AGÊNCIA DE REPORTAGEM E JORNALISMO INVESTIGATIVO

Checamos o que o MBL diz sobre regime semiaberto

Kim Kataguiri gravou vídeo feito para defender projeto que tramita na Câmara e acaba com essa forma de progressão de pena

O coordenador do MBL, Kim Kataguiri, defende o fim do regime semiaberto

O coordenador do MBL, Kim Kataguiri, defende o fim do regime semiaberto. Foto: Reprodução

O Movimento Brasil Livre (MBL) iniciou, no dia 19 de junho, uma campanha contra o regime semiaberto no país. Por essa modalidade de progressão da pena, os presos que atendem a algumas condições podem ser autorizados a deixar o regime fechado após um determinado período de tempo. Aqueles que conseguem o benefício conseguem trabalhar durante o dia em estabelecimentos pré-determinados pela Justiça, mas precisam voltar para a prisão todas as noites.

Segundo a organização, as leis brasileiras “punem o trabalhador honesto e beneficiam os bandidos”, uma vez que “o condenado cumpre apenas um sexto da pena e já está livre para voltar a cometer crimes”. O MBL diz ainda que 70% dos presos pela polícia são reincidentes. Nesse contexto, defende o Projeto de Lei (PL) 3.174/2015, em tramitação na Câmara, que acabaria com esse regime. Foi criado inclusive um abaixo-assinado no site Avaaz, que até 27 de junho contava com pouco mais de 10 mil assinaturas.

O Truco – projeto de fact-checking da Agência Pública – verificou quatro frases sobre a campanha contra o regime semiaberto usadas em um vídeo gravado por Kim Kataguiri, coordenador e um dos líderes do MBL. Como parte da nossa metodologia, entramos em contato com a organização para solicitar as fontes dos dados usados. O MBL recusou-se a responder à Agência Pública. Em vez disso, enviou um e-mail e publicou um post com acusações falsas e a imagem de um pênis, acompanhada da frase “Check this!” (Cheque isto!).


“Mais de 100 mil criminosos estão no regime semiaberto.”

VerdadeiroO regime semiaberto no Brasil é regido pela Lei nº 7.210, de 1984, conhecida como Lei de Execução Penal. De acordo com o sistema Geopresídios, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), há hoje 99.427 presos em regime semiaberto no Brasil. O número é de maio de 2017. A base de dados é atualizada mensalmente pelos Tribunais de Justiça.

No vídeo, Kim Kataguiri cita a cifra de 100 mil presos no semiaberto. Apesar de não explicar de onde foi retirada a informação, o número apresentado é muito próximo dos 99.427 registrados pelo CNJ. Por isso, a frase do vídeo do MBL é classificada como verdadeira.

João Daniel Rassi, especialista em direito penal e sócio do escritório Siqueira Castro Advogados, explica que no semiaberto a pena deve ser cumprida em colônia agrícola, industrial ou em estabelecimento similar. “Neste regime, é facultado ao recluso o comparecimento em cursos profissionalizantes, de maneira que o seu recolhimento ocorre no período noturno, em penitenciária”, esclarece.


“Hoje, o criminoso cumpre só um sexto da sua pena e já está praticamente livre para voltar a cometer crimes.”

ExageradoNo vídeo em que defende o fim da progressão de pena, Kim Kataguiri afirma que, no Brasil, após o cumprimento de um sexto da pena, o preso está “praticamente livre”. O porta-voz do MBL refere-se a um dispositivo legal que permite a progressão do regime fechado para o regime semiaberto após a reclusão por um sexto do tempo determinado na sentença. Isso, no entanto, não se aplica a todos os presos: condenados por crimes hediondos ou contra a administração pública devem cumprir outros requisitos antes de pedir a progressão. Além disso, mesmo presos condenados por crimes comuns devem apresentar atestado de bom comportamento para solicitá-la. Por isso, o Truco avaliou a frase como exagerada, já que a afirmação não usa dados certos, mas aponta um conceito verdadeiro ou uma tendência correta.

