AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO

Microbolsas de reportagem: conheça os vencedores

Conheça os jornalistas que ganharam as microbolsas para fazer suas reportagens. Elas serão publicadas a partir de julho

O concurso de Microbolsas da Pública recebeu cerca de 70 propostas, mostrando que há muito talento criativo no jornalismo brasileiro. Foi difícil escolher. Na primeira fase, as coordenadoras da Pública escolheram 12 para permanecer no páreo.

A partir daí, a difícil decisão ficou para os conselheiros. Levando em consideração a consistência na pré-apuração, a originalidade e relevância da pauta, entre outros fatores, Ricardo Kotscho, Eliane Brum, Carlos Azevedo, Leonardo Sakamoto e Jan Rocha votaram nas propostas de sua preferência.

Os escolhidos para receber as bolsas, no valor de R$ 4 mil, foram os paulistas Natalia Garcia, Leandro Siqueira e Renato Santana de Jesus; os outros vencedores são gaúchos: André de Oliveira, Jefferson Pinheiro e Daniel Barbosa Cassol. “As pautas são todas muito boas”, opina Ricardo Kotscho, um dos nomes mais conhecidos da reportagem brasileira, com mais de 20 livros publicados sobre jornalismo. “Escolhi as matérias que gostaria de ler.”

Carlos Azevedo, que participou da fundação da revista Realidade e colaborou com o jornal Movimento, parabeniza a iniciativa. “Foi uma boa ideia e trouxe bons resultados”. Já para Eliane Brum, vencedora de 40 prêmios de reportagem nacionais e internacionais, bom foi “constatar que há tanta gente interessante por aí”.

Natália Garcia, uma das vencedoras, mudou sua vida de jornalista quando em 2008 comprou uma bicicleta dobrável e passou a ter outra relação com São Paulo. Foi aí que ela decidiu se dedicar a estudar, pesquisar e escrever sobre mobilidade urbana. Em 2011, criou o projeto Cidades para Pessoas, primeiro projeto no Brasil a ser financiado por crowdfunding, ou financiamento coletivo, através da plataforma Catarse.me.

Em Porto Alegre, André de Oliveira e Jefferson Pinheiro são repórteres independentes desde que começaram na profissão e produzem trabalhos que dão visibilidade a conflitos sociais, culturais e ambientais. Fundaram, em setembro de 2004, com outros cinco colegas, a Cooperativa Catarse – Coletivo de Comunicação – que apesar do nome, não tem relação com a plataforma de crowdfunding.

Também em parceria, Leandro Siqueira e Renato Santana de Jesus, foram finalistas. Em 2010, Leandro fez um vídeo documentário sobre a atuação da Polícia Militar nos clássicos de futebol da capital paulista, chamado Clássico de Choque. Seu parceiro de reportagem, Renato Jesus, trabalhou na maior parte de sua carreira com assuntos ligados à sustentabilidade e a direitos humanos.

Outro repórter do Rio Grande do Sul, Daniel Cassol já foi assessor de comunicação da Via Campesina e é um dos criadores da Agência Chasque, agência de notícias que cobre movimentos sociais para rádios do interior gaúcho. Em 2009, foi correspondente do Brasil de Fato no Paraguai e, recentemente, correspondente do portal iG em Porto Alegre e editor-chefe do site Sul21. Atualmente, é jornalista free-lancer.

Todos os vencedores mostraram que possuem as qualidades básicas para um repórter independente: criatividade, profissionalismo e muita vontade de relatar histórias que precisam ser contadas. A Pública e o público agradecem.

Tags: ,

Comentários

Opte por Disqus ou Facebook

  • Espedito Fonseca

    Parabéns pelo belo trabalho que vocês da Pública tem realiazdo.

Supremas relações 4

| por | 18 de setembro de 2017

Processo trabalhista revela acesso à cúpula do Judiciário em troca de patrocínio de eventos de site jurídico. Gilmar Mendes tem conversa exposta em que trata sobre projetos de seu IDP

Destrinchando a maconha paraguaia 10

| por | 21 de agosto de 2017

Nosso repórter passou 15 dias em uma plantação ilegal de maconha no Paraguai; miséria e corrupção marcam o cotidiano de um “Estado paralelo”, longe das agências policiais e facções criminosas

Onde está o busto de Lamarca? 15

| por | 4 de setembro de 2017

O ato final do ex-secretário de Meio Ambiente paulista foi sumir com uma estátua do guerrilheiro no Vale do Ribeira, esbravejando contra “herói ideológico”. Reavivou uma memória incômoda, que inclui bombardeios de napalm pela ditadura