Parceria entre Agência Pública e Repórter Brasil vai investigar, pelos próximos dois anos, os efeitos de sermos o país que mais consome agrotóxicos no mundo

Parceria entre Agência Pública e Repórter Brasil vai investigar, pelos próximos dois anos, os efeitos de sermos o país que mais consome agrotóxicos no mundo

10 de dezembro de 2018
12:47
Este texto foi publicado há mais de 1 ano.

Você se preocupa com sua alimentação? Ao ler esta pergunta, talvez você pense em ingerir poucas calorias e alimentos frescos. Mas poucos brasileiros sabem que vivem no país que mais consome agrotóxicos no mundo. Conhecer a forma como são produzidos nossos alimentos e quais são os químicos usados antes que eles cheguem à mesa também é se preocupar com a alimentação. Além do meio ambiente, da população rural e da economia do país.

Para que a população esteja melhor informada sobre o uso de agrotóxicos e suas consequências, a Agência Pública e a Repórter Brasil lançam hoje o projeto “Por trás do alimento”, que vai produzir reportagens sobre o tema nos próximos dois anos. Além de matérias investigativas em todo o país, o projeto conta com um repórter em Brasília, acompanhando como são feitas as regulamentações dos agrotóxicos.

Quer receber reportagens sobre os impactos dos agrotóxicos no seu e-mail? Inscreva-se na nossa newsletter!

As regras brasileiras são bem diferentes das adotadas pelos Estados Unidos e União Europeia. A Repórter Brasil divulgou com exclusividade um estudo da Universidade de São Paulo que mostra que 30% dos 504 agrotóxicos usados no Brasil são proibidos na Europa por serem considerados cancerígenos ou que podem causar má formação em fetos. “Nós vamos olhar além das nossas fronteiras para investigar esse mercado. O Brasil recebe  agrotóxicos de empresas estrangeiras e exporta comida para o mundo todo, por isso montamos uma equipe que possa aprofundar essa cobertura”, afirma Ana Aranha, co-coordenadora do jornalismo da Repórter Brasil.

Um levantamento realizado pela Agência Pública nas bases de dados do SUS mostra que desde 2007, 26 mil brasileiros foram intoxicados por agrotóxicos. Segundo pesquisa da Fiocruz, para cada caso registrado de intoxicação, 50 não o foram por ausência de diagnóstico. “Vamos fazer uma cobertura abrangente que traga informações às pessoas sobre o que elas comem e o que está por trás dessa produção. É um serviço de utilidade pública para que os consumidores estejam melhor informados quando forem fazer suas escolhas”, explica Natalia Viana, co-diretora da Agência Pública.

O projeto foi lançado com uma reportagem que revela como pesticidas proibidos na União Europeia por oferecer riscos à saúde humana estão entre os mais vendidos do Brasil, como o paraquate, atrazina e acefato. Além disso, nossa equipe viajou até Espigão do Alto Iguaçu (PR) para acompanhar uma contaminação recorde por uso inadequado de agrotóxico – quase 100 pessoas tiveram intoxicação aguda, entre elas mais de 50 crianças.

Toda a cobertura do projeto será publicada no site portrasdoalimento.info, nas páginas da Agência Pública, da Repórter Brasil e dos parceiros republicadores. Também é possível acompanhar o “Por trás do alimento” no Instagram. O projeto tem apoio do Instituto Alana e Instituto Ibirapitanga.

Seja aliada da Pública

Quer saber como nossos repórteres descobriram estas injustiças? Doe para a Pública e ajude a lançar um novo podcast com bastidores das nossas reportagens.

Mais recentes

O que as mensagens de Robinho revelam sobre os grupos de Whatsapp dos homens

27 de outubro de 2020 | por

Segundo pesquisadora Valeska Zanello, para combater o estupro e o feminicídio, do ponto de vista da saúde pública, é necessário encarar o vetor: a masculinidade violenta

A íntima relação entre narcotráfico e política no Brasil

26 de outubro de 2020 | por

Investigação da Polícia Federal obtida pela Pública traz detalhes de como os lucros da cocaína são lavados no agronegócio e com elos na política

Podcast: dossiê Antifascista, a espionagem no governo Bolsonaro

23 de outubro de 2020 | por , e

Neste terceiro episódio do Pauta Pública, o jornalista Rubens Valente contou os bastidores do furo de reportagem sobre o dossiê antifascista e revelou detalhes do sistema de espionagem em curso no país