O artigo 112 da Lei de Execução Penal dispõe sobre a progressão de regimes. O advogado João Daniel Rassi, do Siqueira Castro Advogados, explica que o artigo determina, para presos condenados por crimes comuns, outros requisitos para a progressão de regime além do cumprimento de um sexto (1/6) da pena. “É necessário apresentar uma declaração do diretor do estabelecimento prisional que ateste o bom comportamento carcerário do condenado para que, após manifestação do Ministério Público, possa o juiz decidir pela progressão”, explica o especialista.

Rassi destaca ainda que a regra muda para os condenados por crimes contra a administração pública ou por crimes hediondos. No caso dos crimes contra a administração pública, “a progressão está condicionada à reparação do dano causado ou à devolução do produto do ilícito praticado, de acordo com o artigo 33 do Código Penal”, esclarece. Isto significa que só há possibilidade de progressão para o regime semiaberto após o condenado ter ressarcido os cofres públicos pelo dano causado em seu crime.

Já para crimes hediondos ou equiparados, o que vale é o artigo 2º da Lei n.º 8.072/90. “Também conhecida como Lei de Crimes Hediondos, ela determina que o cumprimento de pena no regime anterior deve ser de dois quintos (2/5) para condenados primários, ou três quintos (3/5) para condenados reincidentes”, afirma Rassi. Vale destacar ainda que, no Brasil, não é permitida a chamada progressão por salto. “Não é possível que o condenado por crime de roubo cumpra dois sextos (2/6) da pena e progrida, de uma única vez, do regime fechado para o aberto”, diz.


“70% dos criminosos que são presos pela polícia são reincidentes, ou seja, na verdade, nunca deveriam ter saído da cadeia.”

ExageradoKim Kataguiri não foi o primeiro a dizer que 70% dos criminosos são reincidentes. A afirmação, que foi classificada como exagerada após análise do Truco, tem sido reproduzida por diferentes personalidades públicas nos últimos anos. Foi dita, por exemplo, pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ Cezar Peluso, em 2011. Dois anos antes, o dado havia sido citado pelo ministro Gilmar Mendes, que presidia o STF e o STJ, e pelo conselheiro do CNJ Nelson Braga. A diferença em relação à frase de Kataguiri está no fato de que apenas o líder do MBL se refere a “presos pela polícia”.

Uma das reportagens de 2009 cita como fonte para o dado os mutirões carcerários realizados pelo CNJ na época. Neles, presídios eram visitados para verificar quais detentos poderiam ter progressão de pena ou serem soltos. O texto cita a realização de mutirões em cinco estados – Amazonas, Maranhão, Pará, Piauí e Rio de Janeiro – e diz que, com base nesse programa, apurou-se uma taxa de reincidência que variava entre 60% e 70%. Não se sabe, entretanto, a metodologia adotada. Além disso, os dados têm no mínimo oito anos, o que os torna defasados para representar a situação atual do sistema no país.

Um relatório de gestão ainda mais antigo, de 2001, elaborado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça, afirma que a reincidência era de 70% em 1º de janeiro de 1998 – ou seja, há 19 anos. Mas o dado inclui nessa contagem os presos provisórios, que ainda não foram julgados e poderiam ser inocentados, comprometendo esse número. Estudos posteriores sobre o assunto chegaram a resultados muito diversos, com taxas bem menores. O levantamento mais recente sobre o tema foi realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2015. O estudo “Reincidência Criminal no Brasil”, feito a pedido do CNJ, calcula a reincidência a partir de pesquisas em alguns estados e usa o conceito descrito no Código Penal para defini-la.

A taxa de reincidência no país, segundo o Ipea, é de 24,4% – o que representa um em cada quatro condenados. O número é bem inferior ao usado por Kataguiri que, por isso, teve a frase classificada como exagerada. “A afirmação de que ‘70% dos criminosos que são presos pela polícia são reincidentes, ou seja, na verdade, ‘nunca deveriam ter saído da cadeia’ não procede. É simplesmente absurda e inócua”, diz o pesquisador Almir de Oliveira Junior. “Nenhuma pesquisa sobre reincidência no Brasil, inclusive a do Ipea, aponta uma taxa de reincidência que ultrapasse 30%. Sobre a reincidência policial, pela lei ninguém deve permanecer na cadeia sem condenação. E não é a polícia que aplica a pena, mas o poder Judiciário”.

