Agência de Jornalismo Investigativo

O programa Residências Públicas garantiu bolsas para estrangeiros investigarem direitos humanos e Olimpíada

3 de agosto de 2016

Nos meses de julho e agosto abrimos as nossas portas para repórteres estrangeiros ocuparem a Casa Pública! Um programa inédito na história da Pública, as residências garantiram quatro bolsas para que eles fiquem no nosso centro cultural no Rio enquanto desenvolvem matérias sobre direitos humanos e a Olimpíada.

Desde que chegaram, o dia a dia da Casa Pública ficou mais agitado. De manhã, alguns preparam o café da manhã na cozinha enquanto outros marcam entrevistas no salão principal da casa. Ao longo do dia eles percorrem a cidade atrás de fontes ou se juntam à equipe da Pública no escritório do primeiro andar para editarem vídeos e escreverem suas reportagens.

Agora os bolsistas, que também participaram de cinco eventos e reuniões ligadas às Olimpíadas dentro da Casa Pública, já estão na reta final da elaboração de suas matérias – que vão ser publicadas em diversos países e também na Agência Pública.

Os bolsistas chilenos Jorge Rojas e Alejandro Olivares entrevistam Monique Cruz, pesquisadora da Justiça Global sobre violência policial no Brasil
Os bolsistas chilenos Jorge Rojas e Alejandro Olivares entrevistam Monique Cruz, pesquisadora da Justiça Global sobre violência policial no Brasil

Foram 177 inscrições de 42 países. Os selecionados são do Equador, Chile, França, Itália e Quênia.

Os temas das investigações feitas por eles também são diversos, desde violência policial aos impactos que especulação imobiliária teve na cidade e às remoções forçadas.

A freelancer Italiana Caterina Clerici formou uma dupla com a repórter francesa Diane Jeantet para investigar os empreendimentos bilionários que foram feitos na Zona Portuária do Rio de Janeiro em preparação para as Olimpíadas.

A jornalista italiana Caterina Clerici trabalha na varanda da Casa Pública
A jornalista italiana Caterina Clerici trabalhando na varanda da Casa Pública

“Eu nunca tinha pensado em fazer uma residência antes. Eu geralmente penso em residências como um conceito que sempre deu muito certo para artistas mas que nunca esteve à disposição dos jornalistas”, Clerici explica.

Ela acredita que o modelo funciona muito bem para aquele repórter que cai de paraquedas em uma nova realidade e precisa realizar uma matéria em tempo recorde. “Aqui você tem todo o apoio para fazer jornalismo em um pais estrangeiro em um ambiente onde você se sente confortável e com uma abordagem que é muito mais consciente da realidade social do pais.”

O apoio proporcionado pela Casa Pública vai muito além de uma simples hospedagem. A casa oferece uma rede de colaboradores, fontes e eventos que ajudam na elaboração das pautas.

Ao longo das últimas duas semanas, parceiros da Agência Pública realizaram eventos voltados para jornalistas e ligados à Olimpíada dentro da Casa Pública. Uma conferência de imprensa que reuniu representantes do grupo Black Lives Matter dos Estados Unidos com ativistas que lutam pelo fim da violência policial no Brasil estava entre os maiores destaques da programação.

Representantes do grupo Black Lives Matter marcam encontro na Casa Pública com ativistas brasileiros que lutam contra violência policial
Ativistas que lutam contra violência policial marcam um encontro com representantes do grupo Black Lives Matter na Casa Pública

A Casa Pública também foi palco de dois lançamentos. No dia 25 de agosto, a ONG Justiça Global lançou o guia “Violações de Direitos na Cidade Olímpica” que oferece 25 possibilidades de pautas para jornalistas estrangeiros irem além da cobertura dos jogos.

Três dias depois a Artigo 19, que luta pelo direito à informação, apresentou na Casa Pública a pesquisa “Águas turvas, informações opacas: uma análise sobre a transparência dos programas de despoluição da Baía de Guanabara”.

Os eventos, segundo a bolsista equatoriana Desirée Yépez, ajudaram a conhecer melhor a realidade brasileira. Yépez, jornalista da publicação Plan V, recebeu a bolsa para escrever sobre a comunidade LGBT no Brasil.

“No meu caso os eventos não tinham a ver diretamente com o tema da minha reportagem. Mas a possibilidade de me aproximar, não só de instituições e organizações que trabalham com direitos humanos, mas com os próprios brasileiros que sentem isso na pele, foi vital para mim”, diz Yépez.

Para ela, o convívio com jornalistas de outras nacionalidades ajudou também a criar paralelos entre os diferentes países participantes do programa de residências.

“Eu aprendi que o que acontece aqui no Brasil não é uma reflexão apenas da desigualdade que existe em uma só sociedade, mas sim, de uma desigualdade que se expande por um continente inteiro. Vejo agora que o que acontece no Brasil, não é tão distante do que acontece no Equador.”

Mais recentes

Prorrogado o prazo de inscrições para as Microbolsas Fome

21 de setembro de 2018 | por

Agência Pública e Oxfam Brasil vão receber propostas de pauta sobre fome no país até dia 30 de setembro; quatro repórteres serão selecionados para receber a bolsa de R$ 7 mil e mentoria da Pública

Quem matou e quem mandou matar Jairo de Sousa?

21 de setembro de 2018 | por

A morte do radialista é o segundo caso investigado pela equipe da Abraji dentro do Programa Tim Lopes

Semanalmente, juízes do Supremo decidem sozinhos sobre aplicação da Constituição

20 de setembro de 2018 | por

Julgamentos individuais sobre a adequação de leis e normas à Constituição ocorreram 73 vezes em 2017 e 2018 – o que contraria a própria Carta Magna, segundo especialistas

Truco!

Arruda promete que menos imposto reduz preço do gás, mas repasse do desconto é incerto

21 de setembro de 2018

Redução do ICMS não garante que o custo ao consumidor irá cair na mesma proporção, pois atravessadores podem aumentar margens de lucro

Helder Barbalho diz que construiu o estádio municipal de Ananindeua, mas a obra nunca foi concluída

21 de setembro de 2018

Em visita ao local em que teria sido construída a praça esportiva, na periferia de Ananindeua, o Truco nos Estados concluiu: o estádio citado por Helder nunca existiu.

Correto: Adalclever Lopes foi eleito presidente da Assembleia por unanimidade em duas ocasiões

21 de setembro de 2018

Em 2015, ele era o candidato de uma chapa única e, na reeleição em 2016, também foi o único a pleitear a presidência da casa

Explore também

Nos bastidores, empresários buscaram EUA para evitar retaliação do Brasil ao algodão

30 de junho de 2011 | por

Documento diplomático mostra os esforços de grupos como a FIESP contra guerra comercial

Muito além dos Barata

9 de agosto de 2017 | por

Com base em dados da Receita Federal, identificamos os proprietários das empresas que formam os consórcios de ônibus no Rio. Conheça a história de alguns deles.

Removidos pelo Parque Olímpico lutam por compensação mais justa

20 de fevereiro de 2017 | por

Famílias expulsas para dar lugar ao complexo, hoje abandonado, foram à Justiça por reparação; dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação comprovam tratamento desigual dado pelo governo Eduardo Paes