AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO

A nova roupa da direita

Rede de think tanks conservadores dos EUA financia jovens latino-americanos para combater governos de esquerda da Venezuela ao Brasil e defender velhas bandeiras com um nova linguagem

Acima: O auditório da PUC-RS com 2 mil lugares ocupados durante o Fórum da Liberdade. Foto: Fernando Conrado/Divulgação 

“O corpo é a primeira propriedade privada que temos; cabe a cada um de nós decidir o que quer fazer com ele”, brada em espanhol a loirinha de voz firme, enquanto se movimenta com graça no palco do Fórum da Liberdade, ornado com os logotipos dos patrocinadores oficiais – Souza Cruz, Gerdau, Ipiranga e RBS (afiliada da Rede Globo). O auditório de 2 mil lugares da PUC-RS, em Porto Alegre, completamente lotado, explode em risos e aplausos para a guatemalteca Gloria Álvarez, 30 anos, filha de pai cubano e mãe descendente de húngaros.

Gloria Alvarez, a estrela da direita jovem latino-americana. Foto: Fernando Conrado

Gloria Alvarez, a estrela da direita jovem latino-americana. Foto: Fernando Conrado/Divulgação

Gloria ou @crazyglorita (55 mil seguidores no Twitter e 120 mil em sua fanpage do Facebook) ascendeu ao estrelato entre a juventude de direita latino-americana no final do ano passado, quando um vídeo em que ataca o “populismo” na América Latina durante o Parlamento Iberoamericano da Juventude em Zaragoza (Espanha) viralizou na internet. No principal fórum da direita brasileira, Gloria e o ex-governador republicano da Carolina do Sul David Bensley são os únicos entre os 22 palestrantes, brasileiros e estrangeiros, escalados para os keynote – palestras-chave que norteiam os debates nos três dias do evento, batizado de “Caminhos da Liberdade”.

Radialista há dez anos, hoje com um programa na TV, Gloria é uma show-woman cativante. Conduz com desenvoltura a plateia formada majoritariamente por estudantes da PUC gaúcha, uma das melhores e mais caras universidades do Sul do país. “Quem aqui se declara liberal ou libertarista que levante a mão?”, pede ao público, que responde com mãos erguidas. “Ah, ok”, relaxa. Sua missão é ensinar a seus pares ideológicos como “seduzir e enamorar os públicos de esquerda” e vencer “os barbudos de boina de Che”, explica a jovem líder do Movimiento Cívico Nacional (MCN), uma pequena organização que surgiu em 2009 na Guatemala na esteira dos movimentos que pediam – sem êxito – o impeachment do presidente social-democrata Álvaro Colom.

A primeira lição é utilizar nas redes sociais o hashtag criado por ela, “república x populismo”, para superar “a divisão obsoleta entre direita e esquerda”. “Um esquerdista intelectualmente honesto tem de reconhecer que a única saída é o emprego, e um direitista do século 21, que já se modernizou, tem de reconhecer que a sexualidade, a moral, as drogas são um problema de cada um; ele não é a autoridade moral do universo”, continua, sob uma chuva de aplausos. Nada de culpa, nem moral nem social, ensina. A mensagem é liberdade individual, “empoderamento” da juventude, impostos baixos, Estado mínimo – a plataforma da direita liberal (em termos econômicos) no mundo todo: “A riqueza não se transfere, senhores, a riqueza se cria a partir da cabecinha de cada um de vocês”, diz. Da mesma maneira, Gloria rebate programas sociais de assistência aos mais pobres, política de cotas para mulheres, negros, deficientes e até mesmo a existência de minorias: “Não há minorias, a menor minoria é o indivíduo, e a ele o que melhor serve é a meritocracia”.

“Há uma verdade que todo ser humano deve alcançar para ter paz, se não quiser viver como um hipócrita. Todos nós, 7 bilhões e meio de seres humanos que habitamos este planeta, somos egoístas. É essa a verdade, meus queridos amigos do Brasil, todos somos egoístas. E isso é ruim? É bom? Não, é apenas a realidade”, diz, definitiva. “Há pessoas que não aceitam essa verdade e saem com a maravilhosa ideia: ‘Não! [imita a voz de um homem], eu vou fazer a primeira sociedade não egoísta’. Cuidem-se, brasileiros; cuide-se, América Latina! Esses espertinhos são como Stálin, na União Soviética, como Kim Jong-il, Kim Jong-un, na Coreia do Norte, Fidel Castro, em Cuba, Hugo Chávez, na Venezuela.” E por que “seguimos como carneirinhos” atrás desses “hipócritas”? Porque [faz careta e vozinha de velha] “nos ensinam que é feio ser egoísta e que pensar em nós mesmos é pecado. Quantos de vocês já não viram alguém dizer ‘ah, necessitamos de um homem bom, que não pense só em si”, diz, encurvando-se à medida que fala para em seguida recuperar a postura altiva: “Mira, señores, a menos que seja um marciano, esse homem não existe, nunca existiu, nem existirá jamais”. Aplausos frenéticos.

Mas, explica, os “defensores da liberdade” também tem sua parcela de responsabilidade. Eles não sabem comunicar suas ideias, usar a tecnologia para “empoderar os cidadãos” e “libertar” a América Latina. “Se ficarmos discutindo macroeconomia, PIB etc., vamos perder a batalha. Temos que aprender com os populistas a falar o que as pessoas entendem, fazer com que se identifiquem”, ela diz. “E aqui vou lhes dar outro conselho porque dizem que nós, os liberais, somos malditos exploradores”, ironiza. “Encontrei um maneira muito bonita de definir o conceito de propriedade privada. E com esse conceito de propriedade privada os esquerdistas fazem assim: Ôooooo! [inclina o corpo para trás].” A propriedade privada, diz, é o que acumulamos em toda uma vida, a partir de nossas primeiras propriedades: corpo e mente. O passado, afirma, não é igual para ninguém, esse acúmulo é pessoal. “Isso nos humaniza, dá um coraçãozinho a nós, liberais, tão desgraçados.” Risos. Aplausos.

“Há pessoas que querem o direito à saúde, à educação, ao trabalho, à moradia. A ONU agora quer até o direito universal à internet”, desdenha, embora tenha acabado de dizer que a tecnologia é a chave para mudar o mundo. “Imaginem que, nesse auditório, alguns queiram o direito à educação, outros o direito à saúde, outros o direito à moradia. Então, se eu dou a vocês a educação, todos aqui vão pagar por isso, e vocês vão ser VIPs, e eles, cidadãos de segunda categoria. Se eu dou a eles a saúde, todos neste auditório vão pagar pela saúde deles, e eles vão ser VIPs. Se eu dou a esses as moradias, vou ter que tirar de todos vocês para dar moradia a eles, e eles vão ser esses VIPs. Isso não é justiça social, é desigualdade perante a lei”, conclui, novamente sob risos e aplausos.

“Se cada um na América Latina tiver direito à vida, liberdade e propriedade privada, então cada um que vá atrás da educação que queira, da saúde que queira, da casa onde quer morar, sem precisar de super-Chávez, super-Morales, super-Correa”. Ovação. Assobios. Antes de encerrar os 40 minutos de exposição, Gloria convida os presentes a contrapor a visão de mundo que “vitimiza os latino-americanos”, “joga a culpa nos ianques”, mina a “autoestima” e a coragem de assumir riscos que exige o espírito empreendedor. A plateia aplaude de pé.

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Neoliberais e libertaristas

Gloria Álvarez não representa nada exatamente novo. A grande diferença é a linguagem. O MCN (movimento a que ela pertence) recebe “fundos de algumas das maiores empresas da elite empresarial tradicional, conta o jornalista investigativo Martín Rodríguez Pellecer, diretor do site guatemalteco Nómada, parceiro da Pública. “Por fontes próximas, soube que uma das indústrias que os apoiam para campanhas de massa e lobby no Congresso é a Azúcar de Guatemala, um cartel poderosíssimo de treze empresas (a Guatemala é o quarto maior exportador mundial de açúcar) e as usinas guatemaltecas têm, inclusive, investimentos em usinas no Brasil.”

O mesmo pode-se dizer em relação a suas ideias. Apesar do título sedutor, os libertarians – libertaristas em português – “são um segmento minoritário entre as correntes que ganharam influência no pós-guerra em oposição às políticas intervencionistas de inspiração keynesiana”, explica o economista Luiz Carlos Prado, da Universidade Federal no Rio de Janeiro.

