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Vereadora bolsonarista vai presidir Comissão de Educação da Câmara de SP

13 de março de 2025
16:29
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A Câmara Municipal de São Paulo (SP) definiu, nesta quinta-feira (13), a nova presidência da Comissão de Educação, Cultura e Esportes. Por quatro votos favoráveis contra três, a vereadora bolsonarista Sonaira Fernandes (PL) assumirá o cargo por um ano. A disputa estava entre ela e o vereador de oposição Celso Giannazi (Psol).

Os vereadores Cris Monteiro (Novo), Adrilles Jorge (União) e George Hato (MDB) votaram a favor. Todos eles são da base aliada da coligação do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). 

Conhecida como “Damares de São Paulo”, Sonaira Fernandes é bolsonarista, evangélica conservadora e se declara antifeminista. Ela foi assessora do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e recebeu apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2020.  

Formada por sete vereadores, a Comissão de Educação, Cultura e Esportes é responsável por fiscalizar o sistema municipal de ensino, os serviços, equipamentos e programas culturais, educacionais, esportivos, recreativos e de lazer destinados à comunidade.

Em entrevista à Agência Pública, o vereador Celso Giannazi disse que a eleição fortalece a atuação da extrema direita na capital paulista. “Vamos precisar fortalecer um trabalho de oposição a temas disputados por Sonaira, como as escolas cívico-militares, o ensino religioso e a terceirização das escolas. Basicamente, essa eleição definiu o novo braço do Nikolas Ferreira em São Paulo.” Atualmente o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) é presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. 

Nas redes sociais, Sonaira comemorou a eleição. “À frente da Comissão, trabalharemos dia e noite em defesa da liberdade religiosa e dos valores familiares e cívicos. Deus é por nós!”, escreveu. A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa dela, mas ainda não recebeu resposta.

Dias atrás, a vereadora usou as redes para criticar o samba-enredo da escola de São Paulo Acadêmicos do Tucuruvi no Carnaval. “Colocaram um índio com a cabeça decapitada de D. Pedro II, que criou a primeira legislação de proteção aos indígenas, regulamentou as aldeias e foi o único chefe do Estado brasileiro fluente em Tupi. De novo, os militantes tentando reescrever a história”, comentou. Também em fevereiro, em entrevista para à Revista Oeste, ela defendeu a aprovação de projeto de lei de sua autoria que acaba com a política municipal de cotas nos editais de concursos públicos e eventos culturais em São Paulo.

A vice-presidência da Comissão de Educação ficou com a vereadora Cris Monteiro, eleita pelos votos de Adrilles Jorge, Eliseu Gabriel (PSB) e Sonaira Fernandes. A votação deveria ser realizada na próxima semana, mas foi antecipada. A vereadora Luna Zarattini (PT) solicitou que a votação fosse adiada, mas teve seu pedido negado. 

“Nós permaneceremos defendendo a educação pública de qualidade como um lugar de formação e garantia de direitos, não como uma extensão política pessoal de aliados de Nunes, Bolsonaro ou Tarcísio”, disse a vereadora Luna à reportagem. 

Bolsonarista e antifeminista 

Sonaira foi apadrinhada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, de quem foi assessora especial. Ele também foi o responsável pela filiação da vereadora ao PL no ano passado. 

Em 2020, a pedido de Eduardo, ela disputou uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo e foi eleita. Já em 2023, recebeu convite do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para ser secretária de Políticas para a Mulher (SPM) do governo de São Paulo. 

Na época, a Pública acompanhou a aproximação de Sonaira Fernandes com lideranças evangélicas nas cidades do interior paulista durante entregas da Casa da Mulher Paulista. A Casa é destinada às mulheres vítimas de violência de gênero ou doméstica. Na reportagem, revelamos que os municípios onde havia prefeitos aliados ao governador Tarcísio de Freitas eram priorizados entre as cidades escolhidas para receber o equipamento.

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