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Checagem

Marina Silva usa dado inexistente sobre leitos ociosos no SUS

Candidata da REDE afirma que taxa de ociosidade no sistema é de 50%, mas ministério não possui estatística nacional

Checagem
20 de setembro de 2018
15:30
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Marina Silva participa de evento da CNA, em agosto de 2018: não há estudos que confirmem dado citado pela candidata
Wenderson Araujo
Marina Silva participa de evento da CNA, em agosto de 2018: não há estudos que confirmem dado citado pela candidata
Marina Silva participa de evento da CNA, em agosto de 2018: não há estudos que confirmem dado citado pela candidata

“Hoje por exemplo nós temos 50% dos leitos ociosos [no SUS].” – Marina Silva (REDE), em entrevista ao G1 e CBN.

Impossível provar

Ao criticar a situação da saúde pública no país, Marina Silva (REDE) afirmou que 50% dos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) estão ociosos atualmente. A assessoria de imprensa da candidata não revelou a origem desse dado. De acordo com o Ministério da Saúde, essa estatística não existe. A pasta calcula que, em 2017, dos 7.580 estabelecimentos de saúde com leitos oferecidos pelo SUS, 4.146 apresentaram taxa de ocupação menor que 50%.

Não é possível, no entanto, calcular a taxa média de ociosidade de todos os leitos que são oferecidos via SUS. É possível saber apenas a ocupação total dos 7.580 estabelecimentos que atendem pelo sistema, seja exclusivamente, seja parcialmente. Como esse dado mistura leitos do SUS com outros que não são do SUS, não é válido para analisar a frase da candidata. Assim, o Truco – projeto de fact-checking da Agência Pública – classifica a frase de Marina como impossível de provar, já que não existem dados ou estudos confiáveis publicados que embasam a afirmação.

De acordo com a nota enviada à reportagem pelo Ministério da Saúde, 54% dos estabelecimentos de saúde que atenderam pelo SUS em 2017 tiveram taxa de ocupação inferior a 50%. O ministério esclarece que a maioria dos 4.146 hospitais cuja taxa de ocupação em 2017 era menor que 50%, considerando capacidade instalada de leitos e produção aprovada, é de pequeno ou médio porte. “A ineficiência está concentrada nos hospitais de pequeno porte, com menos de 50 leitos, seguidos dos de médio porte, que possuem entre 50 e 150 leitos”, afirma a pasta.

De acordo com a entidade, hospitais menores, localizados em pequenos municípios, têm mais dificuldades de se sustentarem e produzirem o que sua estrutura poderia ofertar ao SUS. “Por isso, o Ministério da Saúde juntamente com estados e municípios está trabalhando na estruturação de um planejamento regional do SUS.

O objetivo é estruturar e financiar os serviços de saúde de acordo com as necessidades reais da população, considerando a diversidade do território brasileiro, de Norte a Sul, na perspectiva dos 5.570 municípios. Serão fixadas macrorregiões como espaços regionais de referência em saúde. Até o momento foi proposta a criação de 115 macrorregiões”, diz o ministério, em nota.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também não possui estudos ou pesquisas a respeito da ociosidade dos leitos do SUS. Há apenas relatórios sobre o fechamento de leitos ou sobre a distribuição de leitos de UTI pelo país.

A assessoria de imprensa da candidata foi comunicada sobre o resultado do selo, mas não enviou contestação no prazo estabelecido.

Wenderson Araujo

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Truco

Este texto foi produzido pelo Truco, o projeto de fact-checking da Agência Pública. Entenda a nossa metodologia de checagem e conheça os selos de classificação adotados em https://apublica.org/truco. Sugestões, críticas e observações sobre esta checagem podem ser enviadas para o e-mail truco@apublica.org e por WhatsApp ou Telegram: (11) 99816-3949. Acompanhe também no Twitter e no Facebook. Desde o dia 30 de julho de 2018, os selos “Distorcido” e “Contraditório” deixaram de ser usados no Truco. Além disso, adotamos um novo selo, “Subestimado”. Saiba mais sobre a mudança.

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