Buscar
Nota

MP do Pará apura denúncias de perseguição de delegado contra casal de policiais lésbicas

14 de julho de 2026
12:00
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

O Ministério Público do Pará (MPPA) instaurou um procedimento administrativo para investigar possível perseguição de um casal de policiais lésbicas por um delegado. O procedimento foi aberto a partir de uma representação na qual as agentes acusam o gestor de “homofobia, perseguição e abuso de autoridade”.

De acordo com o MPPA, não apenas a conduta do delegado, mas também possíveis falhas institucionais estão sendo apuradas na gestão funcional da 10ª Região Integrada de Segurança Pública, onde o delegado Antônio Mororó, superintendente regional de Marabá, atua. O casal, formado pela delegada Lívia Ferraz e a investigadora Izabel Coelho, conversou com a Agência Pública.

A reportagem procurou Antônio Mororó, por meio da assessoria de imprensa da Polícia Civil do Pará, mas o órgão não se manifestou sobre a possibilidade de uma entrevista.

De acordo com as policiais, que atuavam na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Marabá, município paraense às margens do rio Tocantins, no dia 11 de novembro de 2025, representantes diretos de Mororó teriam ligado para informar que elas não podiam mais atuar juntas por “ordens superiores”, sem apresentar qualquer justificativa concreta.

“Inicialmente, não compreendi a razão da mudança, sobretudo porque havia outros casais que atuavam conjuntamente em plantões, inclusive em situações em que um dos integrantes ocupava posição hierárquica superior ao outro […] Ainda assim, acatei a nova determinação sem questionamentos”, contou a investigadora Coelho.

“Depois veio uma outra conversa de que era porque era proibido tirar um plantão junto com seu companheiro, por exemplo. E aí eu observei que outros colegas que têm relacionamento [heterossexual] na polícia, estavam tirando plantões juntos”, disse Coelho.

Elas terminaram levando o caso à Corregedoria da Polícia Civil e ao MPPA, o que levou a uma investigação da “Divisão de Crimes Funcionais (DCRIF), que segue em andamento”, segundo a Polícia Civil do Pará. Elas alegam, na representação, que a proibição “jamais foi aplicada a casais heterossexuais da instituição, que rotineiramente trabalham juntos, como demonstram as escalas publicadas diariamente”.

Mororó assumiu a 10ª Região Integrada de Segurança Pública do Pará em setembro de 2025, sendo o responsável por chefiar as equipes de Polícia Civil de 16 municípios da região, entre eles, Marabá, onde as policiais atuavam.

Saúde mental abalada, dizem policiais

As policiais dizem que também foram alvo de rumores entre colegas. “Disseram que estaríamos praticando atos imorais dentro da delegacia”, conta Ferraz.

Desde março, a delegada e a investigadora estão afastadas do trabalho por doenças psicológicas. “Ele continua sendo nosso superintendente, não há ambiente de trabalho saudável”, acrescenta Coelho.

A delegada chegou a registrar um boletim de ocorrência contra Mororó. No documento, ela alega que o chefe “repreendia as delegadas pelo uso de afastamentos médicos, chegando a desqualificar publicamente a legitimidade de atestados apresentados por servidoras e determinando que, sempre que uma delegada necessitasse de atestado médico, a colega que a substituísse deveria fazê-lo sem qualquer compensação remuneratória, pois alguém ‘deveria sangrar’”.

Edição:

Notas mais recentes

Corrida Eleitoral: sabatinas eleitorais continuam enquanto Congresso volta de recesso


Senado dos EUA aprova Daniel Perez antes de aval do Brasil para vaga de embaixador


Indústria de ultraprocessados tenta impedir combate à obesidade, diz diretor-geral da OMS


Escala 6×1, PEC da Segurança, minerais raros: o que o Congresso pode votar durante eleição


Corrida eleitoral: registro de candidaturas termina nesta semana


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso

Banco do Nordeste e Itaú financiam R$ 44 milhões para soja em área de conflito no Maranhão

|

Investidora paulista consegue autorizações de desmatamento e sinal verde na Justiça em disputa contra extrativistas
Governador de Goiás Ronaldo Caiado no escritório do Google em Nova York

Candidato à Presidência, Caiado transformou Goiás em laboratório de leis para Big Techs

|

Projetos que interessam ao Google e Amazon avançam em Goiás sem debate, cada um aprovado em menos de 48 horas
Deputado Alfredo Gaspar e senador Flávio Bolsonaro durante evento do PL

Após pressão por uma vice mulher, PL fecha chapa apenas com homens

|

‘Michele está fazendo comida para o marido’, responde Damares Alves sobre ausência de ex-primeira dama

Eleições: legislação não é o suficiente para barrar conteúdos de IA nas redes sociais

|

Decisões do TRE-BA determinam que Meta retire vídeos com IA do Instagram, mas cópias seguem na rede
Foto mostra plataforma de trem da Estação Luz, no centro de SP. Estação integra a linha 12 da CPTM.

As denúncias por trás dos acidentes e da greve de trens em São Paulo

|

Funcionários apontam problemas elétricos em linha que pegou fogo, falta de treinamento e de pessoal