No ano em que a Pública completou 10 anos, investigamos ainda mais os poderosos

No ano em que a Pública completou 10 anos, investigamos ainda mais os poderosos

17 de dezembro de 2021
16:00

Não parecia possível, mas 2021 foi ainda mais dramático que 2020. Não apenas pelo agravamento da pandemia, mas pelo aumento da fome, dos despejos, do desemprego, do recorde de desmatamento da Amazônia, que provocou uma seca atroz no Centro-Sul do país, trazendo sofrimento para os agricultores familiares e alta no preço dos alimentos.

A combinação de pandemia e insegurança alimentar, em ambos os casos agravada pela gestão do governo federal, fez desse um ano duro para a maior parte da população, enquanto Jair Bolsonaro distribuía dinheiro a rodo para seus aliados no Congresso, através do orçamento secreto de Arthur Lira. As violações de direitos, especialmente dos mais vulneráveis, se tornou rotina no governo, acusado de genocídio indígena no Tribunal Penal Internacional.

Desmatamento e Queimdas 2020
Queimada vista em meio a área de floresta próximo a capital Porto Velho, em Rondônia

Por aqui, seguimos investigando a condução da crise sanitária e econômica pelo governo Bolsonaro e examinando com lupa os efeitos de sua política de devastação no meio ambiente e sobre a vida das pessoas. Também continuamos olhando de perto para a influência cada vez maior de militares e fundamentalistas religiosos na política, com retrocesso da democracia e dos direitos humanos. Nosso compromisso com o jornalismo independente com foco no interesse público nos fez revelar histórias que deveriam ter sido contadas muito antes, como as denúncias de que o fundador das Casas Bahia, Samuel Klein, teria mantido por três décadas um esquema de exploração sexual de meninas.

Foi neste ano também que a Pública completou 10 anos. A comemoração não teve a festa e os encontros presenciais que queríamos, mas nos fez refletir sobre a caminhada que nos trouxe até aqui e também sobre o futuro: o nosso, do jornalismo, do Brasil e do planeta. Em nosso evento virtual – Pública +10 – realizamos debates com personalidades relevantes da academia e dos movimentos sociais sobre como o Brasil de hoje vai chegar em 2031. Falamos sobre o bolsonarismo, a barbárie na política, o fundamentalismo religioso e sobre os militares que ocupam cada vez mais o governo, temas que serão decisivos no ano que se avizinha. Também falamos sobre o que quer a juventude e sobre como o negacionismo científico agrava as mudanças climáticas.

A última mesa do festival Pública+10, mediada pela co-diretora e fundadora da Agência Pública, