Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Reportagem

Audiência Pública em Natal não resolve problema dos atropelados pela Copa

E mini doc produzido por alunos da UFRN conta a história dos moradores que podem ser despejados a qualquer momento

Reportagem
3 de julho de 2012
09:00
Este artigo tem mais de 14 anos

Nos adicione como fonte preferencial no Google.

Representantes da Prefeitura de Natal, associações populares e moradores se reuniram na sexta-feira (22) em uma audiência pública proposta pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN), para apresentar e discutir soluções alternativas para o projeto de mobilidade urbana para a Copa de 2014. A ideia era estimular o diálogo entre moradores que estão sendo despejados de suas casas e o município mas, desde o início da audiência, ficou claro que os representantes do poder público não queriam conversar.

O espaço só foi aberto após protestos da comunidade e nenhuma decisão foi tomada depois de cinco horas de audiência. O laudo técnico sobre os pontos negativos das obras,que seria apresentado pelo MP-RN, também não foi divulgado, sem qualquer explicação.

A titular da Secretaria Municipal de Obras Públicas e infra-estrutura (Semopi), Teresa Cristina Vieira Pires, disse que a viabilidade dos projetos será discutida em uma nova reunião, ainda sem data definida.

Antônio Fernandes, 65, um dos moradores que serão despejados, estava sentado na quarta fila do auditório durante a audiência. Na entrada, ganhou uma pasta com o regimento do encontro, papel e caneta mas não conseguiu espaço para falar. Não ficou satisfeito,disse, depois da audiência: “Apesar de importante, eu não estou achando correto porque não estamos tendo uma resposta definitiva sobre o assunto. Eles tratam de outros temas,mas [sobre] os problemas de desapropriação a gente não está tendo nenhuma resposta. Eu achei que essa reunião ia trazer alguma resposta para nós, mas estamos do mesmo jeito que estávamos”.

Hélio Miguel, do Comitê Popular da Copa, também acredita que as principais questões de interesse dos futuros desalojados continuaram sem resposta: “O plano de reassentamento ainda não foi apresentado, apesar da prefeitura afirmar que já existe.” Disse.

Desde o dia 25 de maio, todas as obras de mobilidade urbana visando a Copa do Mundo de 2014, inclusive as desapropriações de imóveis residenciais e comerciais, estão suspensas até o fim do processo de análise e discussão dos projetos.

Veja o minidoc feito pelos alunos de comunicação da UFRN, especialmente para o Copa Pública, que conta a história de pessoas que serão desalojadas para a implementação destes projetos:

 

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Assine nossas newsletters
Fique por dentro

Artigos mais recentes

No meio do caminho tinha uma norma – o que explica mortes causadas por policiais da Bahia

|

Instrução normativa de 2019 dificultou investigação de policiais militares; estado é onde as polícias mais matam

Integrantes da Bancada Indígena do Congresso Nacional, Sônia Guajajara (à esquerda) e Célia Xakriabá (à direita)

Bancada indígena diminui no Congresso e lideranças se preparam para desmonte e retrocesso

|

Representantes do movimento indígena citam risco às demarcações, imposição do Marco Temporal e aparelhamento da Funai

Colagem com frames de vídeos de Lula nas redes sociais

Do susto ao mutirão: como a campanha de Lula tenta virar o jogo nas redes e nas ruas

|

Campanha tenta virar o jogo com nova abordagem nas redes, atos pelo Brasil e engajamento de influenciadores e artistas

Deputados federais mais votados da direita gastam o dobro com anúncios que os da esquerda

|

Os dez candidatos mais votados da direita gastaram R$ 5,3 milhões com anúncios na Meta; os da esquerda, R$ 2,6 milhões

Ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista em 2026. Manifestante segura poster contra o ministro do STF Alexandre de Moraes

STF pode ser enfraquecido por interesses políticos se Flávio for eleito, avaliam juristas

|

Para especialistas, Tribunal abusa de decisões monocráticas, mas usar crise como arma política prejudica democracia

Da sua mão para o crime organizado: o que acontece quando seu celular é roubado?

|

Quase cem celulares são subtraídos por hora no Brasil e então eles podem tomam 4 caminhos, inclusive sites de compras

Gestão Tarcísio exonera professoras com regra da ditadura

|

Três docentes contestam exonerações na justiça e uma delas morreu antes de reaver cargo

Processo da Advocacia da União contra bets tem 14 empresas que passaram impunes por CPI

|

Ação pede R$ 1 bilhão por danos coletivos; parte das empresas estava nos documentos da CPI, que “terminou em pizza”

Plataformas mantêm anúncios e recomendações políticas irregulares no dia da votação

|

Monitoramento encontrou golpes que imitavam o TSE e diziam que eleitor poderia votar pela internet

Pela 1ª vez desde redemocratização, Brasil terá 10 militares no Congresso e nos governos

|

Ex-Forças Armadas governarão dois estados e ocuparão oito cadeiras no Congresso, sendo quatro no Senado