A partir da crise do petróleo dos anos 1970, economistas pró-mercado como o austríaco Friedrich Hayek (Prêmio Nobel de 1974), monetaristas da Escola de Chicago de Milton Friedman (Prêmio Nobel de 1976) e os novo-clássicos associados a Robert Lucas (Prêmio Nobel de 1995) passaram a dominar o pensamento econômico global e se tornaram conhecidos do grande público sob um único rótulo: “neoliberal”. Seus conceitos foram trazidos para a América Latina pelo setor mais conservador americano, representado principalmente pelos think tanks ligados a Ronald Reagan, que depois de ter perdido as primárias republicanas em 1968 e 1976, se elegeu presidente em 1980, tendo Friedman como principal conselheiro. Também predominaram no governo de Margaret Thatcher (1979-1991) na Inglaterra. “Os defensores do liberalismo clássico eram também defensores da liberdade política, mas a corrente chamada de ‘neoliberal’ defendia essencialmente a não intervenção do Estado na economia sem uma preocupação particular com a questão da liberdade política, chegando, em alguns casos, a apoiar sem constrangimentos governos ditatoriais como o de Pinochet no Chile”, observa Luiz Carlos Prado.

A Guatemala de Gloria Álvarez é um bom exemplo de como as ideias libertarians se traduziram na América Latina. Em 1971,“uma parte muito representativa da elite econômica guatemalteca assumiu como projeto político o libertarismo de direita, quando fundou a Universidade Francisco Marroquín (UFM)”, conta o jornalista Martín Rodríguez Pellecer. “O fundador da universidade, Manuel Ayau, conhecido como El Muso, em alusão a Mussolini, se uniu ao projeto fascista anticomunista da MLN. Desde então, a UFM vem formando quadros políticos e acadêmicos para desacreditar o Estado e a justiça social e converter a Guatemala no país que arrecada menos impostos na América Latina (11% em relação ao PIB) e o que menos redistribui”, explica. Foi nessa universidade que Gloria estudou e “se converteu em uma libertarista um tanto menos conservadora que seus professores, uma mistura de neoliberais e Opus Dei. Álvarez se declara ateia e a favor do aborto e, embora tenha se tornado uma estrela da direita latino-americana, na Guatemala é uma referência menor para a direita, não tem base política nem vai ser candidata. Eu a vejo mais como uma enfant terrible libertarista”, diz Martín.

Os libertarians ressurgiram com força nos Estados Unidos depois da crise de 2008 – e ao clamor subsequente pela regulamentação do mercado – e em decorrência da ascensão do democrata Barack Obama ao poder. Pregam a predominância do indivíduo sobre o Estado, a liberdade absoluta do mercado, a defesa irrestrita da propriedade privada. Afirmam que a crise econômica que jogou 50 milhões de pessoas na pobreza não se deveu à falta de regulação do mercado financeiro, mas pela proteção do governo a alguns setores da economia. E rejeitam enfaticamente os programas sociais do governo Obama. No entanto, uma parte significativa dos libertaristas tem se distanciado do tradicionalismo da direita no campo do comportamento, defendendo posições associadas à esquerda, como a defesa da liberação das drogas e a tolerância aos homossexuais, em nome da liberdade do individual. O senador republicano Rand Paul, pré-candidato à presidência, é um de seus representantes mais conhecidos.

“Os libertarians que estão com os conservadores no Tea Party (a corrente radical de direita no Partido Republicano americano) estão em think tanks como o Cato Institute e compõem a direita pós-moderna, representada, por exemplo, por Cameron, na Inglaterra, que modernizou a agenda da redução do estado do bem-estar social”, resume o professor. Ele acha graça quando falo em libertarians brasileiros, seguidores da escola austríaca de economia de Ludwig von Mises e Friedrich Hayek. “A escola austríaca é uma corrente muito minoritária mesmo na academia”, diz. “Quem são esses libertarians? O que temos no Brasil são economistas sofisticados que seguem correntes como a dos novo-clássicos do prêmio Nobel Robert Lucas e outras similares, políticos de direita pouco elaborados como o Ronaldo Caiado (senador do DEM-GO) e essa classe média conservadora que lê Rodrigo Constantino na Veja”, resume.

O senador Ronaldo Caiado (GO), um dos mais aplaudidos em Porto Alegre. Foto: Fernando Conrado

O senador Ronaldo Caiado (GO), um dos mais aplaudidos em Porto Alegre. Foto: Fernando Conrado/Divulgação

Caiado e Constantino são participantes veteranos do Fórum da Liberdade em Porto Alegre. A novidade é que os libertarians do Tea Party mostraram-se enfim capazes de se apresentar como a face convidativa da direita para a juventude brasileira.

Vem pra rua, ciudadano

Em palestra no Instituto FHC, Gloria fala para o ex-presidente, sentado à sua frente. Foto: Vinicius Doti/iFHC

Em palestra no Instituto FHC, Gloria fala para o ex-presidente, sentado à sua frente. Foto: Vinicius Doti/iFHC

Gloria Alvarez falando na manifestação de 12 de abril na Avenida Paulista. Foto: Reprodução/Facebook

Gloria Alvarez falando na manifestação de 12 de abril na Avenida Paulista. Foto: Reprodução/Facebook

Na véspera do Fórum, no dia 12 de abril, Gloria Álvarez discursou contra o “populismo maldito” vestida com uma camiseta de lantejoulas formando a bandeira do Brasil para cerca de 100 mil pessoas na avenida Paulista, em São Paulo, na segunda rodada de manifestações “Fora Dilma”. Do alto do caminhão do Vem pra Rua, o líder do movimento, Rogério Chequer, a apresentou à multidão como “uma das maiores representantes da batalha contra o populismo do Foro de São Paulo” e se manteve o tempo todo ao seu lado (veja o vídeo com o discurso de Gloria na Paulista aqui). Gloria, que havia anunciado antecipadamente sua presença nos protestos em uma entrevista no programa de Danilo Gentili no SBT, tinha dado uma palestra no Instituto Fernando Henrique Cardoso, assistida pelo próprio ex-presidente, três dias antes.

Entre os que lideraram os protestos de março e abril contra o governo, o movimento de Chequer foi um dos últimos a assumir a bandeira do impeachment, o que lhe valeu um pito público do vetusto Olavo de Carvalho, que o acusou de “paumolice tucana”. O Movimento Brasil Livre, conhecido principalmente através da figura de Kim Kataguiri, assumiu desde o início a bandeira do impeachment e rompeu publicamente com Chequer, divulgando fotos dele ao lado do senador José Serra (PSDB-SP) na campanha de Aécio Neves – tachado de “traidor” pela hesitação em pedir o impeachment da presidente eleita. Voltaram às boas depois que a comissão de senadores liderada por Aécio e Ronaldo Caiado (DEM-GO) fez sua controversa expedição a Caracas.

Caiado, aliás, estava no debate de abertura da edição do Fórum deste ano. Sem a graça irreverente de Glorita, o senador ruralista conservador arrancou aplausos da plateia com frases de efeito contra a corrupção do governo (veja aqui o vídeo com sua apresentação), menções ao “Foro de São Paulo”, pedido de “renúncia” à presidente Dilma e ataques ao BNDES. Curiosamente, as acusações de Caiado foram feitas sob os logotipos da Gerdau e Ipiranga – do grupo Ultra –, que estão entre os maiores tomadores de empréstimos do BNDES segundo os dados levantados pela Folha de S.Paulo. Ambos obtiveram individualmente mais de R$ 1 bilhão de recursos do banco apenas entre 2008 e 2010.

O empresário gaúcho Jorge Gerdau é um dos idealizadores do Fórum da Liberdade, que surgiu em 1988 com a intenção de promover o debate entre diversas correntes de pensamento. Em suas primeiras edições, o Fórum incluiu o ex-presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu e o falecido ex-governador Leonel Brizola entre os debatedores, sem prejudicar sua identidade como principal fórum conservador do país.

