Buscar
Nota

Diretor da Abin promete medidas para aumentar “rastreabilidade e transparência”

7 de setembro de 2023
10:52
Este artigo tem mais de 2 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Após anúncio de mudanças no Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) feito pelo governo federal nesta quarta (6), o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, prometeu mudanças quanto à “rastreabilidade e transparência” no trabalho da agência até dezembro. Houve uma série de escândalos recentes no órgão por falta de controle e transparência, em especial durante o governo Bolsonaro.

Entre outros casos, a Abin gastou mais de R$30 milhões em contratos secretos para aquisição de programas com possível uso ilegal só durante a gestão de Alexandre Ramagem, hoje deputado federal (PL-RJ), como já noticiado pela Agência Pública, e o suposto uso do órgão em favor do senador e filho do ex-presidente da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como denunciou a Revista Época ainda em 2020.

“Até a parte secreta da inteligência tem de ter controle. Nós temos uma premissa: quem trabalha dentro da lei não tem medo de controle”, disse Corrêa, ex-diretor da Polícia Federal, à Agência Pública nesta quarta.

Estiveram presentes na sede da Abin para o evento desta quarta o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Defesa, José Múcio, o ministro de Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), o ministro do GSI, general da reserva do Exército Marcos Amaro, e a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior.

Após a cerimônia, o diretor-geral da Abin afirmou que criou e mantém, desde maio passado, um grupo de trabalho com a Escola de Inteligência da agência para ouvir “especialistas de todo o mundo”, reunindo sugestões para melhorar a “rastreabilidade e transparência” do trabalho cotidiano dos agentes.

“Nós temos uma premissa: quem trabalha dentro da lei não tem medo de controle”, diz diretor da Abin

Corrêa disse que as conclusões serão apresentadas no próximo dia 7 de dezembro, em um evento em parceria com a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso Nacional. De acordo com Corrêa, o plano é que este grupo forneça elementos para que os parlamentares “instrumentalizem um controle efetivo” sobre o órgão, sem dar mais detalhes.

“Se eu tiver uma atividade [de inteligência] com controle, eu tenho uma atividade com legitimidade, que é algo que se constrói com vários instrumentos – e a rastreabilidade é um deles”, afirmou o diretor-geral.

Segundo a Abin, as mudanças assinadas via decreto pelo presidente Lula (PT) nesta quarta (6) visam “modernizar” e “dinamizar o ambiente de cooperação, fortalecer o papel da Abin como órgão central [do sistema de inteligência] e aumentar a efetividade do assessoramento” feito pela agência.

Edição:
Caio de Freitas Paes/Agência Pública

Notas mais recentes

Facebook não barra anúncios com desinformação sobre eleições brasileiras


Horário eleitoral gratuito começa nesta sexta-feira com apenas 4 candidatos a presidente


Governos de 4 estados não aderem a esforço nacional de combate a roubos de celulares


Quem é Fernando Cerimedo, aliado de Bolsonaro preso por ataque a tiros à ex-companheira


MPF move ação contra Renan e MBL por xingar indígenas do Pará no Instagram


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Eleitores gerados por IA fazem campanha no TikTok e põem em xeque regra do TSE

|

Vídeos criados com IA em que eleitores declaram seus votos para presidente têm 7,4 milhões de views no TikTok

O método: como a extrema-direita ataca professores para engajar eleitores

|

Gravações clandestinas e ataques online evidenciam como docentes são explorados politicamente desde 2022

Investigados por desinformação e tentativa de golpe seguem ativos nas redes em 2026

|

Ao menos dez alvos de inquéritos no STF e TSE em eleições passadas continuam publicando sobre o pleito deste ano

Tingir o chão de sangue: propostas de Renan Santos para segurança vão contra Constituição

|

Candidato do MBL defende prisão, mortes e vingança em discurso emocional contra a violência

Partido da farda: número de candidatos policiais ou militares passa de 1,2 mil

|

Bancada de policiais no Legislativo direciona recursos para a Polícia Militar, enquanto resolução de crimes segue baixa

Quase quatro a cada dez indígenas em terras na Amazônia não têm acesso adequado a água

|

Ao todo, 38% não tem água tratada ou fontes como poços e nascentes, dependendo de rios e lagos, muitos contaminados

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso