Buscar
Nota

Ministra da Saúde cita dificuldades para vacinar Yanomami e adota meta de 70% até 2027

9 de abril de 2024
16:00
Este artigo tem mais de 2 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (8), a ministra da Saúde, Nísia Trindade, mencionou dificuldades para realizar uma cobertura vacinal completa dos indígenas Yanomami, em Roraima, e confirmou metas de um plano elaborado pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei), ao qual a Agência Pública teve acesso.

O plano cita 32 “resultados esperados” até 2027, entre os quais “alcançar 70% das crianças indígenas menores de 1 ano com esquema vacinal completo”. O documento traz também como meta “reduzir em 30%, até 2027, a taxa de mortalidade infantil indígena por causas evitáveis” no território Yanomami.

A Pública indagou à ministra se os números estavam corretos, se ela concordava com tais metas e por que a cobertura vacinal não seria maior. Segundo Trindade, os valores dependem das vacinas em curso.

“Por exemplo, [quando se] fala em HPV, a cobertura esperada é de 80%. Aí entram fatores de transmissão, do coletivo, além da proteção individual. No caso da população indígena… Eu iniciei, inclusive, no ano passado, a vacinação indígena no território Yanomami e farei o mesmo, nessa semana, no Oiapoque, onde começaremos também a vacinação indígena. É uma vacinação que tem suas características, o atingimento, dependendo das situações de isolamento das aldeias, ele passa com dificuldades, comparados com a população que não vive nas mesmas condições, então, a meta 70%, ela permite uma proteção máxima possível, considerando todos esses fatores.”

A respeito da meta da redução da mortalidade infantil, Trindade disse que ela é “exequível” e que o ministério passará a contar com um novo medicamento no tratamento da malária. Para atingir a meta, disse a ministra, “é muito importante lembrar que uma das causas importantes, além de desnutrição, tem sido a malária”.

“No território Yanomami, houve um aumento da malária […] ligado à própria existência do garimpo ilegal, por uma razão, que é o acúmulo de água em regiões que ficam como verdadeiras crateras. Isso leva a uma maior proliferação de mosquitos, fruto dessa ação de desmatamento.”

A ministra da Saúde disse ainda que o ministério começou a introduzir no território Yanomami “um novo medicamento para malária recomendado pelos principais especialistas com forte interação com o Ministério da Saúde, com aprovação na nossa comissão que incorpora as tecnologias”. O anúncio foi feito pelo ministério no ano passado.

O medicamento, denominado tafenoquina, deve ser aplicado em dose única, característica que, segundo a ministra, será de grande utilidade no território Yanomami, porque um problema recorrente é a desistência no caso dos medicamentos que necessitam de uma segunda dose de reforço.

“A crise sanitária atual resulta tanto da atuação do garimpo, que foi permitido, porque é um garimpo ilegal, então houve um descaso, para dizer o mínimo, em relação a essa situação, e, além disso, a desassistência, porque não estava ocorrendo a atenção à saúde Yanomami naquele território. E a questão da segurança, em parte, é um fator muito responsável por isso, uma vez que muitas unidades básicas de saúde no território Yanomami, polos de saúde indígena, encontravam-se fechadas por falta de condições de financiamento. Então, o problema era de uma grandeza muito grande.”

A respeito dos recursos do Ministério da Saúde necessários para o enfrentamento da emergência sanitária Yanomami, a ministra disse que, “por uma decisão política do presidente” Luiz Inácio Lula da Silva, a saúde indígena recebeu um incremento de R$ 700 milhões para o ano de 2024. Conforme anunciado pelo governo em outubro passado, neste ano a saúde indígena teve um orçamento total de R$ 2,6 bilhões, “74% a mais do que o ano de 2022”. 

Edição:

Notas mais recentes

Últimas pesquisas e fim da propaganda eleitoral marcam semana antes do primeiro turno


Paulo Gonet segue no caso Master após decisão do Conselho do Ministério Público Federal


Nossa Senhora Aparecida: boato sobre padroeira domina redes e chega ao TSE


Deputadas de Minas pedem suspensão de decreto de Zema que beneficiou mineradora Cedro


Lula discursa na ONU e Conselho do Ministério Público avalia ações de Gonet no caso Master


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Investigação e processos criminais: o rastro legal dos deputados da Comissão de Segurança

|

CSPCCO: 12 deputados ligados a forças de segurança foram parte em procedimentos criminais, que vão de calúnia a agressão
Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2023 - Ato denúncia em frente à Câmara Municipal, organizado pelo campanha Levante Feminista contra o Feminicídio

Na Amazônia Legal, 9 em cada 10 vítimas de feminicídio em 2025 não tinham medida protetiva

|

Levantamento em oito estados mostra que mulheres morrem desprotegidas; recurso jurídico é alternativa para evitar crime

Nossa Senhora Aparecida vira evento eleitoral e aprofunda crise entre ministros do STF

|

Monitoramento mostra que debate nas redes ultrapassou boato inicial e passa de 12 milhões de interações em poucos dias
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília.

Os candidatos das Big Techs nas eleições 2026

|

Levantamento mostra quais políticos brasileiros têm atuado a favor dos interesses das grandes corporações de tecnologia
Antonio Cezar Correia Freire, conhecido como Cezinha de Madureira, é um jornalista, radialista e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal. Deputado federal por São Paulo desde 2019

Valéria Linhares nega relação com Cezinha de Madureira mas foi sócia de seu filho em rádio

|

Deputado do PL e advogada são investigados por tráfico de influência em tribunais superiores e ligados a André Mendonça

Quilombolas lutam por território ancestral contra imobiliária no interior de São Paulo

|

Descendentes de escravizados disputam título de terra contra empresa e denunciam ação da polícia

Lula proíbe bets e cita relato de mãe que perdeu o filho para apostas ao assinar Medida

|

Vânia Borges, que perdeu o filho para as apostas online, esteve com o presidente após matéria da Pública com seu relato

Análise da Abin aponta extrema-direita no Brasil como “facilitadora” de ofensiva de Trump

|

Desde novembro de 2025 análises sobre risco “crítico” de interferência vem sendo produzidos pela agência de inteligência
Garimpo na Terra Indígena Baú em 2026.

Indígenas Kayapó se colocam em risco para bloquear garimpo ilegal na Terra Indígena Baú

|

Dois meses após operação da PF, número de invasores quadruplicou, dizem órgãos; há suspeita de participação de facções