Rodrigo Constantino autografa livro para fãs durante o Fórum. Foto: Felipe Gaieski

Rodrigo Constantino autografa livro para fãs durante o Fórum. Foto: Felipe Gaieski

Foi ali que, em 2006, foi lançado oficialmente o principal think tank da direita no Brasil, o Instituto Millenium. Armínio Fraga (escolhido para ser ministro da Fazenda de Aécio Neves se ele vencesse as eleições) é sua figura mais conhecida no campo econômico. Seus mantenedores são a Gerdau, a editora Abril e a Pottencial Seguradora, uma das empresas de Salim Mattar, dono da locadora de veículos Localiza. A Suzano, o Bank of America Merrill Lynch e o grupo Évora (dos irmãos Ling) também são parceiros. William Ling participou da fundação do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) em 1984, que, formado por jovens líderes empresariais, organiza o Fórum desde a primeira edição; seu irmão, Wiston Ling, é fundador do Instituto Liberdade do Rio Grande do Sul; o filho, Anthony Ling, é ligado ao grupo Estudantes pela Liberdade, que criou o MBL. O empresário do grupo Ultra, Hélio Beltrão, também está entre os fundadores do Millenium, embora tenha o próprio instituto, o Mises Brasil.

A rede de think tanks liberais e libertaristas no Brasil se completa com mais duas entidades: o Instituto Ordem Livre – que realiza seminários para a juventude – e o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista, do Rio de Janeiro, ligado ao Opus Dei. O jurista Ives Gandra, autor do controverso parecer sobre a existência de base jurídica para o impeachment da presidente Dilma, faz parte de seu conselho.

Leia mais: A direita abraça a rede

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A exemplo do Millenium, a grande maioria desses institutos foi criada recentemente. A semente original foi o Instituto Liberal, criado em 1983 pelo engenheiro civil carioca Donald Stewart Jr., falecido em 1999. De acordo com a tese de doutorado do historiador Pedro Henrique Pedreira Campos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), “A ditadura dos empreiteiros (1964-1985)”, a Ecisa (Engenharia Comércio e Indústria S.A.), empresa de Stewart Jr., foi uma das maiores empreiteiras durante a ditadura militar e Stewart Jr. se associou à construtora norte-americana Leo A. Daly para construir escolas no Nordeste para a Sudene. A participação de companhias dos EUA nas obras era exigência dos financiamentos da Usaid – a agência de desenvolvimento americana que funcionava como braço da CIA durante as ditaduras latino-americanas.

Donald Stewart Jr. também era um velho amigo de um personagem crucial nessa história, o argentino radicado nos Estados Unidos Alejandro Chafuen, 61 anos, ambos membros da seleta Mont Pelèrin Society, fundada pelo próprio Hayek em 1947 na Suíça e sediada nos Estados Unidos, que reúne os mais fiéis libertarians. El Muso, o fundador da universidade onde estudou Gloria Álvarez, foi o primeiro latino-americano a presidir a Mont Pelèrin, e seu atual reitor, Gabriel Calzada, participa da diretoria com a brasileira Margaret Tsé, CEO do Instituto da Liberdade, o suporte ideológico do IEE. O atual presidente da Mont Pelèrin Society é o espanhol Pedro Schwartz Girón, semeador de think tanks vinculados à FAES, a fundação do Partido Popular (PP) presidida por José María Aznar, que promoveu o Parlamento Iberoamericano da Juventude, de onde Gloria Álvarez foi catapultada para a fama. Pedro Schwartz, Alejandro Chafuen e o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza, coautor do livro Manual do perfeito idiota latino-americano, um hit da juventude de direita, participaram do painel “América Latina”, no Fórum da Liberdade. Chafuen também participou discretamente dos protestos de 12 de abril em Porto Alegre. Não resistiu, porém, a postar em seu Facebook uma foto em que aparece vestido com a camisa da CBF abraçado ao jovem cientista político Fábio Ostermann, da coordenação do Movimento Brasil Livre – nome que assumiu nas ruas o grupo Estudantes pela Liberdade (EPL).

Alejandro Chafuen, da Atlas, com Fábio Ostermann do MBL na manifestação em Porto Alegre. Foto: Reprodução/Facebook

Alejandro Chafuen, da Atlas, com Fábio Ostermann do MBL na manifestação em Porto Alegre. Foto: Reprodução/Facebook

O gaúcho Ostermann, o mineiro Juliano Torres e o gaúcho Anthony Ling são fundadores do EPL, a versão local do Students for Liberty, uma organização-chave na articulação entre os think tanks conservadores americanos – especialmente os que se definem como libertários – e a juventude “antipopulista” da América Latina. Mr. Chafuen, presidente da Atlas Network desde 1991, é o seu mentor.

A Atlas Network (nome fantasia da Atlas Economic Research Foundation desde 2013) é uma espécie de metathink tank, especializada em fomentar a criação de outras organizações libertaristas no mundo, com recursos obtidos com fundações parceiras nos Estados Unidos e/ou canalizados dos think tanks empresariais locais para a formação de jovens líderes, principalmente na América Latina e Europa oriental. De acordo com o formulário 990, que todas as organizações filantrópicas tem de entregar ao IRS (Receita nos EUA), a receita da Atlas em 2013 foi de US$ 11,459 milhões. Os recursos destinados para atividades fora dos Estados Unidos foram de US$ 6,1 milhões: dos quais US$ 2,8 milhões para a América Central e US$ 595 mil para a América do Sul.

Com exceção do Instituto Fernando Henrique Cardoso, todas as organizações citadas até agora compõem a rede da Atlas Network no Brasil, incluindo o MCN de Gloria Álvarez, a Universidade Francisco Marroquín e o Estudantes pela Liberdade, uma organização que nasceu dentro da Atlas em 2012. Como veremos, além dos recursos citados há projetos bem mais vultosos financiados por outras fundações e executados pela Atlas.

O discreto charme de Mr. Chafuen

Sentado na sala VIP do Fórum da Liberdade, Mr. Chafuen se levantou de um salto para cumprimentar Kim Kataguiri, que apareceu “de surpresa” no Fórum da Liberdade. A alegria indisfarçável desse senhor recatado, um libertarian ligado ao Opus Dei, foi a deixa para pedir a entrevista. Os trechos principais estão transcritos aqui.

Como o senhor se aproximou do Brasil?
Comecei a trabalhar com os amigos da Liberdade brasileiros em 1998, com Donald Stewart, e eu sempre me lembro da solidão que ele sentia na batalha pela liberdade. Chegar em Porto Alegre no mesmo dia da manifestação e ver todo esse povo, nem todos libertarians, mas pessoas de diversas camadas da sociedade brasileira, reivindicando coisas que são muito consistentes com a essência da sociedade livre, me fez lembrar esses pioneiros. Porque, sim, era tanta gente na rua, tantas almas, que fiquei agradavelmente surpreso me perguntando o que virá depois, como nós podemos usar esse entusiasmo de tantos jovens para produzir uma mudança mais duradoura no Brasil.

E que mudança seria essa?
Vindo de fora é difícil dizer, não é fácil dizer o que fazer, isso é específico de cada país. Veja a Espanha hoje, em que os partidos perderam terreno para os novos movimentos como Podemos, de esquerda, ou seu oposto na Catalunha, o Ciudadanos. Nos Estados Unidos, por exemplo, temos o Tea Party, um movimento espontâneo que, em vez de fundar um partido, preferiu se tornar uma tendência dentro de um partido, e agora todos, com exceção de um dos principais candidatos presidenciais republicanos, se identificam com o Tea Party e buscam apoio no movimento. Rand Paul, Marco Rubio, Ted Cruz, todos vêm do Tea Party e são quase oposição aos republicanos tradicionais. Então, essa não é uma resposta que um estrangeiro possa dar, ainda mais no Brasil, que é um mundo em si mesmo, com tantas culturas diferentes. Nós damos algumas ideias, mas cabe a eles, os que vi na rua, os jovens e os não tão jovens, captar mais gente da sociedade civil para criar essa institucionalização.

Comento com ele que nos eventos do Fórum se fala muito em falta de liberdade – sem base na realidade – e se compara o país com a Venezuela.
Sim, aqui a situação é bem diferente da Venezuela, mas vocês têm que se prevenir. Não é assim, de um dia para outro, que a perda da liberdade acontece. A Venezuela era um dos países mais prósperos e veja o que aconteceu. O populismo na América Latina enfraquece as instituições. Eles deixam os empresários se sentirem livres para investir por algum tempo, deixam a liberdade de expressão, até que mais cedo ou mais tarde viram o jogo. As primeiras nacionalizações e expropriações que o Chávez fez foram vários anos depois de ele tomar o poder. Sim, aqui vocês têm uma liberdade considerável. Mas tem uma coisa que perverte a liberdade, que é o não cumprimento da lei, o privilégio, a corrupção, o capitalismo só para os amigos. É uma falsa liberdade. É como pôr a raposa no galinheiro e dizer às galinhas: vocês estão livres agora. Daí começam os problemas [denúncias de propina], os empresários são obrigados a entrar no jogo, e eles que pagam o pato. É preciso dois para dançar um tango, como se diz na Argentina.