“Presos pela polícia”, como diz Kataguiri, não podem entrar na conta. Isso porque essas pessoas ainda não foram condenadas. São todos suspeitos e decisões judiciais posteriores podem considerá-los inocentes. O estudo do Ipea traz uma diferenciação entre os conceitos de reincidência, que muitas vezes são utilizados de forma errada, e escolhe trabalhar apenas com números sobre reincidência legal, tomando como base os artigos 63 e 64 do Código Penal. A lei só considera reincidente quem comete um crime em um prazo menor do que cinco anos entre a extinção ou cumprimento da pena anterior e o trânsito em julgado da nova sentença.


“O projeto foi assinado por deputados como Darcísio Perondi e pelo ex-deputado Nelson Marchesan Júnior e está pronto para ser votado. Só depende do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.”

FalsoNão é verdadeira a afirmação de que o Projeto de Lei (PL) 3.174/2015 está pronto para ser votado se assim decidir o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A definição sobre o que entra na pauta do plenário da Casa é resultado das reuniões de Maia com o Colégio de Líderes. É o que diz a alínea “s” do artigo 17 do Regimento Interno da Casa, que define as atribuições e prerrogativas do presidente: “organizar, ouvido o Colégio de Líderes, a agenda com a previsão das proposições a serem apreciadas no mês subsequente, para distribuição aos deputados”.

Esses encontros ocorrem periodicamente para definir o que será analisado, após serem fechados acordos entre os participantes – na gestão de Maia, as reuniões são semanais. Logo, a inclusão da proposta na pauta depende de uma decisão que envolve vários parlamentares. O presidente não pode desrespeitar esse processo. Segundo o artigo 20 do Regimento Interno, o Colégio de Líderes é formado pelos líderes da Maioria, da Minoria, dos partidos, dos blocos parlamentares e do governo. Todas as deliberações devem ocorrer por consenso. Se isso não for possível, por maioria absoluta – o voto de cada líder tem o peso da bancada representada por ele.

O PL 3.174/2015 encontra-se ainda em uma situação peculiar que dificulta a análise exata do seu conteúdo, embora em tese o projeto possa ser votado pelo plenário se o Colégio de Líderes decidir. A proposta foi apensada (“juntada”) a um outro projeto mais antigo, o PL 4.500/2001, que trata do mesmo tema, em outubro de 2015. Com isso, passou a tramitar em conjunto com esta e outras 51 proposições semelhantes. Nesses casos, é incerto qual será o texto analisado pelo plenário – pode ser feita uma emenda que agrupe partes das diferentes iniciativas. A versão final pode trazer uma série de diferenças em relação ao texto defendido na campanha pelo MBL.

Como tramita em regime de urgência desde 22 de março do ano passado, o PL 4.500/2001 foi incluído 31 vezes na pauta da Câmara de 28 de março até 6 de julho de 2016. Em nenhuma delas foi debatido pelo plenário, por ter havido encerramento da sessão ou da ordem do dia antes que a discussão ocorresse. Isso significa que não houve interesse suficiente da maioria dos parlamentares para analisar a questão.

De acordo com o artigo 155 do Regimento Interno da Câmara, que define o procedimento para o tipo de urgência aprovado para esse projeto, bastaria um requerimento da maioria absoluta da Casa, ou de líderes que representem esse número, para ele ser incluído novamente em uma sessão. Não é necessária qualquer atitude de Rodrigo Maia, mas o PL não poderia atropelar outras propostas com a mesma urgência. Na semana em que foi feita esta checagem, já havia dez projetos com urgência do mesmo tipo na fila. Procurada pelo Truco, a assessoria de imprensa da Presidência da Casa informou que a pauta tem se concentrado em temas econômicos e que a proposta defendida pelo MBL não está entre as prioridades.

Entenda mais sobre a metodologia e sobre os selos de classificação adotados pelo Truco no site do projeto. Sugestões, críticas e observações sobre esta checagem podem ser enviadas para o e-mail truco@apublica.org ou para o nosso WhatsApp: (11) 96488-5119.

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Comentários

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  • Rui Santos

    Meu único reparo em relação à matéria, que está ótima por sinal. Conseguir 10 mil assinaturas via Avaaz é muito ou é pouco? é possível comparar com outros pedidos? acho uma informação relevante. E parabéns pela pública pelo serviço, que sempre é esclarecedor.

