Nós, da Agência Pública, estamos abrindo novos canais para que o público nos envie relatos, denúncias e sugestões de pauta. Entenda como você pode nos ajudar a investigar e por que a sua participação é importante

Nós, da Agência Pública, estamos abrindo novos canais para que o público nos envie relatos, denúncias e sugestões de pauta. Entenda como você pode nos ajudar a investigar e por que a sua participação é importante

25 de junho de 2020
15:38
Você tem alguma denúncia sobre a pandemia do coronavírus? Conhece alguém que tomou cloroquina e faleceu? A Pública quer te ouvir. Conte sua história e nos ajude a investigar as injustiças por trás dessa crise. Clique aqui e participe.

Se você pudesse contar a um jornalista sobre sua experiência em relação à pandemia, o que diria? Encontrou dificuldades para fazer testes ou conseguir uma vaga no hospital? Perdeu algum parente querido para a Covid-19? Sente que sofreu alguma injustiça? Por trás da experiência de cada brasileiro existe uma história a ser contada e muitas delas ainda não viraram notícia.

Por isso, a Agência Pública está lançando um projeto de investigação participativa sobre a pandemia, abrindo um canal para que pessoas de todo o Brasil enviem relatos sobre suas experiências lidando com o novo coronavírus.

Neste primeiro momento, criamos um questionário para os leitores contarem histórias sobre familiares, amigos ou conhecidos que perderam suas vidas para a Covid-19. Sabemos que esse é um momento difícil para as famílias, mas acreditamos que elas podem ajudar a Agência Pública e o Brasil a entender os diferentes contextos e fatores que contribuíram para que essas mortes ocorressem – e se elas poderiam ter sido evitadas. Quer participar? Conte sua história aqui.

Abaixo, explicamos melhor como funcionará esse novo projeto e por que a sua participação é tão importante para que ele dê resultados. Se tiver perguntas ou sugestões, fique à vontade para entrar em contato pelo e-mail participe@apublica.org.

O que é uma investigação participativa?

Em uma investigação participativa, o público ajuda o repórter a investigar. Nesta nova abordagem para o jornalismo investigativo, a redação abre espaços para que os leitores enviem relatos, ideias ou denúncias sobre um determinado tema.

Estas contribuições podem servir para chamar nossa atenção a um assunto que ainda não foi abordado, encontrar pessoas que tenham vivido um problema sobre o qual estamos escrevendo ou orientar a apuração de outras maneiras. Após ouvirmos e analisarmos os relatos, partimos para a investigação. Passado o período de apuração, quando são analisadas as histórias, reunidos dados e documentos, e a veracidade de todas as informações é confirmada, as histórias viram reportagens e são distribuídas para a rede de republicadores da Agência Pública. Elas repercutem no Brasil e no mundo.

Mas o processo não acaba aí: quem responde o questionário se torna parte de uma comunidade com a qual estaremos sempre em contato. Depois que a investigação é publicada, continuaremos informando essas pessoas sobre os desdobramentos e impactos, convidando-as a opinar, sugerir outras pautas e divulgar futuros questionários. Com isso, esperamos continuar produzindo matérias relevantes e conectadas às experiências dos nossos leitores.

Como essas investigações são feitas?

Um dos principais canais de comunicação com os leitores são questionários sobre temas específicos, em que as pessoas podem relatar suas experiências ou fazer denúncias – como este, no qual o público pode contar histórias de pessoas que morreram por causa da Covid-19.

As respostas do público são como peças de um quebra-cabeça, que, quando combinadas, dão a ideia de um quadro maior, mesmo que incompleto. A partir daí nós, repórteres, fazemos nosso trabalho para preencher as lacunas. Por exemplo: se recebermos muitas denúncias de mortes por Covid-19 em uma pequena cidade do interior do Brasil, iniciaremos uma apuração para entender que problemas sistêmicos existem ali.

Por que fazer investigações assim?

