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Governos de 4 estados não aderem a esforço nacional de combate a roubos de celulares

19 de agosto de 2026
16:30
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Quatro estados brasileiros decidiram não aderir à mobilização nacional voltada à recuperação de celulares furtados ou roubados, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A Agência Pública apurou que Paraná, Roraima, Santa Catarina e Tocantins foram as únicas unidades da federação que não participaram da Operação Última Chamada, que teve início em 10 de agosto, visando a recuperação e devolução de aparelhos, bem como vistoria simultânea em presídios em todo o país.

Todos os estados que ficaram de fora da iniciativa são governados por grupos políticos opositores ao governo federal: Soldado Sampaio, de Roraima, e Wanderlei Barbosa, do Tocantins, ambos do Republicanos, Jorginho Mello, de Santa Catarina, filiado ao Partido Liberal (PL), e Ratinho Junior, do Paraná, que é do Partido Social Democrata (PSD).

Nesta quarta-feira (19), o MJSP divulgou que 6 mil aparelhos celulares foram recuperados a partir das ações realizadas pelas forças de segurança dos estados. Cerca de metade dos bens devem ser devolvidos aos donos originais apenas nos estados Amapá, Amazonas, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe. A ação é integrada com o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), criado em junho deste ano, como parte do decreto que transformou o programa Celular Seguro em política permanente de segurança pública.

O ministro Wellington César Lima e Silva usou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) para ilustrar como os furtos e roubos de celulares passaram a estar entre os principais receios da população, atingindo 78,8% dos brasileiros – 83,2% também temem golpes pelo celular via internet.

“A mesma pesquisa sugere que 36,5% das pessoas mudaram seus trajetos, 35,6% deixaram de sair a noite, 38,5% deixaram de sair com celular por medo de roubo e furtos. Portanto, o roubo de celulares se tornou, sem dúvida nenhuma, um dos crimes que mais impactam a percepção de segurança pública da população brasileira nos termos dessa pesquisa”, afirmou o ministro, que confirmou que 23 das 27 unidades da federação estão participando do esforço concentrado.

Em alguns casos, nós temos um ciclo completo, no qual o dispositivo chega, inclusive, às mãos do crime organizado nos presídios. A única forma de enfrentar o problema é por meio da integração federativa do Governo Federal e do MJSP, com as polícias estaduais”
Ministro da Justiça e Segurança Pública

Ao longo desta quarta-feira, ações de recuperação e restituição de aparelhos, notificações, fiscalizações em estabelecimentos comerciais e unidades prisionais estão sendo conduzidas. Segundo o ministério, mais de 33,6 mil pessoas que estavam em posse de celulares roubados ou furtados foram notificadas para comparecerem a delegacias imediatamente – casos não esclarecidos nas unidades de polícia podem gerar indiciamentos por receptação.

Segundo o Código Penal, as penas para o crime de receptação variam de um mês a um ano de detenção em caso de crime culposo (quando não houve intenção) e pode chegar a 8 anos no caso, por exemplo, de revenda desses aparelhos.

Para elevar as chances de ter um celular devolvido após recuperação pela polícia, é possível cadastrar o CPF no aplicativo Celular Seguro, bem como dados do aparelho, como o IMEI, uma espécie de identificação específica de cada celular. O aplicativo já teve 850 mil consultas a IMEIs e recebeu, apenas entre janeiro e julho de 2026, 626,6 mil cadastros de pessoas físicas no país.

Outro lado

A Pública procurou por e-mail os governos estaduais para entender as razões para a não participação no esforço nacional e se há programas locais de enfrentamento aos roubos e furtos de celulares especificamente.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins, o estado faz parte do Programa Celular Seguro, mas não participou da Operação Última Chamada devido à falta de efetivo policial disponível, que “já se encontrava mobilizado em outras ações coordenadas pelo próprio MJSP, a exemplo da Operação Mulher Segura”. “A não participação nesta edição da Operação Última Chamada, portanto, ocorreu exclusivamente em razão da impossibilidade de remanejamento do efetivo diante do curto prazo entre a comunicação e a deflagração da ação”, afirmou em nota a SSP/TO.

Em caso de manifestação dos demais governos estaduais, este espaço será atualizado.

Colaboração: | Edição:

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