Uma investigação publicada no último dia 7 pela Agência Pública revelou que o deputado federal Alex Manente, do Cidadania paulista, vice-líder do bloco do Centrão na Câmara de Brasília, financiou, com dinheiro do fundo partidário, desinformação nas redes sociais.
Durante pelo menos 4 meses, o diretório municipal do Cidadania, em São Bernardo do Campo (SP), transferiu R$ 2,5 mil para uma operadora catarinense que, sob a orientação da equipe de Manente, coordenava ataques com perfis falsos. As diretrizes eram enviadas por meio de um grupo de WhatsApp sugestivamente batizado de “Guerrilha”.
“Pode comentar no sentido de criticar o governo, comentários curtos. ‘Desgoverno falindo o país. Antigamente os correios era muito bom [SIC], mas o Lula e sua turma acabaram até com isso’”, orientava uma das mensagens obtidas pelo repórter Dyepeson Martins.
A tropa virtual entrava em ação sempre que o deputado precisava de aplausos ou queria fustigar o governo federal ou adversários políticos. Em dezembro de 2025, Manente criticou a criação de cargos comissionados pelo Executivo. Imediatamente, o perfil @monteirooefigencia comentou: “Esse desgoverno foi sempre assim, enchendo o bolso do estado e dando migalha para o povo”. O perfil @wanderlei2589 fez coro: “É de uma falta de respeito e até com o próprio eleitor deste cidadão. Estamos sobrevivendo e contando os centavos neste fim de ano e o governo esbajando”. A mesma tática foi usada para criticar a falta de vacinas no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em março de 2026, alas divergentes do Cidadania realizaram congressos separados com apenas dois dias de diferença, resultando na eleição simultânea de dois presidentes: o próprio Alex Manente e o ex-deputado estadual fluminense Comte Bittencourt. A disputa foi parar na Justiça. Nesse cenário em disputa, o perfil falso de Lene Aparecida entrou em cena. Em uma postagem no Instagram, a conta inautêntica atacou Bittencourt com um trocadilho gramatical: “Conte uma mentira várias vezes e ela se tornará verdade.”
No WhatsApp, a equipe de Manente debatia os percalços técnicos da empreitada. “É melhor pedir para ele trocar esses perfis, porque, quando dá erro de senha, é que já caiu”, alertou um membro do grupo. Outro diagnosticou o problema: “Acho que tá levantando alerta de atividade suspeita porque estamos ligando de localizações diferentes e aparelhos diferentes também”.
A revelação da rede de perfis falsos pela Pública foi levada à Justiça Eleitoral por um grupo de filiados ao Cidadania, liderado por Comte Bittencourt. A juíza Eduarda Corrêa, da 414.ª Zona Eleitoral de São Bernardo do Campo, determinou que o caso fosse encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF). A decisão da magistrada, noticiada pelo portal Metrópoles, pode se transformar numa investigação criminal. Especialistas em direito eleitoral apontam que o uso de recursos do fundo partidário para financiar o anonimato na internet configura propaganda ilícita e pode ensejar crimes eleitorais, além de exigir o ressarcimento aos cofres públicos.

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