Agência de Jornalismo Investigativo

Despacho serviu de base para relatório oficial que descreve crimes mais comuns e áreas mais perigosas de ambas as cidades

7 de julho de 2011

Uma mensagem de 7 de janeiro de 2009 assinada pelo ex-embaixador Clifford Sobel faz um diagnóstico da violência em Brasília e Recife, sedes da embaixada e de um consulado dos Estados Unidos. “Transporte público, setores hoteleiros e áreas turísticas ainda são os locais com maiores índices de crimes, mesmo que o Escritório Regional de Segurança receba notificações de incidentes de todas as áreas a todo tempo”, descreve o texto que aponta o uso frequente de armas por marginais e a presença recorrente de violência gratuita nas ações.

O conteúdo do documento serviu de base para o relatório de segurança daquele ano do OSAC, um conselho de consultoria de segurança no exterior ligado ao Departamento de Estado Americano. Sua versão mais recente está online desde o último dia 20 de abril e não apresenta maiores mudanças na análise da questão de segurança em Brasília ou em Recife.

De acordo com o telegrama diplomático, os grupos criminosos se consolidaram levando a uma queda nos conflitos entre eles, fazendo com que eles voltem-se a alvos civis.

As áreas de Brasília apontadas no relatório como as mais perigosas são a área hoteleira e mercados abertos.

O diagnóstico sobre Recife tem um tom mais alarmante. “Todas áreas de Recife podem ser consideradas perigosas, especialmente à noite. Visitantes devem tentar limitarem-se às áreas de Boa Viagem, Graças e Casa Forte”, alerta a mensagem.

Os sequestros-relâmpago são apontados como frequentes tanto em Brasília como em Recife. “Ricos e indivíduos de destaque expressam preocupação com sequestros por resgates. A atenção local continua a focar-se na possível correlação entre altas taixas de criminalidade em áreas adjacentes a acessos a sistemas de transporte público e entroncamentos, como estações de ônibus”, relata o telegrama que aconselha cautela também para telefonemas de falsos sequestros.

Outro cuidado apontado no telegrama da embaixada e no relatório da OSAC é com roubos a residências. Segundo o texto, este tipo de crime ocorre regularmente e a polícia os atribui a quadrilhas de São Paulo e Rio de Janeiro que visam as áreas residenciais em volta de Brasília. “Outros suspeitos são pessoas das cidades-satélites ao redor que viajam de ônibus ou de carro pelas vizinhanças procurando por alvos oportunos”, descreve a mensagem.

 

Mais recentes

Ministério de Direitos Humanos recebe quatro denúncias contra policiais militares por dia

19 de julho de 2018 | por

Nos últimos sete anos, Disque 100 recebeu 7.856 denúncias, com 9.496 vítimas

Condenação dos 23 é recado para impedir novas mobilizações, diz Eloisa Samy

18 de julho de 2018 | por

A advogada condenada a 7 anos de prisão por sua participação nas jornadas de junho de 2013 conversou com a Pública sobre a sentença

Clamor por justiça

17 de julho de 2018 | por

A jornalista britânica Jan Rocha, que foi correspondente da BBC durante o regime militar, traz um trecho inédito do livro recém-lançado sobre grupo de apoio às famílias perseguidas pelas ditaduras latino-americanas

Explore também

Três vezes despejados, agricultores sofrem com desmandos do Incra no Pará

3 de maio de 2016 | por e

Destaque no relatório da CPT sobre conflitos por terra, caso do PA Ypiranga mostra tragédia vivida por aqueles que têm direito à terra

Para EUA, aumento de influência de bancos públicos “põe em risco” setor financeiro

3 de agosto de 2011 | por

Em 2009, consulado americano em São Paulo previu alta na inflação e “saturação” do mercado de crédito

Verdades e mentiras sobre o pacotão de reajustes salariais

3 de junho de 2016 | por e

Correção de salários de servidores provocou intensa discussão na Câmara sobre quem eram os responsáveis pelo projeto e sobre o impacto nas contas públicas