E os meninos do Movimento Brasil Livre têm forças para promover uma mudança social?
Eu desenvolvi um modelo para explicar como as coisas acontecem, e ele tem quatro elementos: primeiro, ideias, já que os seres humanos pensamos antes de agir ou pelo menos deveríamos; segundo, motivação: economia é motivação; o terceiro é ação, porque ideias sem ação são apenas ideias; e o quarto é a Providência ou, dependendo do que você acredita, sorte. Então, você começa a trabalhar com ideias, alguns líderes emergem, as leis mudam e isso afeta a motivação da sociedade… A mudança típica não vem de um dia para outro. Essa pressão vai se acumulando e de repente alguma coisa acontece. E aqui vem um escândalo, outro escândalo, uma revista com coragem, uns jovens de São Paulo [Kim Kataguiri e Renan Haas, do MBL, anunciaram recentemente a decisão de sair da universidade para se dedicar ao movimento] que decidem: “Vou deixar a universidade e lutar contra isso”. E esse movimento está aí nas ruas. É uma combinação de fatores que temos visto em outras épocas na história. O senhor William Waack [jornalista da Rede Globo], que recebeu um prêmio aqui, disse para nós, em um almoço antes da abertura do Fórum, que o único momento que ele viveu que se comparava a isso foi quando cobriu a queda do Muro de Berlim. Exagerou um pouco, mas não se sabe ainda o que vai ser desse movimento.

William Waack recebe o prêmio "Liberdade de Imprensa". Foto: Felipe Gaieski

William Waack recebe o prêmio “Liberdade de Imprensa”. Foto: Felipe Gaieski

Depois da primeira manifestação, em março deste ano, a Atlas publicou uma matéria em seu site comemorando o papel decisivo dos Estudantes pela Liberdade, parceiro da Atlas, nos protestos brasileiros contra a presidente Dilma Rousseff e o PT. O senhor se sente responsável por esse movimento?
Nosso papel [em relação aos Estudantes pela Liberdade] é o do poder da nutrição. Esses seres humanos, nós o chamamos de empreendedores intelectuais, pessoas com novas ideias, que enxergam soluções e decidem investir seu capital nisso. É como nos negócios. Então, damos a eles programas de treinamento, tentamos apoiá-los financeiramente, encorajá-los a ser muito sérios, não muito festeiros. Mas a Atlas não apoia partidos. Nós retiramos nosso apoio se houver intenção partidária. Não aceitamos nenhum recurso do governo, mas podemos oferecer algumas diretrizes, novas ideias sobre a sociedade livre, do liberalismo clássico ao libertarismo, de religiosos a ateus, mas cabe a cada pessoa escolher. Muitos na nossa organização achamos muito negativo ter uma aproximação de cima para baixo. Nós tentamos encorajá-los, facilitar os encontros entre eles. Agora, por exemplo, em todos os lugares do mundo, eles devem estar se perguntando: “Podemos copiar os brasileiros?”. Então comemoramos, mas temos que ser muito cuidadosos para não ficar com os créditos do resultado, do que acontece localmente.

Na Venezuela, o Cedice Libertad, que é uma organização parceira da Atlas, e o Cato Institute, que financia programas da Atlas para estudantes, foram acusados pelo governo Chávez de fomentar a oposição entre os estudantes, associadas a empresários locais.
Eu sou vice-presidente do Cedice, e a verdade é que não. Em algumas vezes, alguns membros do Cedice podem ter tido alguma participação política. Mas uma coisa é a vida política, a pólis, outra coisa é trabalhar somente com um partido político. Hoje em dia, nós temos trabalhado e recebido no Cedice Leopoldo López [que está preso] com seu partido da Internacional Socialista, [ex-deputada] María Corina Machado, Antonio Ledezma [prefeito de Caracas detido em março por tentativa de golpe de Estado, segundo o governo]. A resposta é: não podemos abandonar a luta pela liberdade, e algumas pessoas vão para a política. Mas a Atlas não se mete em política interna. “The battle is not between left and right but between right and wrong.” E agora a senhora me dê licença porque tenho que me preparar para a minha palestra [e se levanta].

Uma última pergunta, por favor, só para não fomentar boatos. A ligação das fundações Koch com o Students for Liberty através de financiamento direto e através de outras fundações associadas aos irmãos Koch tem despertado suspeita, já que os Koch são donos de indústrias petroleiras que poderiam ter interesses aqui.
A Atlas recebe 0,5% de financiamento dos Koch, a Students for Liberty, não sei. Até logo.

Students For Liberty e o Movimento Brasil Livre

Juliano Torres, o diretor executivo do Estudantes pela Liberdade (EPL), foi mais claro sobre a ligação entre o EPL e o Movimento Brasil Livre (MBL), uma marca criada pelo EPL para participar das manifestações de rua sem comprometer as organizações americanas que são impedidas de doar recursos para ativistas políticos pela legislação da receita americana (IRS). “Quando teve os protestos em 2013 pelo Passe Livre, vários membros do Estudantes pela Liberdade queriam participar, só que, como a gente recebe recursos de organizações como a Atlas e a Students for Liberty, por uma questão de imposto de renda lá, eles não podem desenvolver atividades políticas. Então a gente falou: ‘Os membros do EPL podem participar como pessoas físicas, mas não como organização para evitar problemas. Aí a gente resolveu criar uma marca, não era uma organização, era só uma marca para a gente se vender nas manifestações como Movimento Brasil Livre. Então juntou eu, Fábio [Ostermann], juntou o Felipe França, que é de Recife e São Paulo, mais umas quatro, cinco pessoas, criamos o logo, a campanha de Facebook. E aí acabaram as manifestações, acabou o projeto. E a gente estava procurando alguém para assumir, já tinha mais de 10 mil likes na página, panfletos. E aí a gente encontrou o Kim [Kataguiri] e o Renan [Haas], que afinal deram uma guinada incrível no movimento com as passeatas contra a Dilma e coisas do tipo. Inclusive, o Kim é membro da EPL, então ele foi treinado pela EPL também. E boa parte dos organizadores locais são membros do EPL. Eles atuam como integrantes do Movimento Brasil Livre, mas foram treinados pela gente, em cursos de liderança. O Kim, inclusive, vai participar agora de um torneio de pôquer filantrópico que o Students For Liberty organiza em Nova York para arrecadar recursos. Ele vai ser um palestrante. E também na conferência internacional em fevereiro, ele vai ser palestrante”, disse em entrevista por telefone na sexta-feira passada.

Remunerado por seu cargo na EPL, Juliano conta que tem duas reuniões online por semana com a sede americana e que ele e outros brasileiros participam anualmente de uma conferência internacional, com as despesas pagas, e de um encontro de lideranças em Washington. O budget do Estudantes pela Liberdade no Brasil deve alcançar R$ 300 mil este ano. “No primeiro ano, a gente teve mais ou menos R$ 8 mil, o segundo foi para R$ 20 e poucos mil, de 2014 para 2015 cresceu bastante. A gente recebe de outras organizações externas também, como a Atlas. A Atlas, junto com a Students for Liberty, são nossos principais doadores. No Brasil, as principais organizações doadoras são a Friederich Naumann, que é uma organização alemã, que não são autorizados a doar dinheiro, mas pagam despesas para a gente. Então houve um encontro no Sul e no Sudeste, em Porto Alegre e Belo Horizonte. Eles alugaram o hotel, a hospedagem, pagaram a sala do evento, o almoço e o jantar. E tem alguns doadores individuais que fazem doação para a gente.”

A fundação da EPL no Brasil veio depois de Juliano ter participado de um seminário de verão para trinta estudantes patrocinado pela Atlas em Petrópolis, em 2012. “Ali mesmo a gente fez um rascunho, um planejamento e daí, depois, a gente entrou em contato com a Students for Liberty para oficialmente fazer parte da rede”, diz.

Depois disso, ele passou por quase todo tipo de treinamento na Atlas. “Tem um que eles chamam de MBA, tem um treinamento em Nova York também, treinamentos online. A gente recomenda para todas as pessoas que trabalham em posições de mais responsabilidade que passem pelos treinamentos da Atlas também.”

