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Agência de Jornalismo Investigativo

Estudo revela que metade do valor doado pela comunidade internacional para iniciativas privadas em países pobres vai para empresas da OCDE

13 de junho de 2012
09:00
Este texto foi publicado há mais de 7 anos.

Em convenções mundiais sobre desenvolvimento e ajuda humanitária, como o 4º Fórum para Efetividade da Ajuda Humanitária, que ocorreu no ano passado, os governos repetem sempre a mesma coisa: que a maneira mais eficaz e justa de administrar a ajuda internacional é deixar nas mãos dos governos que recebem o auxílio financeiro.

Mas uma nova pesquisa mostra que os governos doadores acabam muitas vezes investindo dinheiro público em empresas privadas – muitas delas sediadas nos mesmos países ricos.

Um novo relatório publicado pela Rede Europeia para Dívidas e Desenvolvimento (Eurodad, na sigla em inglês) examinou cerca de US$ 30 bilhões de investimentos no setor privado voltado para o desenvolvimento nos países mais pobres do mundo.

As doações foram feitas por governos europeus, pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e pelo Banco Mundial, entre outros.


Quase metade desses investimentos foi para empresas dos países que fazem parte da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), cujos 34 membros reúnem mais da metade da riqueza mundial.

O estudo mostrou que muitas destas empresas contratadas são grandes corporações e suas subsidiárias. Cerca de 40% estão listadas em alguma das maiores bolsas de valores do mundo.

Dentre os 15 maiores investimentos do BEI e da Corporação Financeira Internacional do Banco Mundial (IFC, na sigla em inglês), dois foram para empresas sediadas no Reino Unido: Helios Towers e Vodafone Ghana. Ao mesmo tempo, apenas 25% das empresas financiadas pelo EIB e pelo IFC estão sediadas em países em desenvolvimento.

Até em paraísos fiscais

A pesquisa da Eurodad também descobriu que muitos dos grandes investimentos em ajuda internacional estão indo, na verdade, para empresas sediadas em paraísos fiscais.

O relatório foi além. Descobriu que 50% da ajuda dada pelo BEI foi enviada por meio de intermediários do setor financeiro. Esses intermediários financeiros incluíam bancos, hedge funds e fundos privados com sistemas de relatório extremamente opacos.

O resultado? É muito difícil de acompanhar como o dinheiro está sendo investido.

“Investimentos em empresas privadas onde são necessários e apropriados podem ser valiosos, mas há pouca evidência de que doadores e instituições internacionais têm um plano claro. Muito do dinheiro público acaba financiando empresas de países ricos. Muito pouco vai para nutrir o setor privado dos países mais pobres do mundo”, diz Jeroen Kwakkenbos, analista financeiro da Eurodad e autor do relatório.

Em conclusão, o relatório da Eurodad prevê que até 2015 um terço de todo o financiamento de governos de países ricos destinado a países em desenvolvimento irá acabar nas mãos de empresas do setor privado. O relatório pode ser baixado na íntegra, em inglês, através deste link.

Clique aqui para ler a matéria original, em inglês.

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