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Agência de jornalismo investigativo
Da Redação

Uma nova jogada do Truco

Projeto de checagem da Agência Pública entra em nova fase, com novo sistema de classificação e maior abrangência, para dar conta da avalanche de dados falsos

Da Redação
15 de fevereiro de 2017
16:04
Este artigo tem mais de 9 anos
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A quantidade de informações falsas em circulação tem aumentado assustadoramente na internet.

Antes, diríamos que isso vale um Zap. Agora, classificamos a frase que abre este texto como Verdadeira. O Truco – projeto de fact-checking (checagem) da Agência Pública ­– acaba de entrar em uma nova fase, com o objetivo de ampliar a verificação e fiscalização do discurso público. Para dar mais clareza no resultado das nossas checagens, aposentamos as cartas e adotamos um novo sistema de classificação.

Diante da importância que o fact-checking tem adquirido no jornalismo mundial, decidimos dar um passo além e inserir a checagem na nossa produção cotidiana. Agora as checagens são consideradas mais um gênero do jornalismo investigativo produzido pela Pública. O Truco integra a International Fact-Checking Network (IFCN), rede organizada pelo Instituto Poynter que reúne os principais sites de fact-checking do mundo.

As checagens do Truco também passam a contar com o selo de verificação de fatos do Google, cujo lançamento na América Latina foi anunciado nesta quarta-feira (15). Com isso, artigos de fact-checking passam a ser destacados na busca do Google News. “O selo também estará disponível no modo notícias dentro da busca. Isso significa que, quando fizer uma pesquisa no Google e clicar na aba ‘Notícias’ ou realizar uma busca direto no site do Google Notícias, você encontrará artigos com a indicação ‘Verificação de fatos’”, explica o Google em seu comunicado.

Desde que foi criado, em agosto de 2014, o Truco teve focos bem específicos. Nossa primeira missão foi analisar as falas dos candidatos a presidente no horário eleitoral, em uma das campanhas mais disputadas da história. No ano seguinte, passamos a acompanhar os discursos de autoridades no Congresso Nacional com o Truco no Congresso, em parceria com o Congresso em Foco. Em 2016, também fiscalizamos os candidatos a prefeito de cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife (em parceria com a Marco Zero Conteúdo) e Belém (em parceria com o Outros 400).

Na nova etapa, o Truco pela primeira vez passará a analisar frases de qualquer origem. Políticos de todos os partidos vão continuar sob o nosso foco, mas também estaremos de olho em outras autoridades e personalidades públicas, além de analisarmos informações que circulam pela rede. Selecionamos para verificação apenas frases relevantes e que estejam pautando debates na sociedade. O objetivo do projeto continua o mesmo: aprimorar a democracia e o discurso público, tornando as pessoas mais responsáveis pelo que dizem e pelos dados que usam.

Nossa metodologia também não sofreu alterações. Entramos em contato com o autor da afirmação e pedimos a fonte utilizada, para depois confrontá-la com outras fontes, oficiais ou não. Se necessário, consultamos especialistas. O resultado dessa investigação vai revelar se a frase é verdadeira, sem contexto, contraditória, discutível, distorcida, exagerada, impossível de provar ou falsa.

Nas três primeiras fases, o Truco usava cartas para classificar as afirmações checadas, com nomes bem-humorados. O problema é que nem sempre era fácil para o leitor entender o resultado da verificação logo de cara. Em julho de 2016, passamos a adotar um esquema de cores e legendas para traduzir o significado de cada uma das cartas no Truco no Congresso, com resultados positivos. Seguimos na mesma linha na cobertura das eleições de 2016 e resolvemos dar um passo além nessa mudança. Com isso, passamos a adotar selos, desenhados pelo ilustrador Alexandre De Maio.

Agora, usamos uma personagem, a Coringa do baralho de cartas, com diferentes expressões e cores, acompanhada de uma legenda de fácil entendimento. As mesmas classificações usadas antes foram mantidas, com alguns ajustes. Como o “Não é bem assim” incluía “Discutível”, “Distorcido” e “Exagerado”, as três categorias agora estão separadas. Também passamos a adotar um novo selo “Impossível provar”, que permitirá analisarmos frases para as quais não há dados disponíveis. Com isso, temos oito selos para usarmos nas nossas investigações.

Veja, a seguir, como ficou o novo sistema de classificação, comparado com o anterior. Todas as informações sobre o projeto e sobre as suas versões anteriores estão disponíveis na página de apresentação do Truco. Eles falam, nós checamos.

 
Impossível provar
Nova classificação incluída no Truco

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