AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO

O que descobrimos com o Mapa do Jornalismo Independente

São 79 iniciativas espalhadas por 12 estados e com variadas formas de financiamento

Entre novembro de 2015 e fevereiro de 2016, a Pública se dedicou a mapear o jornalismo independente no Brasil. Era algo que não havia sido feito até então e que se encaixa na nossa missão de fomentar o jornalismo independente no Brasil. O Mapa é uma ferramenta que pode ajudar a entender melhor esse cenário e funcionar como um catálogo para as pessoas interessadas em acompanhar novos meios de comunicação.

Navegue pelo Mapa do Jornalismo Independente

A equipe da Pública fez uma lista de organizações independentes e estabeleceu alguns critérios para incluí-las no mapa. Foram selecionadas aquelas que nasceram na rede, fruto de projetos coletivos e não ligados a grandes grupos de mídia, políticos, organizações ou empresas. Blogs não entraram porque geralmente são iniciativas individuais, com tom pessoal, não necessariamente jornalístico, e sem a pretensão de se tornarem veículos autossustentáveis, uma das marcas da geração que está surgindo no jornalismo nacional.

A equipe montou um formulário e pediu que os veículos independentes selecionados a partir dos critérios iniciais respondessem e indicassem outras organizações que se encaixavam nas regras. Foram mapeadas 79 iniciativas em 12 estados e no Distrito Federal. O estado de São Paulo concentra 36 veículos independentes, quase a metade dos que aparecem no Mapa. Encontramos sete organizações descentralizadas e, por terem sido criadas na rede, não têm um só local de fundação. É o caso da Revista AzMina, que reúne pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Estados Unidos e Portugal.

O Mapa do Jornalismo mostra apenas organizações em atividade. Entre as iniciativas listadas, a mais antiga é o site Scream and Yell, especializado em jornalismo musical e fundado em 1996. Entre 1996 e 2006, o surgimento de veículos de jornalismo independente no Brasil passa por períodos instáveis, com alguns anos sem registro de criação de organizações. A partir de 2006 é possível observar o surgimento de ao menos um veículo por ano. De 2013 para 2014, a fundação de novas organizações saltou de cinco para 18.

A partir de informações fornecidas pelas iniciativas, foi possível mapear também a forma como essas organizações se sustentam. Entre as 79, 32 têm caráter comercial e 47 são sem fins lucrativos. Dos 57 veículos que possuem alguma forma de financiamento, 35 mencionaram fontes de renda variadas e 22, somente uma. As 22 outras organizações ainda não contam com financiamento.

A fonte de renda mais mencionada pelas organizações com fins lucrativos foi a utilização de publicidade (13). Já entre as iniciativas sem fins lucrativos, sete veículos mencionaram o uso de publicidade, enquanto o modelo de financiamento mais citado por esse segmento é a doação de pessoas jurídicas (15). Dos 47 veículos sem caráter comercial, 18 ainda não contam com fontes de financiamento. Entre os veículos com caráter comercial, o número cai para sete.

A maioria dos veículos de jornalismo independente usa sites próprios (59) para publicar seu conteúdo, enquanto 13 divulgam a produção diretamente no Facebook. Os demais publicam em blogs, no Medium e em outras redes sociais, como Twitter e YouTube. Já o Farol Jornalismo, de Porto Alegre, dissemina sua produção através de newsletters semanais.

Esta análise considera apenas as organizações selecionadas pela Pública para entrar no Mapa do Jornalismo. O Mapa é uma ferramenta viva e participativa, que permite aos leitores incluir novos veículos independentes que não necessariamente atendem aos nossos critérios.

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Comentários

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  • Tiago Vieira

    Há mtos pinos sobrepostos no mapa, impedindo o leitor de identificar todas as mídias. Ou seja, vc só consegue clicar na que está por cima. Enfim, poderiam corrigir, por favor? Ou então listar todas as mídias de forma mais prática fora do mapa? Obrigado!

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