Agência de Jornalismo Investigativo

Investigativo, independente, inovador
Neste violento 2017, a Pública produziu mais jornalismo, ganhou novos parceiros e uniu tecnologia ao pé no barro para investigar a violação de direitos humanos – das grandes cidades aos desertos de notícias

21 de dezembro de 2017

Na noite do dia 28 de abril, Rodrigo Rocha Loures, assessor especial do presidente Michel Temer, foi flagrado saindo da tradicional pizzaria Camelo, em São Paulo, com R$ 500 mil repassados por um executivo da JBS. O vídeo do homem de terno quase correndo com a mala preta de rodinhas, jogada no porta-malas de um táxi, foi ao ar na TV Globo em 18 de maio, dias depois de o Jornal Nacional fazer balançar a cabeça de Temer com trechos da gravação de Joesley Batista. Rocha Loures é citado pelo presidente na conversa com o dono da JBS como a pessoa que poderia resolver um problema da empresa no Cade – o órgão que regulamenta a relação entre as empresas no país.

O presidente não caiu, mas sua popularidade chegou ao chão enquanto crescia o poder das bancadas ruralista e evangélica, base de apoio de um Congresso que o livraria de responder a acusações de corrupção na Justiça, enquanto aprovava leis para regularizar terras de grileiros, reduzir reservas ambientais e retirar garantias constitucionais de indígenas e trabalhadores.

Ainda nesse outono, homens armados atacaram os índios Gamela, no Maranhão, e policiais civis e militares mataram dez trabalhadores rurais em Pau d’Arco no Pará. Os 17 policiais envolvidos na chacina foram soltos pela Justiça no último dia 19 de dezembro. Ninguém foi punido pelo ataque aos Gamela.

O Pará e o Maranhão estão entre os estados que concentram o “deserto de notícias”, de acordo com o Atlas da Notícia, levantamento que fez furor entre os jornalistas este ano ao revelar que 70 milhões de brasileiros vivem em áreas com menos de um veículo de imprensa para cada 100 mil habitantes.

É por isso que, desde sua fundação, a Pública dedica especial atenção à Amazônia, aos conflitos rurais e às populações vulneráveis a violação de direitos humanos por empresas, por governos, por instituições.

Neste ano, cobrimos da invasão policial à Cracolândia, em São Paulo, às vítimas dos tiroteios e da violência policial nas favelas do Rio de Janeiro. Falamos com as mulheres pobres que tiveram seus filhos arrancados pelo Estado em Minas Gerais, denunciamos como feminicídio o assassinato de Eliza Samudio e medimos a violência doméstica no país, colocando o Pará – de novo – no topo do ranking. Investigamos os serviços de segurança privadaos programas de proteção a adolescentes jurados de morteos incêndios nas favelasa infiltração de policiais em movimentos sociaisa vigilância do Estadoa privatização das praias, as agressões aos terreiros e praticantes de candomblé e umbandaa corrupção nos serviços de ônibus do Rio de Janeiroas condições precárias de moradia em São Paulo.

E não deixamos os poderosos em paz – do cartel dos empresários de ônibus aos acordos espúrios das mineradoras com o Estado para reduzir a responsabilidade que lhes cabe pelo acidente socioambiental de Mariana. Das vítimas dos atropelamentos do trem da Vale no Maranhão aosnegócios suspeitos do ministro do STF Gilmar Mendes, no Mato Grosso, além do conluio dos deputados-empresários pela aprovação da reforma trabalhista. E checamos implacavelmente os discursos de autoridades e personagens públicas.

Escrevemos perfis saborosos e reveladores sobre os figurões da República e os pré-candidatos à Presidência. Multiplicamos a produção de vídeos, culminando com o especial “Amazônia Resiste”, sobre a luta dos indígenas para manter suas terras e sua cultura em um momento politicamente ainda mais desfavorável a essas populações. Esse especial, com dois episódios divulgados, continua no ano que vem.

Também nos juntamos e reforçamos os laços entre os que valorizam o jornalismo investigativo, independente, inovador – 3i, como foi batizado o festival que reuniu oito organizações nativas digitais para refletir sobre caminhos e dilemas que enfrenta o jornalismo – mais necessário do que nunca.

Por fim, com muita alegria no coração, recebemos o apoio de 1.134 pessoas no Reportagem Pública 2017, nosso projeto de crowdfunding para financiar oito grandes reportagens com temas eleitos pelos apoiadores.