Os resultados obtidos pelos brasileiros têm impressionado a sede nos Estados Unidos. “Em 2004, 2005 tinha uma dez pessoas no Brasil que se identificavam com o movimento libertário. Hoje, dentro da rede global do Students for Liberty, os resultados que a gente tem são muito bons. Uma das maneiras de medir o desempenho das regiões é o número de coordenadores locais. Em todas as regiões, contando a América do Norte, a África, a Europa, a gente tem mais coordenadores que qualquer região separadamente. Nos Estados Unidos, a organização existe há oito anos; na Europa, há quatro; aqui, há três anos. Então, a gente está tendo mais resultado em muito pouco tempo que acaba traduzindo em maior influência na organização.”

Há dois brasileiros no International Board do Students for Liberty (entre dez membros), e o relatório deste ano dedica uma página especialmente às manifestações do MBL no Brasil. A brasileira Elisa Martins, formada em Economia na Universidade de Santa Maria (RS), é a responsável pelos programas internacionais de bolsas de estudo e treinamento de lideranças jovens na Atlas Network.

Os programas são realizados em parceria com outras fundações, principalmente o Cato Institute, a Charles G. Koch Charitable Foundation e o Institute of Human Studies – fundações ligadas à família Koch, uma das mais ricas do mundo. Juntas, as 11 fundações dos Koch despejaram 800 milhões de dólares nas duas últimas décadas na rede americana de fundações conservadoras. Outra parceira importante é a John Templeton Foundation, de outro bilionário americano. Essas fundações têm orçamentos bem maiores do que a Atlas e desenvolvem programas de fellowships em que entram com recursos e a Atlas, com a execução. Um exemplo desses projetos é o financiamento da expansão da Rede Students for Liberty com recursos da John Templeton, fechado em 2014 com mais de US$ 1 milhão de orçamento.

Infográfico: Marcelo Grava

Infográfico: Marcelo Grava

Por isso, embora apareça em terceiro lugar entre as financiadoras do Students for Liberty, a Atlas levanta um volume bem maior de recursos para a organização através de suas parceiras. Todos os maiores doadores do Students for Liberty também são doadores da Atlas. Nem sempre é possível saber a origem do dinheiro, apesar da obrigação legal de publicar os formulários 990 – entregues ao IRS (Receita). As fundações conservadoras americanas escoam dinheiro por uma grande multiplicidade de canais, o que torna impossível, ao final, saber qual a origem inicial do dinheiro que chega a cada um dos receptores.

Além disso, preocupadas com a vigilância que exercem sobre elas projetos como o Transparency Conservative e órgãos de imprensa, que já revelaram uma série de escândalos envolvendo o uso desses recursos para lobbies no Congresso e nos governos estaduais, bem como para causas controversas como a negação do aquecimento global, em 1999 as fundações criaram dois fundos de investimento filantrópico – Donors Trust e Donors Capital Management – que dispensam os doadores de ter o nome exposto em formulários 990. O Donors Trust é o maior doador do Donors Capital Management (e vice-versa). Como se vê no quadro, o primeiro está entre os maiores doadores da Atlas, e o segundo é o maior doador do Students for Liberty. As fundações Koch são as maiores suspeitas de despejar dinheiro nesses fundos.

O relatório 2014-2015 da Students for Liberty mostra uma arrecadação de fundos impressionante: US$ 3,1 milhões comparados a apenas US$ 35,768 mil dólares obtidos em 2008, quando a organização foi fundada. Desses, US$ 1,7 milhão veio de fundações, segundo o relatório que não detalha o volume doado por cada instituição. O Charles Koch Institute consta no relatório da Students for Liberty, mas, segundo o formulário, doa bolsas apenas para estudantes americanos, enquanto a Charles Koch Foundation, que doa bolsas para estudantes em uma série de fundações, não é citada no relatório.  O Institute of Human Studies (IHS) – outra fundação da família Koch – é um dos principais responsáveis pelos programas de Fellowship para estudantes. Só em 2012 foram distribuídos 900 mil dólares em doações de acordo com o formulário entregue ao IRS.

A Atlas é uma das principais parceiras do IHS. O currículo de Fábio Ostermann, por exemplo, coordenador do MBL, diz que ele foi Koch Summer Fellow na Atlas Economic Research Foundation. Ostermann é assessor do deputado Marcel van Hattem (PP-RS), apontado por Kim Kataguiri como o único político a abraçar totalmente as convicções do MBL. O jovem deputado, que foi eleito com doações da Gerdau e do grupo Évora – do pai de Anthony Ling, fundador do EPL –, também participou de cursos na Acton Institute University, a mais religiosa das fundações libertaristas que compõem a rede de fellowship da Atlas e da Koch Foundation. Entre os seus princípios consta o “pecado”, por exemplo, relacionado de maneira singular com a necessidade de reduzir o Estado.

A festa do mate

O Fórum da Liberdade, afinal, se encerrou como as manifestações de rua que o antecederam: aos gritos de “Fora Dilma”, “Fora PT”. O deputado Marcel van Hattem fez uma apresentação exaltada, depois de ter agradecido ao fórum o cargo – “Se eu sou deputado hoje, devo também ao Fórum da Liberdade” – e fez uma interessante distinção entre as manifestações de 2013 – pluripartidária e desorganizada – e as deste ano – “quando tínhamos pauta”.

Marcel Van Hattem, deputado do PP-RS, apresenta sua teoria sobre o governo brasileiro. Foto: Fernando Conrado

Marcel Van Hattem, deputado do PP-RS, apresenta sua teoria sobre o governo brasileiro. Foto: Fernando Conrado

O programa foi modificado com a chegada de Kim Kataguiri, que não constava como palestrante. Foi abraçado pelos patrocinadores, como Jorge Gerdau e Hélio Beltrão, posou para fotos com diversos fãs e, com o amigo Bene Barbosa, que lançava um livro pela liberação das armas de fogo para qualquer cidadão, foi para o auditório, novamente lotado de estudantes.

Sentadinho no sofá, Kim esperou Van Hattem desfiar as acusações de praxe – contra o Foro de São Paulo, o poder totalitário do PT e “o maior escândalo de corrupção do universo” –, arrancando aplausos a cada frase de efeito. Também despertou entusiasmo mostrando sua identificação com a plateia: “A vanguarda, hoje, não é esquerdista, é liberal. O jovem bem informado vai para as ruas e pede menos Marx, mais Mises. Curte Hayek, não Lênin. Levanta cartazes hashtag ‘Olavo tem razão’”.

Então, Van Hattem saiu do púlpito e, caminhando pelo palco, foi em direção a Kim. “O próximo passo depende de vocês, mas é difícil. O sistema brasileiro é refratário a novas ideias. Hoje mesmo, Kim, o deputado comunista Juliano Roso te chamou de fascista”, disse. E por fim: “Eu só quero concluir dizendo aquilo que as ruas estão dizendo: ‘Fora PT’. Aplausos, gritos. A plateia canta em coro: “Olê, olê, olê, olê, estamos na rua só pra derrubar o PT”.

Foi a deixa para a entrada de Kim. De tênis, andando pelo palco, Kim conclamou “os institutos liberais “a sair da nossa bolha liberal, da nossa bolha libertária, da nossa bolha conservadora e tomar o país.” E afirmou: “Chegou a hora da gente tirar o monopólio da esquerda da juventude. A gente tem que acabar com essa imagem de que quem defende o livre mercado é aquele tiozão de coturno que defende o regime militar. A oposição é a gente. A gente quer privatizar a Petrobras. A gente quer o Estado mínimo. Brasília não vai pautar o povo. É o povo que vai pautar Brasília”.

O "herói" do Fórum , Kim Kataguiri, encontra o patrocinador da festa, Jorge Gerdau. Foto: Fernando Conrado

O “herói” do Fórum , Kim Kataguiri, encontra o patrocinador da festa, Jorge Gerdau. Foto: Fernando Conrado

Três dias depois do Fórum, Kim Kataguiri partia para sua Marcha pela Liberdade em direção a Brasília, com minguada adesão, enquanto Gloria Álvarez  empreendia um périplo que a levaria da Argentina a Venezuela noticiado efusivamente em suas redes sociais. Na Argentina, passou por Buenos Aires e pela cidade de Azul, convidada pela Sociedade Rural de Argentina. Em Tucumán, suas palestras na Universidade Nacional foram organizadas pela Fundación Federalismo y Libertad, que tem em seu conselho internacional a Atlas Foundation, a Heritage Foundation, Cato Institute, o Hispanic American Center for Economic Research, o CEDICE Libertad (Venezuela) e o Instituto Ecuatoriano de Economía Política (Equador).

