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EUA sequestram Maduro e Trump diz que irá administrar a Venezuela

3 de janeiro de 2026
11:07
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Após o ataque à Venezuela e sequestro do presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump fez um pronunciamento neste sábado, 3 de janeiro, por volta de 13h40, horário de Brasília. Trump afirmou que o governo estadunidense irá administrar a Venezuela até ser possível fazer uma “transição adequada”. O presidente dos EUA ainda afirmou que uma grande empresa de petróleo norte-americana irá administrar o petróleo venezuelano e “resolver os problemas de estruturas” que o setor petrolífero do país da América do Sul enfrenta, segundo Trump.

“Não queremos que outra pessoa assuma o poder [na Venezuela] e nos vejamos na mesma situação que tivemos durante os últimos anos. Assim, vamos governar o país até que possamos realizar uma transição segura, adequada e sensata. E tem que ser feito com prudência, porque é assim que somos. Queremos paz, liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela. E isso inclui muitos venezuelanos que agora vivem nos Estados Unidos e querem voltar para o seu país, a sua pátria”, declara o presidente dos Estados Unidos.

Após questionado sobre quem irá administrar a Venezuela, Trump não deixou claro quem ocupará o cargo de Maduro. Porém, citou uma suposta conversa com a atual vice-presidente Delcy Rodriguez, mas afirmou que “ela não tem alternativa”. Outra colocação de Trump indica que as empresas que irão assumir o petróleo venezuelano terão um papel nessa administração.

Mais tarde, após a coletiva de Trump, a vice-presidente venezuelana desmentiu que estaria em negociação com o governo dos EUA. Em pronunciamento transmitido pela TV pública venezuelana, Rodriguez, denominada como presidente interina da Venezuela, condena a ação do governo norte-americano e afirma que “o único presidente da Venezuela é Nicolás Maduro”. “A Venezuela nunca será colônia de nenhum império”, declara Delcy Rodriquez, que também solicitou “paciência estratégica” ao povo venezuelano.

Durante a coletiva, Trump declara que os principais políticos de oposição do governo de Maduro, Maria Colina Machado, vencedora do prêmio Nobel da Paz e Edmundo González Urrutia, não participarão do novo governo na Venezuela.

No fim de seu discurso, Donald Trump afirma que os Estados Unidos vai retomar o seu domínio na região e que o “que ocorreu com Nicolás Maduro pode acontecer com outras pessoas” para garantir que essa hegemonia se concretize. Ele ainda citou a Doutrina Monroe (defesa da influência dos EUA nos países ocidentais), mas disse que eles superaram e muito, a Doutrina Monroe.

“Tudo começou com a Doutrina Monroe, e a Doutrina Monroe é muito importante. Mas nós a superamos em muito, muito mesmo. […] Nós esquecemos disso, era muito importante, mas nos esquecemos, não nos esquecemos mais. Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado, isso não acontecerá”, afirma.

Também se pronunciaram após Trump, Dan Caine, general chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, Pete Heghset, secretário de Defesa dos EUA e também o secretário de estado dos EUA, Marco Rubio.

Segundo Trump, Nicolás Maduro e sua esposa são acusados de narcoterrorismo e serão julgados pela Justiça norte-americana. Alguns momentos antes do pronunciamento, Trump publicou uma imagem de Nicolás Maduro no navio USS Iwo Jima que está levando Maduro para Nova York onde, segundo o governo estadunidense, ele será julgado. A divulgação ocorreu na conta pessoal de Trump na rede Truth Social.

Como ocorreu o ataque

Os Estados Unidos bombardearam a Venezuela por volta das 3 horas da madrugada deste sábado, 3 de janeiro. Segundo o presidente Donald Trump, Nicolás Maduro foi “capturado e retirado do país”. A informação foi confirmada pela vice-presidente venezuelana Delcy Rodriguez, que exigiu que os EUA ofereçam prova de vida do presidente. 

A ação fere a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional pela violação de território nacional. 

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou em pronunciamento oficial que o Exército vai resistir. “Ativaremos em todo o espectro do espaço geográfico nacional e em perfeita fusão popular militar-policial, a colocação em completo apresto operacional através do emprego maciço de todos os meios terrestres, aéreos, navais, fluviais e de mísseis”.

Outra liderança importante, Diosdado Cabello, ministro do Interior, Justiça e Paz, apareceu em um vídeo nas ruas de Caracas e afirmou estar “avaliando os danos causados pelo ataque criminoso e terrorista contra nosso povo”.   

Presidentes da região, como Gustavo Petro (Colômbia), Gabriel Boric (Chile) e Claudia Sheinbaum (México) condenaram o ataque, enquanto o Itamaraty permanecia em silêncio, tendo sido pego de surpresa pela ação.

O presidente Lula fez um comunicado nas redes sociais às 10h, afirmando que “os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. 

“A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, completou.

No X/Twitter, a vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, não condenou o ataque, e disse ter falado com o Secretário de Estado Marco Rubio. “A UE já declarou repetidamente que o Sr. Maduro não possui legitimidade e defendeu uma transição pacífica”, disse, chamando à “moderação”.

A Venezuela pediu uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, “responsável por fazer valer o direito internacional”, como disse no Telegram o chanceler venezuelano, Yvan Gil.

Edmundo González, candidato que é considerado vencedor nas últimas eleições presidenciais, e a opositora Maria Corina Machado, principal liderança anti-chavismo, não deram declarações até a publicação dessa matéria. A conta oficial que o grupo estabeleceu no X declarou que “neste momento não há pronunciamento oficial sobre os fatos reportados na Venezuela”. 

Reprodução/Donald Trump/Truth Social
RS/via Fotos Publicas

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