  • Astakad Mechanics

    Impressionante a falta de compromisso com a verdade do tal grupo e seu baixo nível de inteligência ao responder a Agência Publica que foi extremamente educada em sua solicitação. Antes respondesse no mesmo nível, que não responderia as solicitações por algum motivo qualquer. Mas essa é a estratégia de quem pouco sabe o que está fazendo, a de atacar quaisquer um que ouse confrontar seus dizeres. Fico também abismado como existem brasileiros que não conseguem compreender a diferença entre o que é responsabilidade, inteligência, sabedoria, sensatez, honradez quando comparado a esse grupo, que tão pouco colabora para o desenvolvimento da sociedade brasileira.
    Trabalho como sempre, excelente.

    • Alan David

      “Agência pública” de cu é rola. Quem esses imbecis pensam que são para censurar a opinião alheia? Ah e os esquerdinhas do site “horrorizados” com a imagem de um cacete… Nada mais ridículo que um esquerdinha que faz bundaços “fora temer” e enfia crucifixos no cu querer bancar a senhorinha decente e carola do século 19. VÃO PARA A PUTA QUE OS PARIU.

      • Francisco Brito

        Pedir as fontes daquilo que é dito publicamente é censura??? Só para garotinho birrento criado pala avó!

        • Alan David

          Ora, seu burro. Você acha que terceiros tem o direito de se autonomear “agência” e te interpelar pedindo “fontes”? Se quer ser vassalo, o seja sozinho.

          • Camila Vieira

            O MBL é um movimento social, logo, tem responsabilidade sim pelo que
            diz. Uma coisa é informação, outra, realizar campanhas difamatórias e
            espalhar dados incorretos, ocasionando a desinformação e ressaltando a
            ignorância do público que se informa pela plataforma do MBL. Checagem de
            dados está longe de ser censura e quem defende este tipo de comportamento é, no mínimo, mal intencionado. Ou você acredita mesmo que divulgar dados falsos e notícias desonestas para mais de 2 milhões de pessoas não é condenável? Qualquer pessoa minimamente sensata sabe o quão prejudicial ao país é uma postura dessas.

          • Luiz Jr

            Alan, meu caro, vamos pensar?? Esse lixo chamado MBL pode dizer o que quiser sem dar satisfação a ninguém? Que tal o seu ídolo Kim dar uma notícia que VOCÊ (sim, vc! Alan David) recebeu 10 milhões em propina e a prova está aqui nesse pinto de capacete! Você que vá pra cadeia!”.
            Meu caro, vc é mais um idiota útil! útil a ELES!!
            Checar informações é básico pra discussão ser razoável! E a esquerda também inventa dados para reforçar seu discurso. Quer um exemplo? Número da abortos (que eles tentam legalizar). Segundo fontes não militantes, existem no Brasil entre 90 e 100 mil por ano e cerca de 180 mortes de mulheres. A extrema esquerda fala em 1,5 milhão de abortos (a estimativa deles vem diminuindo e alguns já falam em 1 milhão) e 20 mil mulheres morrendo. E tentam emplacar que a legalização dizendo que vai diminuir o número!
            Alan, se você acha que não devemos buscar a fonte desse número e aceitar os dados da extrema esquerda, vc será o primeiro caso de idiota útil de direita E DE esquerda… Se achar que ESSES DADOS precisam ser confrontados, os do MBL não, aí vou achar que vc é só um tonto manipulado mesmo…

          • Alan David

            Ora seu imbecil. Vc não está aí falando a merda que quer livremente? Vc quer prestar contas de tudo que diz ao S-A-K-A-M-O-T-O? Fique a vontade. eu vou continuar mandando ele e suas “agencias” irem para a PUTA QUE OS PARIU.

          • Agildo Santos

            Na boa, você é muito sem noção…

          • Alan David

            Não, você que é muito servil.

