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Elisângela chegou a tempo de ver sua casa cair: Veja o minidoc

Vídeo conta a história da carioca que teve a casa onde morava com a filha derrubada sem aviso e comenta lógica de despejos para megaeventos

Quando a prefeitura chegou para demolir a casa de Elisângela no morro Pavão-Pavãozinho no Rio de Janeiro, ela não estava lá. Sua filha de 17 anos atendeu a porta e escutou que o imóvel seria derrubado naquele momento. Em pânico, a menina avisou a mãe por telefone: ““Tem vários homens da Prefeitura aqui na porta; eles estão dizendo que vão derrubar a nossa casa”. Elisângela correu, tentou argumentar, pedir um tempo para arrumar outra casa mas foi inútil. Em poucas horas só restavam entulhos no lugar. Isso aconteceu no começo de 2011 e até hoje Elisângela não foi indenizada ou reassentada. Sua filha teve de ir morar com a avó enquanto ela ainda luta por um lugar para morar.

O minidoc “O Legado Somos Nós: A História de Elisângela” é o primeiro de uma série de vídeos retratos que estão sendo produzidos pela organização de direitos humanos Witness em parceria com o Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas para contar a história de pessoas atingidas por remoções forçadas no Rio de Janeiro, ligadas direta ou indiretamente com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Priscila Neri, da Witness explica que a ideia é contrapor a narrativa oficial de que tudo está sendo feito de acordo com a lei e em um diálogo constante com as comunidades.

No caso específico de Elisângela, a justificativa dada na época para a remoção foi a de que aquela área do Pavão-Pavãozinho era de risco, mas apenas algumas casas foram derrubadas e, segundo o Comitê Popular do Rio, a prefeitura nem chegou a retirar o entulho. O morro fica entre duas zonas nobres centrais do Rio: Ipanema e Copacabana.

Segundo o Dossiê do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro,  sob o argumento do risco geotécnico ou estrutural, a Prefeitura Municipal pretende remover mais de 300 famílias na comunidade Pavão-Pavãozinho: “Até o momento a Prefeitura não apresentou o laudo que comprove o risco e nem discutiu com a comunidade a possibilidade de realização de obras para garantir a segurança dos moradores”.

Ainda segundo informações do Comitê Popular do Rio, engenheiros que realizaram laudos técnicos em áreas como o Morro do Pavão-Pavãozinho apontaram que a realização de uma obra de contenção ou reforço da encosta, para eliminar o risco de deslizamento, sairia inclusive mais barato do que o reassentamento das famílias que moram no local.

Veja o minidoc:

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

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Comentários

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  • tres_tragique

    O Dossie não tem palavras…?

  • gian

    nossa eu quase chorei por causa dela se eu tivese dinheiro eu ajudaria essas pessoas to com pena dela

  • JOSE CARLO

    QUE PAIS E ESSE NÃO TEM DINHEIRO PRA SAUDE, PARA O ENSINO,SALARIO MINIMO, MAS PARA FAZER UMA COPA ELES TEM E FAZEM O Q QUEREM COM O POVO QUE PAIS E ESSE?

  • João

    Q PAÍS É ESSE??? Q JOGA OS PRÓPRIOS MORADORES DAS SUAS CASAS SEM CAUSA ALGUMA?? BRASIL: UM PAÍS DE TOLOS

  • sopphis

    E porque estas pessoas que estao sendo despejadas, que moram em aerea irregular nao exigem regularizaçao e nao procuram o ministério publico. Qualquer cidadao tem direito de faze-lo. Outra coisa é ocupaçao irregular, porque nao exiegem regularizaçao dos lotes, dos terreno , porque quando se trata de construçao de condominio de luxo ou de classe média nao tem problema pra regularizar. O povo tem que começar a se informar dos seus direitos e exigir tratamento igual para todos, pobres ou ricos. é por isso que os governos reacionàrios fazem o que querem, porque os ditos mais ” humildes ” se mantem numa condiçao de fragilidade absurda. Corre atràs gente, usem a revolta como instrumento legal.

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