Todas essas organizações fazem parte da Atlas Network, assim como as outras fundações que encomendaram o passeio de Glorita: Estudiantes pela Libertad (Bolívia e do Equador), o Cedice, na Venezuela, e a Fundación Para El Progresso, no Chile.

O episódio mais interessante de sua viagem, porém, não foi registrado em suas redes sociais, nem mesmo nos jornais do Chile. No dia 23 de abril, ela e a blogueira cubana Yaoni Sanchez, encontraram-se com o ex-presidente conservador Sebastián Piñera depois de terem realizado palestras na Universidade Adolfo Ibañez em Viña del Mar.

À esquerda, a blogueira cubana, Yaoni Sanchez; ao centro o ex-presidente do Chile Sebastián Piñera, à direita Gloria Alvarez. Foto: Reprodução/Twitter

À esquerda, a blogueira cubana, Yaoni Sanchez; ao centro o ex-presidente do Chile Sebastián Piñera, à direita Gloria Alvarez. Foto: Reprodução/Twitter

O encontro com o ex-presidente – que também é a única foto em que aparecem juntas – foi noticiado pelo twitter do economista Cristián Larroulet, ex-ministro de Piñera com a legenda “O Presidente Piñera com Yoani Sánchez e Gloria Álvarez, dois exemplos de mulheres latino-americanas que lutam pela liberdade”. Larroulet,  é fundador do think tank Libertad y Desarrollo, obviamente parceiro da Atlas Network.

Leia mais: A direita abraça a rede

Leia também: Três perguntas sobre a direita

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Comentários

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  • Andre Carneiro Santiago

    Gostei da reportagem, parabens. Achei bem imparcial, vai explicou bem para quem nao conhece o que e esse mundo.
    Como vc foi compartilhada pelos liberais, acho que vai ficar um pouco surpresa com o numero de comentarios dos proprios, tlv nao, eu nao ficaria.
    So queria dizer uma coisinha. Nao sou de direita, nao sou de esquerta. Sou pela liberdade. Como muito bem disse a Gloria, a esquerda e a favor de regular a economia, a direita de regular a moral. Eu sou a favor do Paul: live and let die. So nao pode matar, nem roubar.

    • Sérgio Dória Partamian

      Gostei da matéria, Sinceramente prefiro a “direita” que expõe com clareza suas idéias ao invés de apenas destilar o ódio (de forte caráter emocional) que em nada contribui para o debate e o esclarecimento de suas propostas ao conjunto da sociedade.

    • Orlando

      Sinto dizer, mas então você é um liberal que defende o princípio da não agressão. Ou seja, é o que a esquerda abomina e colocado por eles junto com os conservadores.

    • endrewerac

      Essa reportagem foi qualquer coisa, menos imparcial.

    • jeffersonp

      Oi, André.
      Por muito tempo pensei como você, e então descobri o Liberalismo. É simplesmente fantástico ver esse modo de pensar colocado em teorias econômicas, políticas, sociais. Caso você tenha interesse, recomendo que participe do grupo homônimo no Facebook, e recomendo leituras nos sites Spotniks e MercadoPopular. Um abraço!

  • Jota Queiroz

    A reportagem é patética todas as fontes citadas não são primárias e simplesmente opinativas. Não há nenhuma credibilidade.
    Acusar os outros de serem financiados por think taks tendo por trás a Fundação Ford e o George Soros é no mínimo uma canalhice.

    • Gabriel Braga

      Meu caro o próprio Juliano do EPL admite que recebe financiamento externo e o Chafuen da Atlas confirma isso e diz também que a própria Atlas recebe dinheiro dos irmãos Koch.

      Canalhice é a direita,ou pelo menos parte dela,falar em Foro de São Paulo e ser ligada a institutos estrangeiros.

      • Alexandre Moura

        a direita não acusa de nada.
        está nas atas do foro de são paulo.
        basta le-las.

        • Gabriel Braga

          Pois é,mas além de ser ridícula a idéia de que um partido que implanta um programa econômico semelhante ao do PSDB possa ser identificado com o comunismo,a matéria acima nos mostra que a direita também tem vínculos com organizações estrangeiras.

          • Thales Oak Carvalho

            Com uma grande, ENORME diferença: partidos políticos não podem ter NENHUM vínculo com organizações estrangeiras, segundo a lei de partidos.

          • leonardopires

            Pode ter vínculos… não pode ser SUBORDINADO. O Democratas é membro da Internacional Liberal e da Internacional de Democracia de Centro (sim, isso existe). O PDT é da Internacional Socialista e do Foro de São Paulo, o PSB também. O PT não faz parte da Internacional Socialista, mas indica o secretário geral do Foro.

            Eu, mesmo sendo liberal, não vejo motivo para extinção do PT por este motivo. Na realidade, me parece que o Foro está subordinado ao PT e não o contrário.

        • Bruno Villela

          meu querido, para pessoas como você até mesmo o artigo terceiro da constituição federal brasileira é visto como idealização marxista. Vocês enxergam cabelo em ovo.

    • Erick Chaves Barreto

      Não vejo todo esse problema com fontes não primárias já que portais de notícias replicam notícias de fontes não primárias com frequência. Quanto as questões opinativas, devemos nos ater ao fato de que o que se lê aqui não é acadêmico e sim uma reportagem. Não existe imparcialidade, até mesmo em trabalhos acadêmicos, e muito menos em reportagens, notícias etc. No entanto eu também concordo com seu ponto, e seria cuidadoso o suficiente para questionar e duvidar do conteúdo, sem aceita-lo sumariamente, assim como o faria em qualquer circunstancia.

    • Philipe Matieli

      quais seriam as fontes primárias? seu comentário é não opinativo? como seria possível a reportagem ter credibilidade? e por último, onde no texto há acusações ou faz méritos sobre os financiamentos e doações dos think tanks?

    • O Genovês de Férias

      Caro Jota Queiroz, qual é o problema em ter financiamento privado por trás? Acusar e explicar são distintos. Não o conheço, mas se te identificas com alguma posição liberal, por que te incomodas com isso? Não é parte do jogo?

      • leonardopires

        Não tem problema nenhum. E é sim parte do jogo.

    • Leo

      E a autora? Eleitora e torcedora da Dilma. Como um jornalista pode ser imparcial quando tem uma ideologia? A única ideologia de um jornalista deve ser o jornalismo. O resto é ativismo.

    • Flávio Prieto

      Vai pra Miami! kkkk

  • Fernando Conrado

    “Agência de Reportagem” roubando fotos. Muitas das imagens nessa reportagem são de minha propriedade e vocês não estão autorizados a publicá-las. Por gentileza, as retirem. Ou me informem o endereço para que eu envie o doc com os valores da licença. Saudações.

    • Agência Pública

      Olá Fernando, tudo bem? As fotos foram fornecidas para a reportagem como fotos de divulgação pela Enfato, que organizou a comunicação do evento.

      • Jota Queiroz

        Socialista sempre mostrando seu caráter. Você deveria processar essa merda. Dinheiro não falta é só pedir pro Soros ou pro Ford.

        • Carlos A. B. S.

          Reaças sempre mostrando seu mimimimimimim

          • Alexandre Moura

            esclarecer a verdade sobre notícias falsas publicadas contra um grupo do qual você faz parte é “mimimi”.
            a mentalidade esquerdista é pútrida num nível que dá pena.

          • Carlos A. B. S.

            Esclareceu aonde mimizento? Cadê as fontes dele? O que dá pena é essa sua arrogância infantil

          • Alexandre Moura

            ….. do que você está falando ?
            ele disse claramente “não há fonte primária” – mostre qualquer fonte primária na matéria . não tem.
            e com exceção de algumas colocações, elas sequer existem.
            como vai mostrar fonte de algo que não existe ?

        • O Genovês de Férias

          Caro Jota, por que a Ford financiaria um veículo “socialista”? Menos binaridade. Procure o conceito de utilitarismo.

      • Alexandre Moura

        tem como pelo menos tirar as “lantejoulas” da camiseta da Glória ?
        aquilo é só a estampa, não tem lantejoulas.

        • O Genovês de Férias

          Perder-se-ia parte do sarcasmo. Mas, em certa medida, tens razão: forçar o tom é contrassarcástico.