          • Jean

            “Você acha que terceiros tem o direito de se autonomear “agência” e te interpelar pedindo “fontes”?” Sim, isso se chama “fact checking” e é parte fundamental do jornalismo. O MBL tem o direito de não responder. Ao não fazê-lo, contudo, o MBL foi desonesto. E foi também infantiloide/danilogentilliano ao mandar uma fotografia de um brinquedo erótico como “resposta”

          • Alan David

            Ah, quer dizer que o sujeito tem o “direito” de não responder, mas se optar por isso está sendo “desonesto”. Ora, vá chupar caralhos.

  • Sandra Cantii

    MBL ainda existe?

    • Logan Fera

      boa

  • Logan Fera

    Esse movimento nao merece o mínimo de credibilidade. Navegam na ignorância das mídias sociais e na polarização vazia entre os extremos. Ja deveria ter sido esquecido!!!!

  • Bruno Machado

    Esses irresponsáveis fazem esse tipo de coisa por saber que, ao cair na rede, o debate jamais será sobre as inverdades que eles alardeiam, mas sobre “defender bandido”. Tempos deprimentes.

  • Guilherme Tavares Malizia Alve

    Ah sim, esses 60-70% em 2001 devem ter melhorado até hoje, na contramão de todos os outros números de criminalidade que pioraram. E mesmo que não sejam 70%, o ponto de que temos um número alarmante de reincidentes persiste. Mas duvido muito que esse número tenha baixado de 2001 em diante. Você não estão analisando fatos. Você estão procurando um jeito de atacar uma proposta que são contra, mas sem se colocarem abertamente contra.

    • Leandro de Barros

      Lê a matéria, porra. O IPEA coloca 25% de taxa de reincidência.

      • Heitor P. J. Santana

        Essa taxa do IPEA usa um conceito de reincidência diferente do indicado por levantamento do DEPEN e da CPI dos presídios(ambos citados na própria pesquisa do IPEA) que apontam o dado de 70%. A maior diferença que isso causa é desconsiderar os presos provisórios(que são maioria no sistema).
        O problema da metodologia do IPEA é que ela acaba distorcendo a realidade por causa de uma tecnicalidade jurídica. A justiça no Brasil é lenta, quanto tempo demora para um individuo ter duas condenações e já ter cumprido integralmente a pena da primeira? O nome de pessoas recolhidas por atividade criminosa mais de uma vez, ainda que de forma provisória, ilustra bem melhor a realidade vivida no Brasil.
        E para você não dizer que eu to puxando a sardinha pra algum lado, acho que esse dado inclusive atua contra a proposta defendida, se prender gera 70% de reincidencia, não é aumentando os tempos de pena que vai resolver, seria preciso buscar novas formas de se trabalhar a questão.

        • Leandro de Barros

          Eu não acho que você tá puxando sardinha não, relaxa, hahaha.

          Eu entendo as diferenças entre a contabilização do IPEA e do DEPEN. Mas o dado que importa pra proposta do MBL (e do comentário do jenial Guilherme que eu respondi) é o dado do IPEA.

          Afinal, não dá pra falar de regime semi-aberto se a pessoa ainda não foi julgada, certo?

          Então a taxa de reincidência de quem é alvo da proposta do regime semi-aberto é de 25% máximo, não 70%.

          • Marcio Vianna

            Desenha que está difícil “deles” compreenderem que até o transito em julgado da sentença condenatória nenhum preso provisório foi condenado.

      • Guilherme Tavares Malizia Alve

        Eu li. Você que não leu. IPEA considera outras medidas, diferentes do DEPEN e da CPI. IPEA considera Reincidência legal. OU seja, se o cara é solto sobre fiança, aguardando julgamento. E comete outro crime enquanto sobre fiança. Isso o IPEA nÃo considera. Levou mais de 5 anos pra cometer outro crime. Isso tb não entra.
        O Depan considera reincidência genérica. Saiu da cadeia, cometeu crime, é reincidente.

        Reincidência genérica Ocorre quando há mais de um ato criminal, independentemente de condenação, ou mesmo autuação, em ambos os casos;
        Reincidência legal Segundo a legislação, é a condenação judicial por novo crime até cinco anos após a extinção da pena anterior;

        Lembro ainda que 1/3 da população carcerária aguarda julgamento.
        Muita gente sai pra aguardar julgamento e acaba voltando por outro crime.
        Isso não entra no IPEA. 1/3 da população carcerária na verdade nem exite para o IPEA.

