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Investigado pelo FBI, Omar Mateen possuía permissão para portar armas; crime reacendeu discussão sobre o tema nos EUA

Boate Pulse, onde pelo menos 50 pessoas morreram vítimas do atirador Omar Mateen (Foto: Reprodução/Youtube)
Boate Pulse, onde pelo menos 50 pessoas morreram vítimas do atirador Omar Mateen (Foto: Reprodução/Youtube)

O pior massacre por arma de fogo da história dos Estados Unidos foi conduzido por um segurança particular que possuía licença para portar armas.

As autoridades identificaram Omar Mateen, de 29 anos, como o atirador que matou ao menos 50 pessoas e deixou pelo menos outras 50 feridas na madrugada de sábado para domingo na Pulse, uma boate gay popular em Orlando, na Flórida.

Mateen era investigado pelo FBI e tinha histórico de violência doméstica contra sua ex-mulher, de acordo com a imprensa norte-americana.

Sua licença para trabalhar como segurança armado ainda estava ativa e expiraria apenas em 2017. O ATF, órgão americano que regulamenta a venda de álcool, tabaco, armas de fogo e explosivos, confirmou no domingo que o atirador comprou legalmente duas armas de fogo recentemente.

O site de jornalismo investigativo Reveal checou os antecedentes criminais de Mateen em 2014 como parte de uma investigação sobre a indústria de seguranças armados, que é regulada de maneira diferente em cada estado. Na Flórida, autoridades conduzem checagens de antecedentes criminais antes de emitir as licenças.

Mateen não possuía nenhum registro criminal na época. Mas repórteres descobriram que muitos guardas conseguem escapar do sistema de licenciamento estadual, inclusive na Flórida, onde guardas armados não são submetidos a testes de saúde mental antes de receber licenças para portar armas de fogo no trabalho. O Reveal encontrou muitos guardas com histórico de abuso de substâncias que foram licenciados para trabalhar como seguranças armados.

Não está claro se Mateen tinha outros registros em sua ficha, como comprometimento de sua saúde mental ou problemas de abuso de substâncias, registros que o teriam impedido de portar armas. Sua ex-mulher disse ao Washington Post que ele era mentalmente instável e violento.

“Ele não era uma pessoa estável”, afirmou ao jornal. “Ele me batia. Ele simplesmente chegava em casa e começava a me bater porque a roupa não estava lavada ou algo assim”.

Mateen trabalhava para a G4S, uma das maiores companhias de segurança dos Estados Unidos. Uma newsletter interna, de 2012, identificava Omar Mateen, de West Palm Beach, como um guarda da empresa. Sua ex-mulher disse ao Washington Post que ele trabalhava como guarda em uma instituição para jovens delinquentes.

Quando ocorreu o ataque a cidade de Orlando ainda estava se recuperando de outro assassinato de grande repercussão. Christina Grimmie, que ganhou fama após participar do programa The Voice, levou um tiro durante uma sessão de autógrafos na última sexta-feira. 

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Reportagem originalmente publicada no site Reveal from The Center for Investigative Reporting. Clique aqui para ler o original em inglês. Tradução por Patrícia Figueiredo.

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