Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Artigo

| De olho | Caso Cunha trava às vésperas do recesso

PSB tenta fazer convocação extraordinária para que possível cassação não seja deixada para depois da Olimpíada; defesa de Dilma fala na comissão do impeachment

Artigo
3 de julho de 2016
18:00
Este artigo tem mais de 10 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

A saga da possível cassação do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continua. Dessa vez, o foco está direcionado à decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre um recurso protocolado pelo próprio peemedebista. O ofício à CCJ pede a anulação da sessão do Conselho de Ética em que foi aprovado o parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO) pedindo a cassação de Cunha, réu em duas ações penais da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. Ainda sem data definida para a primeira reunião, a CCJ já recebeu um documento em nome bancada do Partido Socialista Brasileiro (PSB) exigindo convocação de sessão extraordinária do colegiado para a próxima segunda-feira (4), com o objetivo de acelerar uma resolução e levar o caso à votação de plenário. Mas os aliados de Cunha podem entrar em ação para empurrar a decisão para depois do recesso parlamentar, na iminência da pausa legislativa prevista para o próximo dia 17.

Na representação enviada à CCJ, Cunha alega que a votação nominal que acatou o voto do relator foi “estranha” e deverá ser refeita. Outro questionamento feito pela defesa do investigado é sobre a continuação do relator à frente do parecer, mesmo depois de ter trocado de legenda. De acordo com Cunha, a relatoria do caso pertence ao PDT e, por isso, Marcos Rogério deveria ter deixado o posto quando se filiou ao DEM durante a janela partidária. Deputados avaliam que esta pode ser mais uma manobra do peemedebista para postergar a análise da sua cassação em plenário.

Partidos como PSB, Rede e PSOL vão continuar tentando acelerar o trâmite do processo contra o peemedebista, que pode ter seu destino selado já em julho. A preocupação das legendas é que o grupo aliado ao presidente afastado – incluindo o presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR) – utilize o recurso protocolado na comissão para retardar a remessa do processo ao plenário mesmo depois do recesso parlamentar. Se no palco nervoso das decisões da Casa a cassação do mandato de Cunha é dada como certa, a combinação entre o conjunto de normas da Câmara e suas brechas – e o consequente ensejo para recursos protelatórios –, aliados ao calendário do segundo semestre, podem favorecer o deputado.

Embora tenha havido uma debandada de muitos aliados de outrora de Cunha, alguns reminiscentes envolvidos em sua operação de salvamento apostam no esvaziamento do plenário nos meses subsequentes ao retorno para as atividades legislativas, já que em agosto será realizada a Olimpíada do Rio de Janeiro e, em outubro, as campanhas eleitorais dos municípios. Ambos os eventos mobilizam a quase totalidade dos parlamentares. Nesse sentido, o grupo pró-Cunha avalia que o tempo corre a favor do peemedebista, que mantém sua influência parlamentar mesmo sob a mira da Justiça, com ameaça até de prisão – cujo pedido não passa de “aventura jurídica”, diz Cunha.

Autor do pedido de sessão extraordinária na CCJ, o PSB tem demonstrado preocupação com o cenário que se apresenta. “Considerando a proximidade dos Jogos Olímpicos e das eleições municipais, eventos que podem contribuir com o retardo do processo, seguimos atentos a eventuais manobras e interferências no sentido de evitar o cumprimento dos prazos para que a questão seja devidamente apreciada”, diz a legenda, em nota.

Esforço concentrado

Depois das reviravoltas decisórias da Câmara na semana passada, o presidente interino, Waldir Maranhão (PR-MA), afirmou que a Casa deve fazer um esforço concentrado durante a próxima semana. De segunda (4) a quinta-feira estão previstas votações de uma “agenda positiva”, que supostamente reúne matérias de interesse do país: “Na próxima semana, faremos um esforço concentrado, trabalhando de segunda a quinta-feira, para que possamos oferecer ao país uma agenda positiva e dar andamento aos trabalhos da Casa”, disse.

Waldir Maranhão anunciou que também pretende colocar em votação o projeto de resolução (PRC 76/2015) que cria a Coordenação de Acessibilidade na estrutura administrativa da Casa. Atualmente, as ações de acessibilidade desenvolvidas pela Câmara são elaboradas em um nível administrativo informal, a partir de cessões de pessoal e de estrutura de outros setores. “Com a medida, as diversas ações que a Casa vem adotando desde 2004 terão mais segurança e legitimidade, além de respaldo administrativo maior”, declarou Maranhão.