É com esse capital de carinho e união que decolamos para 2018, ano de eleições.

Estamos juntos por um Brasil mais justo. Feliz ano-novo!

 

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Vídeos mais vistos

 

Amazônia resiste

O projeto “Amazônia Resiste” é uma ampla investigação jornalística da Agência Pública sobre a resistência indígena em vários pontos da maior floresta tropical do mundo.

Sete equipes de reportagem irão retratar até maio de 2018 a partir de vídeos, textos, fotografias, infográficos e podcasts o que acontece em campo no Pará, Mato Grosso e no centro das decisões, Brasília – das aldeias às instâncias de poder relacionadas à realidade indígena.

Os protagonistas desta narrativa são os índios, especialmente a resistência que exercem diante de um quadro completamente desfavorável ao seu modo de vida.

Veja o especial aqui

Nova fase do Truco

Projeto de checagem da Agência Pública entrou em nova fase em 2017, com novo sistema de classificação e maior abrangência, para dar conta da avalanche de dados falsos. Abaixo algumas das checagens mais lidas no ano.

De acordo com mensagem que viralizou no aplicativo, governo prepara decreto que “atinge diretamente a classe média”

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Mensagem falsa que circula no WhatsApp atribui a deputado federal alerta sobre reajustes que não vão acontecer

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Kim Kataguiri gravou vídeo feito para defender projeto que tramita na Câmara e acaba com essa forma de progressão de pena

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Microbolsas maconha

A Agência Pública lançou, em parceria com o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes – CESeC, um concurso de reportagens sobre o tema. Os vencedores receberam apoio e mentoria durante quatro meses. Eis o resultado:

Estamos em busca de reportagens que investiguem temas relacionados à maconha

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Na região do sertão do São Francisco, moradores cercados por roças clandestinas convivem hoje com tráfico e repressão policial

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Com aumento da demanda e falta de regulamentação, cresce no Brasil o mercado clandestino do óleo, usado no tratamento de diversas doenças; pacientes e produtores vivem na insegurança

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Interativos

Em 2017 a Agência Pública produziu ainda mais conteúdos interativos.

O leitor tem que encontrar os infiltrados no meio da multidão para ler as reportagens sobre infiltrados da vida real

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Documentos dos órgãos de inteligência da ditadura mostram violações de direitos humanos cometidas pelas empresas regulamentadas em 1969 e compostas por membros do aparato repressivo do regime militar

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Reunimos os dados do setor. Teste seus conhecimentos

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Aplicativos

Desenvolvemos aplicativos para unir tecnologia ao jornalismo investigativo.

Laboratórios na Casa Pública

Em 2017 foram realizados quatro laboratórios na Casa Pública reunindo artistas, jornalistas, desenvolvedores e designers para produzir reportagens multimídia em formatos inovadores.

Série especial sobre os ônibus do Rio de Janeiro

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Nesta série de reportagens, chegamos a pé ou de barco até praias fechadas, controladas e vigiadas pra revelar as disputas por esse bem que é de todos

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Conversa Pública

As Conversas Públicas fomentam a discussão sobre o jornalismo independente e inovador no Brasil e na América Latina. Foram realizadas 15 conversas ao longo de 2017. Destacamos três com grande repercussão

Ombudsman da Folha e editor do Nexo são entrevistados 72 horas após a revelação da conversa pouco republicana entre Temer e o empresário Joesley Batista. No centro do debate: quando o jornalismo erra

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Prêmios

As Conversas Públicas fomentam a discussão sobre o jornalismo independente e inovador no Brasil e na América Latina. Foram realizadas 15 conversas ao longo de 2017. Destacamos três com grande repercussão

Vencedor categoria on-line: “Especial Amazônia em Disputa”

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Vencedor categoria texto: “Especial Quilombolas” e Menção honrosa categoria artes: “A execução de Ricardo”

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Vencedora categoria jornalista empreendedora: Natalia Viana, co-diretora e repórter da Agência Pública

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3º lugar: “Os Santos Perseguidos”

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Além desses prêmios, a Agência Pública foi finalista do Prêmio Latinoamericano de Periodismo de Investigación com o Especial África. Também com os especiais 100 e Amazônia em Disputa foi finalista do Prêmio Petrobras e nomeada ao Prêmio Gabriel García Marquez.

Quem apoiou a Pública em 2017

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