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Checagem

O Nordeste não teve benefícios na renegociação da dívida?

Segundo deputado do Ceará, SP, RJ, RS e MG tiveram tratamento diferenciado do governo interino; estados pressionam para também conseguir melhores condições

Checagem
8 de julho de 2016
12:00
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Correto, mas falta contexto

“[Os estados do Nordeste] não receberam nenhuma recompensa [na renegociação da dívida com a União] por serem bons pagadores, apesar de atravessarem um período de seca sem precedentes.” – Leônidas Cristino (PDT-CE), em discurso no dia 28 de junho

Correto, mas falta contexto
Correto, mas falta contexto

O deputado Leônidas Cristino criticou a renegociação da dívida dos estados, firmada recentemente pela equipe econômica do governo interino de Michel Temer, em discurso no plenário no dia 28 de junho. Segundo ele, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul tiveram uma negociação muito favorável. Na opinião do parlamentar, os estados nordestinos não receberam nenhuma recompensa por serem bons pagadores. A frase está correta, segundo análise do Truco no Congresso – projeto de fact-checking da Agência Pública, feito em parceria com o Congresso em Foco –, mas falta contexto.

Os quatro estados que Cristino citou em seu discurso como beneficiados têm dívidas significativamente maiores. Rio Grande do Sul, Minas e Rio estão em situação crítica em suas finanças. Logo, a avaliação feita pelo governo foi de que o acordo não bastaria para aliviar a pressão da dívida sobre as contas públicas. É estudada, portanto, uma rodada de negociações adicional para tratar desses estados. São Paulo, que tem a maior dívida, também não ficou satisfeito com o acordo e receberá tratamento diferenciado, embora isso tenha sido negado pelo governador Geraldo Alckmin.

Também é verdade que os estados do Nordeste enfrentam um grave período de seca. Os dados do Monitor das Secas, da Agência Nacional de Águas, no entanto, mostram que a situação foi mais grave no ano passado. De qualquer forma, há uma briga política para conquistar benefícios que aliviem o caixa também desses estados, uma vez que o Brasil vive um período de retração econômica. Como o governo interino precisa de apoio político no Congresso, isso pode obrigá-lo a ceder.

Não por acaso, Temer sofreu uma derrota no Congresso na quarta-feira (6), quando o governo não conseguiu aprovar na Câmara o requerimento de urgência feito justamente para acelerar a aprovação do projeto de renegociação da dívida. Governadores do Nordeste haviam enviado uma carta, uma semana antes, pedindo ajuda especial. Depois da derrota na Câmara, o governo dá sinais de que pode ceder.

O deputado Leônidas Cristino (PDT-CE) criticou o tratamento dado aos estados do Nordeste na renegociação da dívida dos estados
O deputado Leônidas Cristino (PDT-CE) criticou o tratamento dado aos estados do Nordeste na renegociação da dívida dos estados. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

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