Buscar
Agência de jornalismo investigativo
Checagem

Mensagem falsa diz que Haddad autorizou livro infantil que trata de incesto

Obra foi avaliada pelo governo e distribuída em escolas públicas quando o candidato do PT não era mais ministro da Educação

Checagem
9 de outubro de 2018
18:04
Este artigo tem mais de 7 anos
Não deixe a Publica sumir
Nos adicione como fonte preferencial no Google.
Reprodução
Livro “Enquanto o sono não vem”, distribuído pelo MEC entre 2015 e 2017: obra foi aprovada quando Haddad não era ministro

“Que tal estimular relação sexual entre pai e filha? Espanto? Esta é a leitura que foi disponibilizada pelo ministro de Educação [Fernando] Haddad enquanto esteve à frente deste ministério. O governo comprou e distribuiu para escolas e entre criancinhas um livro em que o pai castiga a filha por ‘não querer ser dele’. Você pensa que já tinha visto de tudo? Engana-se!!! Veja a reportagem.” – Corrente de WhatsApp sobre Fernando Haddad (PT), que circula acompanhada de vídeo com reportagem do jornal ESTV, da Rede Globo.

Falso

Circula no WhatsApp a informação de que um livro que estimularia o incesto foi aprovado, comprado e distribuído pelo Ministério de Educação (MEC) a escolas da rede pública, enquanto Fernando Haddad, atual candidato à Presidência pelo PT, era ministro. O Truco – projeto de checagem da Agência Pública – analisou a mensagem e concluiu que é falsa. O livro foi para a lista de materiais em 2014 e foi retirado em 2017. Nesse período, Haddad não era mais ministro da Educação.

A mensagem é acompanhada de vídeo de reportagem do jornal ESTV, da Rede Globo, que foi ao ar no dia 1º de junho de 2017. Na ocasião, escolas do Espírito Santo denunciaram o livro Enquanto o Sono Não Vem, de José Mario Brant, às prefeituras, que recolheram a obra antes da distribuição naquele ano. O MEC, então, decidiu reavaliar sua decisão.

A polêmica em torno da obra se deu pelo conto “A triste história de Eredegalda”, um dos muitos do livro, publicado pela editora Rocco. A história conta o caso de um rei que pede para se casar com sua filha. Ela se recusa e é punida pelo pai, que a tranca numa torre sem poder beber água. No final, a princesa acaba aceitando a proposta do pai, mas ele muda de ideia e escolhe um marido para a filha.

Corrente de WhatsApp sobre livro que foi autorizado pelo MEC
Corrente de WhatsApp sobre livro que foi autorizado pelo MEC

O livro foi distribuído às salas de aula das turmas de 1º, 2º e 3º anos do ensino fundamental das escolas da rede pública de 2015 a 2017. Foi selecionado pelo processo seletivo do Programa Nacional do Livro Didático em novembro de 2014, durante a gestão do ministro Henrique Paim no MEC, no governo Dilma Rousseff (PT). Nessa seleção, as 210 obras aprovadas passaram por avaliação de uma equipe composta por doutores e mestres especialistas do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Em 2017, professores, pais, e até defensores públicos de vários estados questionaram o MEC por considerarem a obra inadequada para crianças. Assim, após parecer da Secretaria de Educação Básica, os exemplares distribuídos às escolas foram recolhidos e a obra foi retirada da lista de leitura.

No período de seleção e de distribuição do livro pelo MEC, Fernando Haddad era prefeito da cidade de São Paulo, cargo que ocupou de 2012 a 2016. O candidato foi ministro da Educação antes do ocorrido, entre julho de 2005 e janeiro de 2012.

Reprodução
Reprodução

Não é todo mundo que chega até aqui não! Você faz parte do grupo mais fiel da Pública, que costuma vir com a gente até a última palavra do texto. Mas sabia que menos de 1% de nossos leitores apoiam nosso trabalho financeiramente? Estes são Aliados da Pública, que são muito bem recompensados pela ajuda que eles dão. São descontos em livros, streaming de graça, participação nas nossas newsletters e contato direto com a redação em troca de um apoio que custa menos de R$ 1 por dia.

Clica aqui pra saber mais!

Se você chegou até aqui é porque realmente valoriza nosso jornalismo. Conheça e apoie o Programa dos Aliados, onde se reúnem os leitores mais fiéis da Pública, fundamentais para a gente continuar existindo e fazendo o jornalismo valente que você conhece. Se preferir, envie um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.