        Mas deixa toda essa merda de lado. Você acha legal um assassino que matou uma criança e pegou 30 anos sair em 9 anos?
        E já me adiantando. A progressão de pena hoje pra delitos leves não faz efeito na prática. Justamente porque o criminoso leve fica muito tempo aguardando julgamento. É uma ilusão achar que criminosos leves que se beneficiam da progressão de pena. Ele só serve mesmo pra criminosos pesados, com penas muito altas.

        • Leandro de Barros

          Ah lá… eu falei que não tinha lido a matéria, ainda quis comentar sendo o “entendidão”.

          “OU seja, se o cara é solto sobre fiança, aguardando julgamento. E comete outro crime enquanto sobre fiança”

          Esses casos não são elegíveis para o regime semiaberto, JÊNIO.

          Lembra que é essa a questão aqui? O Regime Semiaberto? Só é elegível para o semiaberto quem já foi julgado, condenado e fim de papo.

          Então é irrelevante se X ou Y pagaram a fiança e cometeram crime de novo, porque eles não entram na discussão do semiaberto.

          O MBL quer dizer que o semiaberto não funciona porque “70% dos presos são reincidentes”, mas não é verdade. Porque o semiaberto só trabalha com uma fatia específica da prisão, então a gente tem que ver a reincidência DESSA FATIA.

          E a reincidência DESSA FATIA é muito, muito menor do que 70%.

          O raciocínio é muito difícil pra você entender?

          • Guilherme Tavares Malizia Alve

            Blz cara. Eu realmente não sou Gênio(com g). Essa fatia inclui assassinos? SIM. Inclui estupradores? SIM. Inclui traficantes? SIM. Então eu sou contra. Estuprador, assassinos e traficantes pra mim tem que passar o resto da vida presos. Ponto. Se alguém que pega pena de 30 anos por matar alguém, sai em 9, é injustificável. Esse foi o meu argumento final, que você deixou de lado. Mas beleza GÊNIO. Continue seu caminho de ofensas aí.

          • Leandro de Barros

            HAHAHAHA, cada comentário fica mais engraçado.

            Eu sei que gênio é com G, cara. QUando eu te chamei de JENIO era IRONIA. Porque, veja bem, um JENIO é um cara que se acha gênio, mas é burro na verdade. Como você.

            Esse é o seu “argumento final”, mas não tem NADA A VER com o que a gente tá falando.

            Ninguém tá discutindo a sua opinião, a minha opinião ou a opinião de qualquer pessoa sobre o regime semi-aberto.

            Você tem a opinião que quiser e eu a opinião que eu quiser.

            O que a gente tá discutindo é que o MBL MENTIU com os dados dele. MENTIU para manipular opiniões. Esse é o artigo aqui.

            Eu nem tô defendendo o regime semi-aberto, em nenhum momento fiz isso.

            Você que está fugindo da questão verdadeira pra defender a sua ideia de que tem que prender bandido por um milhão de anos. Só que eu não estou indo contra isso de nenhuma forma.

            Jênio.

          • Guilherme Tavares Malizia Alve

            Cara, blz. continua defendendo bandido aí.

  • fabricioaguirre

    Essa proposta deve apresentar o custo da mudança, antes de ser votada. Se aprovada, irá aumentar o custo do sistema carcerário, que já é muito alto no Brasil.
    Sou contrário, pois para mim, preso tem que trabalhar sim!

  • Nicabugodonossor

    A reforma das execuções penais no Brasil precisa se assentar sobre três eixos:

    1) Despenalização do tráfico de drogas, ou pelo menos a distinção CLARA do que é traficante e do que é usuário
    2) Penas alternativas para crimes patrimoniais leves (principalmente furtos), onde a principal punição deveria ser a obrigação de devolver os bens subtraídos e a prestação de serviços comunitários ou outras penas alternativas
    3) Punições mais severas para alguns poucos crimes, como homicídio, latrocínio e estupro.

    É preciso que se diminua a população carcerária e fazer com que ela seja composta principalmente por quem comete crimes “intoleráveis”. Prender quem comete crime patrimonial, na maioria das vezes, é perda de tempo e prender jovens por “tráfico” é condenar o futuro do país e dar mais poder ao crime.

