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Checagem

PEC das Diretas ainda tem longo caminho

Checagem de frase do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) mostra exagero ao considerar aprovação como grande vitória

Checagem
2 de junho de 2017
14:23
Este artigo tem mais de 9 anos

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O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), em pronunciamento na CCJ.
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), em pronunciamento na CCJ. Foto: Pedro França/Agência Senado

“É uma grande vitória, um dia histórico. (…) Contra tudo e contra todos, essa PEC [das eleições diretas] vai andar e vamos conseguir recuperar a nossa democracia.” – Lindbergh Farias (PT-RJ), senador, sobre a aprovação da PEC 67/2016 na CCJ do Senado.

Exagerado

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 67/2016 – que prevê eleições diretas caso o presidente da República e o vice deixem o cargo até um ano antes do fim do mandato – foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado em 31 de maio. O relator da proposta, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), comemorou o resultado. “É uma grande vitória, um dia histórico”, disse. “Contra tudo e contra todos, essa PEC vai andar e vamos conseguir recuperar a nossa democracia.”

A afirmação é exagerada, segundo análise feita pelo Truco – projeto de fact-checking da Agência Pública. Ainda há um longo caminho até a proposta virar lei. Além disso, o substitutivo de Farias, que garantiria a mudança se o presidente Michel Temer perder o mandato este ano, foi derrotado. Com isso, há uma discussão sobre se a PEC provocará eleições diretas caso Temer deixe o cargo. O parlamentar foi procurado para explicar em que baseou em sua fala. A assessoria de imprensa de Farias respondeu que o senador considerou uma vitória a aprovação na CCJ.

De autoria do senador Reguffe (sem partido-DF), a PEC 67/2016 ainda precisa ser analisada pelo plenário do Senado. Se for aprovada em dois turnos por dois terços dos senadores, seguirá para a Câmara dos Deputados. Lá, também precisará ser aprovada por dois terços dos parlamentares. Se houver modificação, voltará para o Senado e o ciclo recomeçará até que as duas Casas aprovem o texto, em duas votações em cada uma delas, sem alteração. Há outro problema. Aliados de Temer ocupam a presidência tanto do Senado como da Câmara e, para que a PEC entre na pauta, precisa haver acordo entre os líderes dos partidos. Não há, portanto, como prever quando a proposta vai se tornar lei.

Mesmo que isso aconteça, o texto aprovado não garante eleições diretas ainda no governo Temer. O artigo 16 da Constituição diz que mudanças na lei eleitoral só valem se aprovadas pelo menos um ano antes da disputa. A PEC pode ser considerada como uma mudança no processo eleitoral e, por isso, não poderia ser aplicada a uma eleição que ocorra imediatamente depois de o presidente sair. O próprio Lindbergh Farias afirmou, no dia da votação, que o Supremo Tribunal Federal (STF) terá que se posicionar quanto a essa questão.

O senador também exagerou ao dizer que a proposta passou “contra tudo e contra todos”. A PEC foi aprovada por unanimidade na CCJ. Logo, teve apoio de parlamentares da oposição e da situação. As dúvidas provocadas pelo teor do texto final inclusive agradaram a base do governo porque abrem caminho para uma eleição indireta – onde teriam vantagem, por serem a maioria do Congresso.

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Truco

Este texto foi produzido pelo Truco, o projeto de fact-checking da Agência Pública. Entenda a nossa metodologia de checagem e conheça os selos de classificação adotados em https://apublica.org/truco. Sugestões, críticas e observações sobre esta checagem podem ser enviadas para o e-mail truco@apublica.org e por WhatsApp ou Telegram: (11) 99816-3949. Acompanhe também no Twitter e no Facebook. Desde o dia 30 de julho de 2018, os selos “Distorcido” e “Contraditório” deixaram de ser usados no Truco. Além disso, adotamos um novo selo, “Subestimado”. Saiba mais sobre a mudança.

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