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Nota

Justiça italiana rejeita extradição de Carla Zambelli e ordena soltura da ex-parlamentar

22 de maio de 2026
19:14

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A Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça na Itália, decidiu nesta sexta-feira, 22 de maio, não extraditar a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil e determinou sua soltura. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ela estava presa em Roma desde julho de 2025.

A decisão, tomada por seis juízes da Suprema Corte Italiana, surpreendeu tanto a defesa de Zambelli quanto os representantes do governo brasileiro. O julgamento referia-se ao recurso da defesa contra a extradição no processo em que Zambelli foi condenada a dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Enrico Giarda, representante da Advocacia-Geral da União (AGU) na Itália, classificou a decisão como inesperada. Por outro lado, Fabio Pagnozzi, advogado da ex-deputada no Brasil, celebrou o resultado. “Foi uma surpresa, e uma surpresa muito boa. É até uma vergonha para o Brasil, mais um brasileiro não extraditado por entenderem ser uma perseguição política”, declarou à CNN Brasil. Nas suas redes sociais, Zambelli, já solta, comemorou a decisão em vídeo a seus seguidores.

A justificativa oficial da Corte italiana deve ser divulgada em até 15 dias. A AGU avalia que as condições do presídio para onde a ex-deputada seria enviada, a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), podem ter influenciado o veredito, argumento recorrente da defesa que alegava risco aos direitos humanos e deterioração da saúde de Zambelli no cárcere.

Luan Santos foi perseguido por Carla Zambelli com arma em punho.

Arma em punho nas eleições de 2022

Zambelli tem duas penas a cumprir no Brasil. São dez anos de prisão pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. E outros cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no episódio em que apontou uma arma para um homem em São Paulo, em 2022.

Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Zambelli perseguiu o jornalista Luan Araújo com uma arma em punho pelas ruas dos Jardins, em São Paulo. As consequências daquele dia continuam afetando a vida de Araújo. O jornalista move uma ação de indenização por danos morais contra a ex-deputada no valor de R$ 2 milhões. Em mensagem à Agência Pública, Luan lamentou a decisão da justiça italiana. “É uma justiça que só atende aos interesses de poderosos. Enquanto estou tendo que provar que não tenho dinheiro para pagar mil reais de uma condenação por conta de um texto jornalístico que escrevi contra ela, além de uma vaquinha que faço há meses para tentar bancar um processo de danos morais, ela agora está de boas”.

O histórico de Zambelli

Em maio de 2025, Zambelli foi condenada, por unanimidade, pela Primeira Turma do STF, a 10 anos de prisão em regime fechado, por ter orquestrado a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em janeiro de 2023. A operação, realizada pelo hacker Walter Delgatti Neto, resultou na inserção de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão fraudulento contra o ministro Alexandre de Moraes. A condenação também determinou multa milionária, perda do mandato e inelegibilidade por oito anos.

​Após a condenação, Zambelli fugiu do Brasil pela fronteira com a Argentina em maio de 2025, seguindo para os Estados Unidos e, depois, para a Itália, país do qual possui cidadania. Seu nome foi incluído na lista vermelha da Interpol, tornando-a procurada internacionalmente. Em 29 de julho de 2025, foi presa na Itália, onde aguardava a decisão sobre sua extradição ao Brasil. Zambelli renunciou ao cargo de deputada federal para evitar a cassação.

Reprodução Internet

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