Vale a pena ouvir

EP 230 O que é o Partido Digital Bolsonarista? – com Marcos Nobre

Professor e pesquisador, Marcos Nobre, fala sobre as mudanças estruturais na forma de fazer política no Brasil

0:00

Truco

Este texto foi produzido pelo Truco, o projeto de fact-checking da Agência Pública. Entenda a nossa metodologia de checagem e conheça os selos de classificação adotados em https://apublica.org/truco. Sugestões, críticas e observações sobre esta checagem podem ser enviadas para o e-mail truco@apublica.org e por WhatsApp ou Telegram: (11) 99816-3949. Acompanhe também no Twitter e no Facebook. Desde o dia 30 de julho de 2018, os selos “Distorcido” e “Contraditório” deixaram de ser usados no Truco. Além disso, adotamos um novo selo, “Subestimado”. Saiba mais sobre a mudança.

Leia também

Em vídeo falso, Bonner diz a Haddad que Bolsonaro não é investigado

|

Montagem de entrevista no Jornal Nacional manipulou a fala do jornalista; candidato do PSL, na realidade, é réu no STF

Manifestação a favor de Jair Bolsonaro (PSL) na Avenida Paulista no dia 30 de setembro: ato ocupou três quarteirões

Com dado falso, post diz que ato pró-Bolsonaro reuniu 1 milhão em SP

|

Publicação foi feita pelo filho do presidenciável e candidato a deputado federal Eduardo Bolsonaro e cita como fonte a Polícia Militar, que desmente a informação

Notas mais recentes

Horário eleitoral gratuito começa nesta sexta-feira com apenas 4 candidatos a presidente


Governos de 4 estados não aderem a esforço nacional de combate a roubos de celulares


Quem é Fernando Cerimedo, aliado de Bolsonaro preso por ataque a tiros à ex-companheira


MPF move ação contra Renan e MBL por xingar indígenas do Pará no Instagram


Corrida eleitoral: Campanha começa com Lula em Minas Gerais, Flavio desmarca Juiz de Fora


Leia também

Em vídeo falso, Bonner diz a Haddad que Bolsonaro não é investigado


Com dado falso, post diz que ato pró-Bolsonaro reuniu 1 milhão em SP


Leia de graça, retribua com uma doação

Na Pública, somos livres para investigar e denunciar o que outros não ousam, porque não somos bancados por anunciantes ou acionistas ricos.

É por isso que seu apoio é essencial. Com ele, podemos continuar enfrentando poderosos e defendendo os direitos humanos. Escolha como contribuir e seja parte dessa mudança.

Junte-se agora a essa luta!

Newsletter

Saiba de tudo que investigamos

Assinar
Fique por dentro

Receba conteúdos exclusivos da Pública de graça no seu email.

Assinar

Artigos mais recentes

Eleitores gerados por IA fazem campanha no TikTok e põem em xeque regra do TSE

|

Vídeos criados com IA em que eleitores declaram seus votos para presidente têm 7,4 milhões de views no TikTok

O método: como a extrema-direita ataca professores para engajar eleitores

|

Gravações clandestinas e ataques online evidenciam como docentes são explorados politicamente desde 2022

Investigados por desinformação e tentativa de golpe seguem ativos nas redes em 2026

|

Ao menos dez alvos de inquéritos no STF e TSE em eleições passadas continuam publicando sobre o pleito deste ano

Tingir o chão de sangue: propostas de Renan Santos para segurança vão contra Constituição

|

Candidato do MBL defende prisão, mortes e vingança em discurso emocional contra a violência

Partido da farda: número de candidatos policiais ou militares passa de 1,2 mil

|

Bancada de policiais no Legislativo direciona recursos para a Polícia Militar, enquanto resolução de crimes segue baixa

Quase quatro a cada dez indígenas em terras na Amazônia não têm acesso adequado a água

|

Ao todo, 38% não tem água tratada ou fontes como poços e nascentes, dependendo de rios e lagos, muitos contaminados

Sob Lula, assassinatos de indígenas sobem 22% em 2025 e superam média da era Bolsonaro

|

Após queda em 2023, número de mortos volta a subir e chega a 258; Marco Temporal é parte do problema, diz Cimi

Corrida por Data Centers gera denúncias de violações trabalhistas em São Paulo

|

Trabalhadores relatam assédio, acidentes e adoecimento. Empresas alegam cumprir lei trabalhista e normas de segurança

Fazer falar os ossos: a rotina de quem procura os desaparecidos da ditadura

|

Mostra no Centro MariAntonia (USP), em São Paulo, expõe o trabalho de peritos na identificação dos mortos na ditadura

“Onde tem malária, tem garimpo”: cinta larga aguardam decisão do STF sobre mineração

|

Julgamento nesta quinta-feira, 13, pode abrir caminho para mineração em terras indígenas entre Rondônia e Mato Grosso