de setembro de 2023
18:23
Este artigo tem mais de 2 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

São esperadas ao menos 30 mil pessoas no desfile do 7 de setembro amanhã, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Com o tema “Democracia, soberania e união”, o evento tem previsão de durar duas horas, com início às 9h e término às 11h. 

O desfile com mais de 2 mil militares ocorre após quatro anos de politização da data pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que nos últimos dois eventos do 7 de setembro atacou com discursos antidemocráticos pessoas e instituições. 

A expectativa do Palácio do Planalto é que mil membros do Exército Brasileiro, 600 da Marinha do Brasil e 400 da Força Aérea Brasileira (FAB) participem do evento cívico-militar que será mais “enxuto e dinâmico”, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).

Após o 8 de janeiro, o governo do Distrito Federal prepara um esquema de segurança para evitar conflitos de grandes proporções. A Força Nacional também estará nas ruas.

O presidente Lula assistirá ao desfile de uma tribuna e não fará discurso. O evento terá cerca de 200 convidados vips, entre ministros, chefes de Poderes e representantes das Forças Armadas. 

Para chegar até o local, o presidente irá num comboio cuja segurança é responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), após uma disputa de espaço com a Polícia Federal que vinha se arrastando desde o início do mandato presidencial. 

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Marcos Amaro, falou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que está confiante de que o 7 de Setembro será um sucesso e ocorrerá em absoluto clima de normalidade institucional e democrática: “Não há ameaças, mas há atenção maior”, disse. 

Mas a Agência Pública apurou que por questões de segurança há a possibilidade do presidente Lula chegar ao local em carro fechado, o que destoaria do evento da posse no início do ano, quando foi em carro aberto, e de outros desfiles da independência em seus mandatos anteriores, também em carro aberto. 

Além disso, um militar do GSI que atuou na gestão Bolsonaro durante viagens presidenciais teria sido escalado para coordenar a segurança do presidente Lula durante todo o deslocamento até o desfile de amanhã. É o militar Leonan Reis.

Militar Leonan Reis, à esquerda, foi lotado no GSI durante governo de Jair Bolsonaro e neste 7 de setembro fará parte da segurança do presidente Lula
Militar Leonan Reis, à esquerda, foi lotado no GSI durante governo de Jair Bolsonaro e realizou quase 40 viagens com o ex-presidente

Segundo o Portal da Transparência, Leonan realizou, desde 4 de abril de 2021, ao menos 37 viagens com o ex-presidente Jair Bolsonaro, a maioria delas em território nacional. Em suas duas únicas viagens internacionais foi a Nova York, nos EUA em setembro de 2022, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) e a Roma, Itália, em outubro de 2021, durante o encontro dos líderes das 20 maiores economias do mundo, o G20.

Em imagens divulgadas à época, ele aparece ao lado de Bolsonaro fazendo sua segurança. Com Lula, o militar já participou de 11 viagens. Entre os destinos internacionais, esteve na equipe do GSI que foi a Xangai, na China e Hiroshima, no Japão. 

Ao longo do ano, o governo federal exonerou mais de 50 servidores do GSI, em meio à crise no órgão envolvendo os atos golpistas de 8 de janeiro. A Pública não obteve indícios de que Leonan tenha feito parte deste movimento. O GSI foi procurado pela reportagem e caso haja resposta, o texto será atualizado.

Reprodução

Notas mais recentes

PEC da Segurança Pública: votação fica para depois do 1° turno com aval de relator do PT


Fim da Escala 6×1 será votado no Senado em esforço concentrado antes do recesso eleitoral


Departamento de Guerra dos EUA investe 750 milhões de dólares em terras raras brasileiras


Prevenção sem repressão: Fóruns populares levam pauta de segurança pública a candidatos


Facebook não barra anúncios com desinformação sobre eleições brasileiras


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Contando com memória curta do eleitor, candidatos antes cassados voltam às urnas em 2026

|

Políticos cassados no passado tentam reconquistar votos beneficiados por leis, decisões da Justiça ou até pelo tempo

Crise no STF após divulgação de conversas entre Moraes e Vorcaro: como chegamos até aqui?

|

André Mendonça escancara divisões na Corte ao tirar sigilo de investigação citando colega e tema deve impactar eleições

Resgates de pessoas em condição de escravidão caem no Brasil, mas disparam em SP, diz CPT

|

Em 6 meses de 2026, o estado teve mais pessoas resgatadas em condições análogas à escravidão que em todo o ano passado

Fiesp defende modelo inconstitucional de Bukele na segurança e afaga candidatos da direita

|

Candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro promete presídio “El Salvador” durante abertura de evento em São Paulo

Mansões, carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Figueiredo nos EUA

|

Levantamento revela que ex-deputado e influenciador mantêm vida de alto padrão nos EUA

Como a caça conservadora ao voto feminino alimenta a violência contra a mulher

|

Fragilidade, hormônios e até intelecto: movimento tenta reduzir papel da mulher em ação violenta que começa no discurso

Com auxílio-reclusão restrito, famílias de encarcerados gastam R$ 4 bi por ano em visitas

|

Enquanto uma visita a presídio chega a custar mais de mil reais, Lei Antifacção diminui o acesso a benefício

Funai revê posição adotada no governo Bolsonaro e pede suspensão da licença de Belo Sun

|

Órgão agora cobra análise de 20 comunidades ignoradas e quer suspender licença retomada na Justiça em fevereiro de 2026
Imagem mostra ícones dos aplicativos de redes sociais da Meta em celular

Meta usa influenciadores para direcionar debate sobre proteção a crianças nas redes

|

No Brasil, empresa promove ideia de que as suas ferramentas são melhor que leis que proíbam o acesso dos mais jovens