Buscar
Nota

Bets: Projeto quer proibir comentários sobre odds de apostas em transmissões esportivas

29 de junho de 2026
10:34
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Um Projeto de Lei que regula como comentaristas e narradores esportivos podem fazer propaganda de apostas online em transmissões esportivas foi apresentado na Câmara dos Deputados na terça-feira, 23 de junho. O PL 3265/2026 proíbe esses profissionais de “mencionar, analisar ou comentar odds, cotações ou retornos financeiros de apostas”, de sugerir “palpites ou prognósticos de apostas” e de “utilizar expressões que associam o desempenho dos atletas ou o resultado da partida a ganhos ou perdas em apostas”, como “favorito das apostas”.

O projeto também regula os chamados tipsters esportivos, os consultores de apostas. O profissional, que deverá ter uma certificação que comprove a sua atuação, passa a atuar como um informante das vantagens matemáticas da casa de apostas, evitando falas sensacionalistas que induzam decisões impulsivas do jogador, e também declarando conflitos de interesses entre os vínculos das casas e as odds. Também é regulada a forma como as emissoras devem apresentar essas consultas, adicionando gráficos fixos e legíveis e explicações visuais e verbais durante toda a fala do consultor de apostas.

Além das transmissões da Copa do Mundo, o projeto também se aplica às transmissões dos outros campeonatos brasileiros. O texto ainda não foi votado por nenhuma comissão da Câmara.

A autora do PL, a deputada Camila Jara (PT-MS), defende que, sobretudo durante a Copa do Mundo, as propagandas de bets deveriam ser mais rígidas.

 “Assim como a propaganda de cigarro foi banida, a propaganda de bebida é cada vez mais restritiva; a propaganda de apostas também deveria, nas bets particularmente, sofrer restrições mais rígidas. E, quando ela vem por parte de comentaristas, nós teríamos que ter uma legislação específica dizendo que aquilo é uma forma de propaganda para apostas”, defe

“A gente garante que esses empresários tenham a livre atuação, como acontece no setor de cigarro, como acontece no setor de bebidas, mas que eles também sejam responsabilizados e assumam a sua culpa na sociedade pelo tipo de negócio que eles optaram por atuar”, completa. 

Jara defende que o poder público enxergue o esporte como uma política pública, integrada à educação básica. 

“O financiamento da bet não garante a excelência do futebol”, defende a deputada. Ela aponta que, a partir do momento em que a propaganda das bets acabar, será preciso um modelo de financiamento que invista desde a base do futebol, como politica pública, para que o futebol deixe de ser refém” dessas empresas.

“Essa odd é ótima”

O debate sobre as responsabilidades dos narradores e comentaristas esportivos na divulgação de apostas explodiu desde as primeiras transmissões da Copa do Mundo, puxado em grande parte pelas críticas à CazéTV. O canal, que tem os direitos de transmissão pelo YouTube de todos os 104 jogos do campeonato, vem sendo denunciado pela publicidade excessiva de casas de apostas durante os jogos.

A comoção foi tanta que a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), no dia 23 de junho, acionou o Ministério Público Federal (MPF) para que seja instaurada uma ação contra a divulgação de aplicativos de apostas esportivas feitas por comentaristas durante as transmissões de jogos. Após a denúncia da deputada, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), abriu uma investigação para averiguar denúncias de publicidade abusiva de bets pela CazéTV. 

Segundo a Senacon, a investigação foi aberta pois “a legislação proíbe, por exemplo, mensagens que incentivem apostas impulsivas, sugiram ganhos fáceis ou minimizem os riscos da atividade”. 

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) também recomendou a suspensão de três propagandas que passam durante a transmissão dos jogos na CazéTV. As publicidades das empresas KTO, Betnacional e Bet365 foram recomendadas para serem retiradas por, segundo o conselho, ofertarem modalidades específicas de apostas. A Conar ainda irá investigar se as publicidades podem levar ao erro.

Com mais de 17,8 milhões de espectadores só durante a partida entre Brasil e Escócia, que ocorreu na quarta-feira, 24, a CazéTV, que é patrocinada por casas de apostas, como a Bet365, vem sofrendo críticas sobre as divulgações das casas de apostas e, em especial, sobre a forma como divulgam as odds de cada partida, incentivando o público a apostar. 

Um dos exemplos ocorreu durante o jogo entre México e Coreia do Sul, no dia 18 de junho, quando a comentarista Juliana Cabral descrevia as qualidades dos jogadores Julián Quiñones, do México, e Son Heung-min, da Coreia do Sul. Enquanto ela falava, na tela, apareciam as odds de que Quiñones e Son fariam mais de um chute ao gol e ambos os times marcariam. Após falar sobre as táticas de jogo e os contextos em que ambos os jogadores estavam antes da partida, a apresentadora termina sua fala dizendo que “acredito que essa odd é ótima”. A partida terminou em 1 x 0 para o México, com gol do Luis Romo. 

Edição:
Reprodução YouTube CazéTV

Notas mais recentes

Corrida Eleitoral: sabatinas eleitorais continuam enquanto Congresso volta de recesso


Senado dos EUA aprova Daniel Perez antes de aval do Brasil para vaga de embaixador


Indústria de ultraprocessados tenta impedir combate à obesidade, diz diretor-geral da OMS


Escala 6×1, PEC da Segurança, minerais raros: o que o Congresso pode votar durante eleição


Corrida eleitoral: registro de candidaturas termina nesta semana


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso

Banco do Nordeste e Itaú financiam R$ 44 milhões para soja em área de conflito no Maranhão

|

Investidora paulista consegue autorizações de desmatamento e sinal verde na Justiça em disputa contra extrativistas
Governador de Goiás Ronaldo Caiado no escritório do Google em Nova York

Candidato à Presidência, Caiado transformou Goiás em laboratório de leis para Big Techs

|

Projetos que interessam ao Google e Amazon avançam em Goiás sem debate, cada um aprovado em menos de 48 horas
Deputado Alfredo Gaspar e senador Flávio Bolsonaro durante evento do PL

Após pressão por uma vice mulher, PL fecha chapa apenas com homens

|

‘Michele está fazendo comida para o marido’, responde Damares Alves sobre ausência de ex-primeira dama

Eleições: legislação não é o suficiente para barrar conteúdos de IA nas redes sociais

|

Decisões do TRE-BA determinam que Meta retire vídeos com IA do Instagram, mas cópias seguem na rede
Foto mostra plataforma de trem da Estação Luz, no centro de SP. Estação integra a linha 12 da CPTM.

As denúncias por trás dos acidentes e da greve de trens em São Paulo

|

Funcionários apontam problemas elétricos em linha que pegou fogo, falta de treinamento e de pessoal