Outra expectativa é a medida provisória (MP 718/2016) que avalia normas sobre o controle de doping no esporte, e tranca a pauta. A matéria foi indicada pelo governo, que pretende analisar o teor da proposta antes dos Jogos Olímpicos, que têm início em agosto. Também tem a atenção do Congresso a pauta que modifica – em tese, tornando mais técnica – a indicação de dirigentes para fundos de pensão de empresas estatais.

Impeachment e votações no Senado

Na quarta-feira (6), nos últimos passos de uma jornada que teve início em dezembro de 2015, será a hora de a presidente afastada Dilma Rousseff se defender perante os membros da comissão do impeachment no Senado. Apesar da opção de que a petista faça pessoalmente sua explanação de defesa, Dilma pediu para que seu advogado, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, encarregue-se da tarefa, como tem feito nas diversas etapas do processo de impedimento.

Já o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou na última quinta-feira (30) que pretende votar em plenário pelo menos uma dezena de emendas constitucionais e projetos de lei que tratam de temas polêmicos e complexos, antes do recesso parlamentar. Na lista de urgências estão matérias que tramitam no Legislativo há mais de uma década, como a modificação da Lei de Licitações (Lei 8.666), a taxação federal da transmissão de heranças e a regulamentação dos jogos de azar. Entre as prioridades está o projeto de lei que define o abuso de autoridades nos três níveis de poder.

No Congresso, as atenções estão voltadas para a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, que precisa ser concluída até 13 de julho. A Constituição estabelece que a votação sobre a matéria seja concluída antes do recesso parlamentar. De acordo com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se a LDO não for deliberada até a data prevista, só haverá convocação de sessão com votações a partir de 2 de agosto.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

O ex-senador Eduardo Suplicy é detido em reintegração de posse próximo a Cohab Educandário

Levantamento aponta um caso de violência política a cada 37 horas durante campanha de 2026

|

Monitoramento exclusivo da Pública por 17 dias chegou a 11 casos cujos agressores são, na maioria, agentes de segurança

Dos clubes de tiro ao poder: segmento de armas injeta mais de R$ 1,2 milhão nas eleições

|

Empresários do setor doaram para 96 candidatos – PL, Republicanos e Novo lideram recebimento de recursos

Visita à Heritage Foundation de Sérgio Sant'Ana e Eduardo Bolsonaro

Empresário que fundou Instituto com Eduardo Bolsonaro presta serviço para campanhas

|

Empresa de Sérgio Sant’Anna recebeu R$340 mil; empresário diz que ICL está “inativo” e que se afastou do ex-deputado

O senador Flávio Bolsonaro, durante sessão da Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado

Flávio Bolsonaro, os hospitais federais e a pandemia de Covid no Rio de Janeiro

|

Contratos superfaturados, demissões e hospitais sucateados: como Flávio influenciou a saúde do Rio no governo do pai

Ex-jogador da seleção brasileira de basquete dos anos 1980 Nilo Guimarães. Ele foi secretário de esportes de Mogi da Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, por 12 anos (2009-2020).

Empresa de ex-secretário de Esportes de Mogi recebeu dinheiro de emenda Pix de Mario Frias

|

Sócio de Nilo Guimarães na Pulsa Uniformes diz que material foi entregue, mas não envia comprovação

A execução de Davi Sebba e a teia de policiais que Goiás levou 14 anos para julgar

|

Letalidade policial quase triplicou em 2012, ano do crime; governador era Marconi Perillo, candidato ao cargo em 2026

Investigação e processos criminais: o rastro legal dos deputados da Comissão de Segurança

|

CSPCCO: 12 deputados ligados a forças de segurança foram parte em procedimentos criminais, que vão de calúnia a agressão

Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2023 - Ato denúncia em frente à Câmara Municipal, organizado pelo campanha Levante Feminista contra o Feminicídio

Na Amazônia Legal, 9 em cada 10 vítimas de feminicídio em 2025 não tinham medida protetiva

|

Levantamento em oito estados mostra que mulheres morrem desprotegidas; recurso jurídico é alternativa para evitar crime

Nossa Senhora Aparecida vira evento eleitoral e aprofunda crise entre ministros do STF

|

Monitoramento mostra que debate nas redes ultrapassou boato inicial e passa de 12 milhões de interações em poucos dias

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília.

Os candidatos das Big Techs nas eleições 2026

|

Levantamento mostra quais políticos brasileiros têm atuado a favor dos interesses das grandes corporações de tecnologia