  • parabens à Agência Pública. Me sinto orgulhoso de ter colaborado para viabilizar a reportagem

  • Jota Queiroz

    Como não? A matéria inteira é sobre isso. Não faço parte de nenhum grupo e a mim pouco importa quem os financia, esquerda ou direita, contanto é óbvio que não seja dinheiro público. E aqui entra o problema do PT e o Foro de São Paulo. Eles não se financiam em entidades privadas ou doações voluntárias, se financiam em ditaduras como a Venezuela e governos corruptos como o Brasil. Para é óbvio, com dinheiro sujo implantar o comunismo, o bolivarianismo, o socialismo do século XXI; uma praga que só leva pobreza, autoritarismo e escassez onde quer que seja implantado. Matéria canalha.

    • endrewerac

      A propaganda da esquerda é tão forte, que até eu, Ancap, tenho receio de usar as palavras Bolivarianismo e comunismo quando me refiro ao PT.

    • leonardopires

      A canalhice está nos adjetivos. As informações não tem nada demais.

  • Trust

    Publica, “agência de reportagem e jornalismo investigativo”. Não é essa porcaria que é financiada pela Fundação Ford? Vão à merda!

  • Guilherme Moretzsohn

    HAHAHAHAHAHAHAH…… ai meu pai. Voces foram ao Forum e não entenderam nada?!?!?!?!?!

  • Fernando L.

    Quem dera fosse verdade… Seria ótimo!

  • John Cook

    Excelente que as pessoas descubram quem financia o quê, mas sem a comparação com o financiamento da esquerda isto é apenas metade da história.

    David Horowitz no livro The New Leviathan fez a comparação da rede de financiamento da esquerda versus direita:

    Verba da esquerda: 104.6 bilhões de dólares
    Verba da direita: 10.3 bilhões de dólares

    A verba da esquerda é DEZ vezes maior que a verba da direita, por isso tanta propaganda esquerdista e tão pouca direitista.

    E por isso mesmo a esquerda precisa criar essa narrativa de uma direita rica financiada por poderosos: acusa-os do que ela é, para esconder quem ela é e o quê a mantém viva.

    Horowitz destaca que as fundações que hoje financiam a esquerda foram fundadas por capitalistas desejosos de caridade ou defesa da liberdade e do livre-mercado, como a fundação Pew; mas a partir dos anos 40 em diante, seguindo a estratégia de Antônio Gramsci, a esquerda se infiltrou nessas entidades, aproveitando a sua estrutura aberta e democrática, discretamente redirecionando as verbas para os projetos comunistas.

    Parabéns à agência apublica por colocar tema de tamanha relevância em discussão. A cada um que disser que leu essa reportagem eu enviarei um resumo do livro de Horowitz traduzido para o Português que prepararei desde já para que os dois lados da história sejam expostos e não apenas um.

  • Thales Oak Carvalho

    E vocês são financiados pela FUNDAÇÃO FORD e pela OPEN SOCIETY, e daí?

    • O Genovês de Férias

      Camarada, não há problema algum. É saudável sabermos quem financia quem por uma questão de esclarecimento. Seria ingenuidade não se preocupar com essa parte.

      • Thales Oak Carvalho

        Se não há problema algum, como você diz, por que é que expuseram o fato como se fosse o maior escândalo de todos os tempos?

        • Jirombo

          Ninguém expôs como escândalo.
          O que ninguém entende é a negativa do MBL dizer que é um movimento patrocinado por Think Tanks.
          Segundo eles o dinheiro da organização vem apenas de contribuições de pessoas físicas e isso é mentira.

          • Thales Oak Carvalho

            Deixa eu ver… Vamos analisar o título da reportagem?
            “A nova roupa da direita”
            Hum… Não diz muita coisa… Que tal o subtítulo?
            “Rede de think tanks conservadores dos EUA financia jovens latino-americanos para combater governos de esquerda da Venezuela ao Brasil e defender velhas bandeiras com um nova linguagem”
            Realmente… o mote da reportagem é realmente o fato dos movimentos não admitirem que são ligados a organismos internacionais. #sqn

  • Pedro

    Acho equivocada a exaltação desse núcleo de jovens como a “nova direita” do Brasil. Na minha opinião, dentro do debate político sobre a influencia do poder público na economia e nos serviços e instituições públicas, o EPL ocupa um lugar equivalente ao dos criacionistas no debate científico sobre as origens da vida. É evidente, pelas pautas e ideias do grupo, que sua base intelectual não tem respaldo na história e na realidade econômica do Brasil, sem contribuir em nada para a discussão do futuro econômico (liberal ou intervencionista) do Brasil.
    Se esse grupo representa uma parcela da população, não é aquela devota à discussão e construção política (liberais também discutem sim!), mas sim um espectro da ignorância dialética e violência discursiva que já assolou o país.
    Rejeito a tese, por parte da jornalista Marina Amaral, que isso apresentado é relevante na discussão política no Brasil

  • Rodrigo Nunes Bandarra

    Materiazinha de 5ª…. Opinião prá lá de viciada de quem tem rabo preso com ideias velhas, mofadas e completamente falidas…

    • Eddie

      Rabo preso só com as ideias…?
      ¬¬

  • paulo costa

    A nova roupa da esquerda

    Lula diz que o PT precisa de uma “Nova Utopia”… ? Que tal começar pela velha e boa honestidade, ética, transparência, justiça, altruísmo… vergonha na cara etc. Como dizia meu pai – “É impossível construir um prédio com tijolo podre”

  • Guile Power

    Eles não são de direita, e sim liberais, alguns deles bem esquerdistas nas libertinagens.

  • Marcus Padraic Dunne

    Sintomático que uma das estrelas seja guatemalteca. É o mundo melhor dos liberotários. A Guatemala é o quarto maior exportador de açúcar do mundo, para benefício de uma ínfima elite, enquanto a população miserável não tem acesso a nada, e morre fugindo para o centro do capital. É gente que acredita que a Cuba dos gângsteres, bohíos, puteiros e analfabetos era próspera e livre.

    • Ruben’S.

      E depois com a família Castro ficou melhor, não é mesmo?

      • Marcus Padraic Dunne

        Melhor do que toda a América Latina nos índices que considero mais importantes, sem dúvida. Claro que se 1% da população de jaguar e 50% analfabetos e nas favelas é o seu ideal, pode ficar com a Guatemala mesmo. O mais interessante de Cuba é a população ter sido armada para defender o país dos terroristas gusanos – vermes, como chamam lá os que fugiram para Miami – financiados pela CIA. Falta, agora, os EUA suspenderem o embargo. E que o avanço econômico não signifique um retrocesso social que torne o país comparável à Guatemala…

        • Ruben’S.

          Imagino que você não deva ser uma pessoa leiga, logo, um dos índices que você deve considerar importante, é o de qualidade de vida e de liberdade (econômica, política e afins). Você quer mesmo me dizer que uma população em que as crianças e as mulheres tem que se prostituir pra comprar sabão, é uma sociedade “melhor do que toda a América Latina nos índices”? E não venha falar em ‘educação’ porque lá o aprendizado é um culto ao Estado ditatorial cubano — isso não é educação, isso é programação, doutrinação. E saúde… Bem, vejamos, há várias pessoas se ferrando aqui no Brasil com médicos cubanos (casos que conheço pessoalmente).

          Mas se isso não lhe diz nada, diga-me: por que diabos um médico cubano que está aqui no Brasil não pode trazer a família? Ou então, por quê eles não podem sair fora daquele pa.. ops, ditadura?

          (A América já retirou o embargo.)

          A verdade é dura: Cuba é uma ditadura e ninguém que vive lá gosta de estar lá — exceto a família Castro —, e na primeira oportunidade, dá no pé pra chegar nas praias de Miami.

          Você pode acreditar no Comunismo, ser “de esquerda” e ver benefícios no Socialismo, mas não precisa defender ditaduras pra isso, Marcus.

          Até mais.

          • Marcus Padraic Dunne

            O embargo foi suspenso? Quando?? E Cuba voltou a ser o prostíbulo que era nas mãos de títeres yankees e mafiosos? Ou é preciso que ela seja o paraíso na terra?
            Não estou convencido de que votar em quem vai receber propinas para defender os interesses das grandes corporações seja superior a um partido único ramificado por toda a população. Por fim, que ensino não é doutrinário? Em que o analfabetismo guatemalteco, para ficar em um dos mais liberais países da América, com seus 11% de arrecadação, é superior a ualquerq

  • Ola, Quando terminei de ler o artigo da Natalia,resolvi percorrer o que havia de comentário. E o marcante foi a agressividade. Ninguém notou como ela foi incrível ao descrever o assunto? Achei o artigo genial e as conclusões sobre o tema cada um com a sua certo?