Queremos te convidar para participar das nossas investigações porque sabemos que você conhece sua realidade melhor do que ninguém. Ao compartilhar informações sobre a sua própria experiência, você pode nos ajudar a compreender melhor a situação que está enfrentando e nos dar dicas sobre os caminhos para investigá-la. Quanto mais pessoas responderem o questionário, maior é a chance dessas contribuições se tornarem reportagens. Por isso, pedimos sua ajuda para espalhá-lo nas redes sociais, em grupos de amigos, entre os seus vizinhos e familiares.

A Agência Pública já produziu investigações com a participação dos leitores, como o documentário Sob constante ameaça, em que 2.500 mulheres responderam um questionário sobre a dificuldade de ocupar a cidade por medo da violência de gênero, e uma reportagem sobre intolerância política durante as eleições de 2018, em que as pessoas podiam denunciar episódios de agressão por meio de um formulário. Agora queremos fortalecer ainda mais essa abordagem.

Como as minhas contribuições serão usadas?

Em primeiro lugar, garantimos totalmente a sua privacidade: as informações que você decidir compartilhar com a Agência Pública não serão divulgadas sem a sua autorização explícita. Asseguramos também a segurança dos seus dados: a plataforma que usamos para construir nossos questionários e administrar as respostas, chamada Screendoor, apresenta altos padrões de segurança. Além disso, ela é utilizada com sucesso por outros veículos de comunicação estrangeiros que há alguns anos produzem investigações participativas.

Nossa equipe lerá todos os relatos que nos forem enviados, mas eles só serão transformados em reportagens depois de passarem por um rigoroso processo de verificação e apuração. Para isso, nossos repórteres precisarão entrar em contato com os autores das respostas e, dependendo do caso, entrevistá-los – por isso, é muito importante fornecer um número de celular ou endereço de e-mail válido, já que erros nessas informações podem inviabilizar que sua história seja contada.

O que esperar das investigações participativas?

Acreditamos no poder do jornalismo feito em parceira com o público por meio de canais de comunicação que encurtem a distância entre a redação e as pessoas. Mas é importante ressaltar que somos um veículo independente, ou seja, não vinculado a nenhum governo, partido político ou grupo específico. Isso significa que não fazemos ativismo ou lobby em prol de nenhuma causa.

Nos comprometemos a monitorar e ler todas respostas aos nossos questionários, porém não garantimos que todas elas virarão reportagens – para que isso aconteça, precisamos nos certificar de que as informações são verdadeiras e representam um problema que atinge também outras pessoas. Além disso, nós sempre ouviremos o “outro lado”, ou seja, a perspectiva de pessoas e instituições denunciadas nos relatos do público.

Por último, destacamos que nosso trabalho, enquanto jornalistas, é investigar, checar e publicar reportagens aprofundadas. Podemos escrever sobre temas relacionados a saúde e questões jurídicas, mas não oferecemos orientação legal, médica ou de qualquer outra natureza.

Todas essas medidas são necessárias para assegurar que as investigações participativas tenham o mesmo padrão de qualidade de todas as reportagens da Agência Pública.

Que impacto as investigações participativas podem alcançar?

Uma reportagem investigativa pode gerar diferentes impactos na sociedade. Embora seja impossível prever o que vai acontecer em cada caso, é possível citar exemplos de como a sua denúncia pode ajudar a mudar as coisas. Um deles é a reportagem sobre a primeira morte por Covid-19 no Rio de Janeiro, de uma empregada doméstica que contraiu a doença na casa dos patrões, no Leblon, bairro nobre da capital. Depois da nossa denúncia, o Ministério Público do Trabalho analisou o caso.

Cada reportagem da Agência Pública é replicada, em média, por 20 outros sites. Em 2019, nossas investigações foram republicadas por mais de mil veículos em 26 países. A matéria sobre intolerância política nas eleições, por exemplo, foi citada pelo jornal The Washington Post, dos Estados Unidos, e The Guardian, do Reino Unido. Essa repercussão atrai o olhar das autoridades para as denúncias que fazemos, o que aumenta a chance de atingirmos impactos e provocarmos transformações.

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