Apoie!

Seja aliada da Pública

Seja aliada

Agência de Jornalismo Investigativo

Secretária acena com mudança em projeto de obras da Copa que permitiria poupar 80% de moradias que seriam desapropriadas em avenida em Natal

14 de agosto de 2012

Um projeto alternativo proposto pela SEMOPI (Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura), de Natal, promete poupar 80% das famílias que já haviam recebido ofícios de desapropriação por estarem “no caminho” de obras na avenida Capitão-Mor Gouveia – parte do projeto de Mobilidade Urbana de Natal, uma das cidades-sede da Copa de 2014. O novo traçado para a avenida, na zona oeste da cidade, foi apresentado pela secretária municipal de Obras, Teresa Cristina Vieira Pires, na última quinta-feira. Assim, em vez de 213 (número já reduzido de um original de 250) desapropriações, o número baixaria para 43 moradias.

Pela proposta, as avenidas Capitão-Mor Gouveia e Jerônimo Câmara se tornariam vias de mão única e substituiriam o Corredor Estruturante, que previa alargar as avenidas Felizardo Moura, João Francisco da Mota e a própria Capitão-Mor Gouveia, a fim de integrar as zonas norte e oeste da cidade, facilitando o acesso à Arena das Dunas.

A justificativa oficial para a mudança? O prazo apertado, que seria ainda mais pressionado pelo grande número de desapropriações a realizar.  “O trecho tinha mais de 250 desapropriações previstas, um entrave muito grande,  e um processo traumático, com um custo social muito elevado. Nós pretendemos atender à melhoria da fluidez de trânsito daquela região, porém com uma proposta que se adeque mais à nossa realidade. Porque a desapropriação requer um prazo longo para ajuizamento de ações, avaliações, enfim. E é um risco que nós não queremos correr”, disse ao Copa Pública a secretária Teresa Cristina Vieira Pires.

O plano alternativo ainda não é oficial mas membros do Comitê Popular da Copa de Natal e da Associação Potiguar dos Atingidos Pela Copa (APAC) comemoraram a mudança de discurso por parte da prefeitura, o que consideram uma vitória da pressão popular: “Nós encaminhamos um ofício ao Ministério Público e à prefeitura pedindo mais detalhes sobre o projeto, mas se isso que a secretária está falando se concretizar, vai ser exatamente o que estavamos pedindo!” explica Maria das Neves, do Comitê Popular, que levou o debate à Câmara e fez abaixo-assinados, obtendo várias audiências públicas.

Marcos Reinaldo Silva, coordenador adjunto da APAC e morador ameaçado de remoção engrossa o coro: “Se isso acontecer, vai ser uma vitória da sociedade, dos movimentos sociais, da universidade que tem feito estudos para embasar estas propostas e do Ministério Público que sempre nos ouviu. Porque ninguém é contra a Copa aqui, muito menos contra melhorias na mobilidade urbana, a gente quer isso! Só não estamos felizes com as desapropriações que terão de acontecer por conta disso”.

O estudo da SEMOPI, que prevê o traçado  alternativo, foi entregue à prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), e ao secretário nacional de Transporte e Mobilidade Urbana, Júlio Eduardo dos Santos. “O estudo foi muito bem recebido pelo secretário-geral da SeMob (Secretaria Nacional de Transportes e da Mobilidade Urbana) e também pela Caixa Econômica Federal e nós estamos desenvolvendo em um ritmo bem acelerado um projeto para ser apresentado ao Ministério da Cidades em um mês”, diz a secretária municipal de Obras, explicando que isso é necessário para modificar o projeto inicial, previsto nas obras de Mobilidade Urbana.

A secretária também garantiu que os moradores desapropriados serão reassentados imediatamente: “Nós só vamos dar início a novas obras após todos os procedimentos de desapropriação estarem resolvidos. É uma garantia que o município dá aos moradores e aos proprietários de imóveis das áreas atingidas. Os moradores terão uma resposta imediata às suas necessidades de moradia”, disse, assegurando ainda que quando o novo projeto tiver sido aprovado pelo Ministério das Cidades será apresentado aos moradores da região atingida pelas obras.

Os movimentos populares certamente estarão lá para cobrar…

Mais sobre a Copa em Natal:

Muito além do legado: desapropriando raízes 

Os atropelados pela Copa

 

 

Seja aliada da Pública

Faça parte do nosso novo programa de apoio recorrente e promova jornalismo investigativo de qualidade. Doações a partir de R$ 10,00/mês.

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

Comentários de nossos aliados

 Ver comentários

Esta é a área de comentários dos nossos aliados, um espaço de debate para boas discussões sobre as reportagens da Pública. Veja nossa política de comentários.

Carregando…
Você precisa ser um aliado para comentar.
Fechar
Só aliados podem denunciar comentários.
Fechar

Explore também

Clamor por justiça

17 de julho de 2018 | por

A jornalista britânica Jan Rocha, que foi correspondente da BBC durante o regime militar, traz um trecho inédito do livro recém-lançado sobre grupo de apoio às famílias perseguidas pelas ditaduras latino-americanas

O desmanche da Constituição

19 de outubro de 2017 | por

Levantamento da Pública mostra que indígenas, quilombolas e trabalhadores estão entre os que mais perderam direitos constitucionais no governo Temer; saúde, educação e meio ambiente também foram afetados

Bolsistas das Residências Públicas atravessam a linha de chegada

1 de setembro de 2016 | por

Jornalistas produzem 27 matérias sobre direitos humanos e Olimpíada

Mais recentes

“Tenho acesso direto aos assessores de Mourão”, diz presidente do Clube Militar

25 de maio de 2019 | por

Às vésperas da manifestação pró-governo, general Eduardo Barbosa defende a ditadura militar, a economia liberal de Paulo Guedes e até Flávio Bolsonaro, investigado no caso Queiroz: “Causa estranheza ao se ver tanta relevância no caso”

Manifestações podem definir futuro de Bolsonaro no Congresso

24 de maio de 2019 | por

A Pública conversou com parlamentares sobre a crise entre governo e Congresso; ceticismo predomina, mas o resultado das ruas no dia 26 terá peso decisivo no futuro dessas relações

Dois anos do massacre de Pau D’Arco: mandantes ainda impunes e ameaça de despejo

24 de maio de 2019 | por

Em entrevista à Pública, a advogada Andréia Silvério, da CPT de Marabá, conta que os sobreviventes da chacina que vitimou dez trabalhadores ocupantes da fazenda Santa Lúcia em Pau D’Arco (PA) não receberam nenhum apoio do Estado, e que novos conflitos são iminentes

Login para aliados

Participe e seja aliado.

Fechar