    • Luiz Nazario

      Ela foi tendenciosa e mentirosa. Liberalismo não é Conservadorismo, é Liberalismo. A esquerda precisa mentir e distorcer os conceitos para defender suas posições, cada vez mais indefensáveis? Que vergonha.

      • SIM, eles tem.
        Já não há como defender essa utopia no mundo atual, então eles tem que colocar tudo que não seja eles no mesmo balaio(ao mesmo tempo em que se referem a seus adversários como se fossem vilões malignos de desenho animado)

  • Yasmino Jacanq

    A justificativa de um grande número de liberais deste país que luta por ganhar dinheiro como se fosse proibido é dizer que aqueles que lutam pelos direitos dos outros na verdade quer é oprimí-los, quando na verdade todo homem (e reivindicam um conhecimento dogmático da essência do homem) é um cruel utilitarista mesquinho e egoísta.
    Assim, ele acredita que há uma reversão que leva todo aquele que defende o direito seu e dos outros, que ele enquadra num único perfil como um inimigo atroz, em geral identificando fascismo e comunismo, que no final acabaria por tirar o direito dos outros. E tira seu conhecimento do comunismo de estado lido pelos conservadores que justificam todos os expedientes imperialistas do século e economistas que participaram de ditaduras.
    E pelo contrário, todo aquele que luta por si mesmo contra todos, exceto de todos os que usem a força para explorar, reprimir e reduzir direitos dos outros do modo mais cruel e mesquinho garantindo o lucro irrestrito de grandes conglomerados empresariais como um tipo de herói da liberdade que no final produziria um bem para todos. E em geral, tira isso do nariz e de postulados que seguem uma fila de autoridade até nomes como Hayek, von Misses e outros sem ser necessária qualquer demonstração senão de que o mercado mediado por gigantescos conglomerados é igual a liberdade e funcionasse como se fosse uma disputa entre livres empreendedores a partir de um modelo de quitanda do bairro como no século XIX.
    O mais curioso é que funciona e mobiliza o imaginário de muitas pessoas e não apenas as diretamente pagas para militar por isso como as citadas na matéria.

  • Le Zuero

    Gerdau não era aquele senhor que fez parte do conselho da petrobras, que pega dinheiro do BNDES? A ipiranga é do grupo Odebrecht, mui amiga do PT. Se isso é a direita estamos ralados. O artigo é mais do mesmo, a esquerda é sempre a portadora da justiça e a direita os malvadões, e claro, se existe direita ou qualquer coisa que se oponha a esquerda, certamente deve ser financiado pelos EUA, faltou mencionar a CIA para ficar um legítimo artigo militante.

  • Ruben’S.

    Pô cara, se tudo isso for realmente-de-fato-ipsis-litteris-totalmente-verdade-das-verdades-nesse-universo, uma coisa: CONTINUEM EPL, MBL E TODOS OS QUE ESTÃO UNIDOS PELA LIBERDADE!

    É assim que tem que ser. Ao contrário de outras correntes ideológicas nesse nosso belo Brasil, defensores de causas nobres (a liberdade é uma causa nobre, inegavelmente) como essa galera, utilizam dinheiro PRIVADO, e não dinheiro PÚBLICO (que é parte do *suor dos brasileiros*).

  • Ruben’S.

    Não criticando o fato de receber doações, mas só pra constar, A Pública recebe doações da ‘Ford Foundation’ e da ‘Open Society Foundations’…

  • Falou quem é financiado pela Fundação Ford e Open Society.

  • O pessoal deveria estar preocupado é com a idoneidade das fontes não com o fato de ter que ser “primária”. Aliás tem coisa pior do a matéria da Veja as vésperas da eleição onde a fonte foi pra lá de opinativa?

  • Jota Meerre

    QUERO QUE A ESQUERDA VÁ PRA PUTA KÉO PARIU.

  • tvranivs nostratorvm

    So kosher filho de papai alogeno controladinho da cia pra manter o regime beduino ocoide

  • Leo Grisi

    Ela devia um artigo sobre o financiamento de organizações esquerdistas. Ia ver que os valores angariados por grupos de direita são trocado perto do que a esquerda recebe. Poderia falar, por exemplo, do dinheiro grosso que certos jornalistas vermelhos recebem para fazer blogues chapa-branca como esse aqui. Claro, se ela apresentasse uma reportagem séria nesse sentido esse site vetaria a materia na mesma hora e ela perderia o emprego.

  • marcosomag .

    Apenas pelo fato de ser uma estrangeira falando no Brasil sobre a política brasileira já é suficiente para que seja expulsa. Ela e o verme argentino que organizou esta palhaçada! Ainda bem que da Argentina vieram Mercedez Sosa, Maradona e Jorge Luís Borges para compensar a existência deste egoísta!

  • marcosomag .

    Surpreendente também é a indigência intelectual dos “universitários” da chamada “nova direita”. Brandirem Hayek, Mises e, pasmem, o astrólogo que chamam de “Olavão” como gurus (ainda mais, depois da Crise Estrutural do Capitalismo que estourou em 2008 e fica pior a cada dia) é dose! Não disfarçam com os suas caras de moleques “nerds” a sua verdadeira face: a velha face da direita truculenta.

    • jeffersonp

      Oi, Marcos.
      Participo pouquíssimo de grupos conservadores, até porque não me identifico, mas nunca os vi citar Hayek ou Mises.
      Na verdade, nos grupos que participo, todos liberais, citamos bastante Hayek, Mises, Friedman, Robert Lucas, George Sitgler, e alguns até mesmo Rothbard. São autores fantásticos. Já “Olavão” é um conservador que praticamente todo liberal acha repulsivo, e sempre que é citado, é rechaçado.
      Espero ter esclarecido algo. Um abraço!

  • marcosomag .

    Sobre o financiamento destes debilóides: grandes intelectuais como James Petras, Michel Chossudovsky e o brasileiro Luiz Alberto Moniz Bandeira detalham o organograma e modo de operação das muitas “agências” estadunidenses de “defesa da liberdade” no financiamento destes escravocratas do povo trabalhador pelo mundo. As empresas e ONGs são só “fachada”. O dinheiro vem mesmo do governo estadunidenses de agências como o NED (New Endowment for Democracy) e outras.

  • Jadson Barros Campelo

    Eu sabia através de outra fonte que os Irmãos Koch estava financiando faculdades sobre poluição, e os cursos de economia. Para formar conhecimentos que favorece seus interesses. Formar mentes que vão defenter até de forma involuntaria o seus interesses.

  • Paulo Medina

    Melhor do que ser financiado com o dinheiro da Petrobras, BNDS, mensalão e por aí vai.

  • Luiz Nazario

    Liberalismo não é Conservadorismo, é Liberalismo. A esquerda precisa mentir e distorcer os conceitos para defender suas posições, cada vez mais indefensáveis? Que vergonha.

  • Leo

    Marina Amaral não é a filha do secretário de comunicaçao do PT?

  • João Coimbra

    Os ricos sempre encontram mau caráter preguiçosos que preferem uma saída fácil, e pelo fato de se acomodarem mostram que não tem capacidade de fazer nada por ninguém, nem pelo país, nem por um irmão, um filho, pelos pais, ninguém, preferem se vender e o resto que se dane. O que faz um país um lugar melhor para se viver? Não é se vendendo e repetindo ideias que escondem interesses comerciais. O desejo de melhorar o país não pode ficar dependente da vontade das classes dominantes estrangeiras que só querem nos manter domesticados.

  • Tuiuan Veloso

    É incrível que toda vez que leio comentários de quem transita nos extremos do espectro esquerda/direita vejo uma tendência absurda a ter uma repulsa por tudo que não é declaradamente ao seu favor, o famoso “my way or highway”. Se sai uma matéria com um tom levemente crítico, mas muito bem feita, é “patética”, “ridícula”, “comuna do foro de são paulo”, etc. Além de uma tendência perigosa de querer fechar um pacote ideológico e taxar as pessoas apenas com base se elas se encaixam ou não dentro daquele pacote fechado. Famoso mundo em preto/branco.

  • Valéria Bezerra

    Apologia ao individualismo. Velho liberalismo excludente formando jovens seguidores. Tio Sam e o capital arcaico brasileiro fazendo mais do mesmo.
    Olhando o Congresso Brasileiro vemos o que resulta disso.

  • Flávio Prieto

    Se alguma entidade de país socialista fizesse esse tipo de campanha aqui, diriam que o comunismo estava maculando a nossa pátria e as demais babaquices de costume.

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