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Da Redação

Agência Pública lança leitura de reportagens por Inteligência Artificial

Organização é a primeira do Brasil a adotar tecnologia; projeto é finalista do Desafio de IA para Jornalismo

Da Redação
26 de outubro de 2023
12:00
Este artigo tem mais de 2 anos

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A partir desta quinta-feira, quem visitar o site da Agência Pública, pioneiro no jornalismo investigativo sem fins lucrativos, poderá escolher uma série de Reportagens para Ouvir. Ao clicar no player, o leitor poderá escutar áudios de 8 a 20 minutos com uma leitura feita por Inteligência artificial (IA), com uma voz e cadência que soam naturais e engajantes.   

Toda semana, uma nova Reportagem para Ouvir será publicada, sempre com conteúdos investigativos, aprofundados e evergreen. A audiência vai poder acessar esse recurso tanto pela homepage quanto pela URL das reportagens.  

“Há muitos problemas éticos com o uso de AI no jornalismo, desde a substituição da mão de obra até a cooptação de redações por empresas que não querem ser reguladas”, diz a diretora executiva da Agência Pública, Natalia Viana. “Por isso buscamos uma solução que ajude, em vez de atrapalhar, o jornalismo. Com o Reportagens para Ouvir, vamos ampliar o acesso às nossas investigações e atrair novos públicos”.

Para lançar esse novo recurso, a equipe da Agência Pública usa o programa ElevenLabs, que elabora áudios a partir de texto com leitura por IA.  

O processo exigiu a criação de um workflow que permitisse a edição de áudio a partir das reportagens da Pública e também lidar com limitações da tecnologia, como o fato de que o ElevenLabs converte partes do texto para o inglês automaticamente. Assim, trechos têm que ser reescritos e o áudio final tem que ser editado por um jornalista, trecho a trecho.  

Outro desafio foi encontrar uma voz real que representasse a identidade da Agência Pública, veículo fundado há 12 anos e liderado por jornalistas mulheres.

A voz escolhida foi da jornalista Mariana Simões, que narrou os Podcasts Histórias que Ninguém te Conta e Cientistas na Linha de Frente, ambos originais da Agência Pública. 

“De agora em diante, a IA estará cada vez mais presente em nossas vidas. Decidi ceder minha voz para esse experimento para começar a entender como podemos usar essa nova ferramenta em prol do jornalismo independente,” diz Mariana Simões. 

O projeto é finalista do Applied AI Journalism Challenge, promovido pela Open Society Foundations, e a equipe da Pública vai apresentar a solução no festival Splice Beta, que celebra inovações no jornalismo, na Tailândia, em novembro. A Pública é a única organização brasileira participante e compete com redações internacionais como o Rappler, site fundado pela ganhadora do Prêmio Nobel Maria Ressa.      

Junto com o lançamento do novo produto, a Agência Pública publicou hoje uma Política para Uso de Inteligência Artificial, seguindo outros sites jornalísticos que já adotaram uma no Brasil, como Núcleo e a Agência Tatu de Jornalismo de Dados.  

“Um dos nossos compromissos é jamais usar inteligência artificial generativa para escrever reportagens”, diz Natalia Viana. “Nossa produção valoriza o repórter e a reportagem, e aposta em um jornalismo humano, que aprofunda o conhecimento e revela as nuances de realidades complexas. É justamente o tipo de jornalismo que robô nenhum será capaz de substituir”.  

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