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"Não vamos sair" diz moradora do Morro da Providência. Veja o minidoc

Morro da Providência sofre desocupações compulsórias para sediar projeto Porto Maravilha, com teleférico e plano inclinado para gringo ver

Reportagem
24 de janeiro de 2012
08:00
Este artigo tem mais de 14 anos

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No site da prefeitura do Rio de Janeiro, em letras garrafais, a manchete anuncia: “Condomínio da Providência livra famílias de áreas de risco”.

O texto segue o tom publicitário, prevendo um futuro melhor para as 119 famílias moradoras das comunidades de Pedra Lisa e Providência, que se inicia no primeiro semestre de 2012, quando elas trocarão suas casas “atualmente em situação de risco” por pequenos apartamentos em outras regiões.

Mas, já na primeira explicação, o engenheiro da Secretaria Municipal de Habitação, Glauco Campos, escorrega: “Essas unidades vão receber as famílias que estão sendo tiradas da comunidade por estarem em área de risco ou por conta de alguma outra obra nossa. Isso aqui é fundamental (para o projeto). Porque, se a gente não puder oferecer novas unidades, não tem como retirá-los dos locais onde vão acontecer as obras”.

Ou seja, a intenção real do projeto não é proteger a comunidade mais antiga do Rio – foi a partir de uma vegetação que crescia ali, a “favela”, que o termo foi popularizado – e que já está sendo removida à força.  A questão é abrir espaço para as obras do Porto Maravilha projeto ambicioso da prefeitura em parceria com empreiteiras privadas que prevê, dentre outras coisas, um teleférico, um plano inclinado, e outras “melhorias” para gringo ver, quando os megaeventos chegarem.

Não vamos sair

A violência contra a população da Providência – que em 2010 recebeu a primeira UPP -, está documentada em um vídeo produzido pela Anistia Internacional, que traz depoimentos como o da moradora Rosete Marinho, afirmando que a comunidade não vai sair “só porque querem construir o Porto Maravilha” e tirar as “casas feias” da favela.

Os moradores também denunciam que suas casas são marcadas para demolição sem nenhum aviso.

Cada vez que um morador se rende à pressão da prefeitura e sua casa é demolida, as casas ao redor têm suas estruturas abaladas. É isso que estaria provocando a situação de risco, usada como pretexto para a prefeitura desalojá-los.

Aos que resolvem sair, é oferecido apenas um aluguel social de R$ 450, sem indenizá-los pela construção.

O número de famílias a ser removidas também é bem maior do que o anunciado no site da prefeitura: segundo engenheiros voluntários do CREA-RJ, ao menos 832 famílias devem ser desalojadas para a implantação do projeto.

Segundo o parecer técnico dos engenheiros, realizado nas Comunidades da Providência e Pedra Lisa, e divulgado pelo Fórum Comunitário do Porto que você pode ler na íntegra AQUI,“há inúmeros indicadores que demonstram que as necessidades dos moradores dessas duas comunidades ficaram relegadas no projeto de urbanização, o que se explica pelo fato de esse projeto, como todas as intervenções previstas na região da Zona Portuária, envolver interesses especulativos de grandes grupos privados, fazendo parte de um “pacote” que, sob o eufemismo da “revitalização”, pretende abrir novas fronteiras para o lucro privado, utilizando-se, para tanto, de fartos recursos públicos, além da apropriação de imóveis públicos que correspondem a 70% dos terrenos vazios existentes nessa região”.

Veja o vídeo:

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

 

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