    O MBL é burro porque acha que é possível resolver a situação da criminalidade só prendendo mais. A questão é não é prender mais gente, e sim prender as pessoas certas. Se o cidadão tem medo de sair na rua não é porque tem um moleque fumando um baseado na periferia (e moleques da periferia que não fizeram nada além de fumar um baseado representam uma proporção tristemente alta da população carcerária no Brasil) e sim porque tem medo de morrer num assalto. Enquanto prendemos tanta gente por fumar mato, menos de 10% do assassinatos são resolvidos. Enquanto a polícia quer prender quem vende mato, não sobra espaço para esses jovens terem oportunidade de trabalhar ou estudar, pois a vida deles é em meio a uma guerra inútil. O policial vai e mata esses jovens e não é preso (porque menos de 10% dos homicídios são resolvidos) e o MBL preocupado em acabar com a progressão de regime do moleque que fuma mato.

  • Hd Virgulino

    MBL é uma farsa! Só combate a corrupção dos seus inimigos políticos (PT), contra a corrupção dos seus amigos (Temer, Cunha, Aécio, PSDB…) são omissos, covardes, movimentozinho comprado… lamentável! decepção!

  • Alan David

    QUEM vocês, filhos da puta, pensam que são para sair “exigindo” alguma coisa de alguém? Acham que botar o nome de “agência” na frente engana alguém? VOCÊS NÃO SÃO NINGUÉM. São uns merdinhas que se arvoraram o direito de censurar a opinião alheia. VÃO CENSURAR A PUTA QUE PARIU.

    • Astakad Mechanics

      Amigo, procure no dicionário a palavra Censura. O diálogo e a troca de idéias é importante, mas qual a sua opinião relevante, a não ser contestar algo que não sabes? Estude o que é censura, depois explique para todos nós aqui. Ai o traremos para um dialogo que realmente vale a pena.

      • Camila Vieira

        O Alan nunca deve ter apresentado um TCC na vida.

        • Astakad Mechanics

          Vamos aguardar! Quem sabe ele nos enriquece com o seu argumento sobre o que é Censura e faz um pesquisa sobre o que era Censura na Alemanha do Partido Nacional Socialista, Ditadura no Brasil e das que houveram na América Latina. Com certeza seria enriquecedora a todos que participam desse debate. Abraços!

    • Wellington Franke Jr.

      e quem o MBL pensa que é? Senão um grupo financiado por partidos corruptos para enganar a população com suas matérias tendenciosas e mentirosas. Não é de hoje que esses canalhas ganham dinheiro dos ladrões de estimação deles.

  • Jade Rubi

    Esses caras do MBL devem estar recebendo do Temer para fazer novamente o pessoal se focar em qualquer coisa patética e esquecer do corrupto que eles protegem.

    • Wellington Franke Jr.

      O Movimento Boquinha Livre é exatamente um grupo financiado pelos partidos de direita como o PSDB, DEM e PP para confundir o povo leigo e incitar ódio entre a sociedade. Eles são mais criminosos do que muito ladrão de galinha.

  • Alexsander Siqueira

    O MBL está fazendo o que a esquerda sempre fez: defendendo um ponto de vista (não vou entrar no mérito) com apelo emocional. De certo modo, do jeito que as coisas estavam indo, era necessário que um grupo de direita utilizasse os mesmos artifícios para equilibrar a situação política, impedindo que a esquerda detivesse hegemonia na influência das massas, já que esta é muito mais sensível os apelos emocionais do que aos argumentos cognitivos.

    Infelizmente, enquanto o povo não aprender a pensar e tomar decisões racionais, será necessário que todos os segmentos político-ideológicos possuam uma corrente de apelo emocional que opere a nível do subjetivo. Do contrário, permite-se que uma ideologia nefasta controle a massa através desse instrumento.

    Sendo assim, a luta política necessita de duas frentes: a objetiva, que opera com fatos e propostas cognitivas para o sistema social; e a subjetiva, que opera com opiniões de lastro emocional e propostas afetivas para os problemas sociais. Infelizmente, a massa só atende à manipulação. Quem deseja construir um país melhor deve ignorar o jogo emocional de ambos os lados e focar no plano intelectual que cada segmento trabalha.

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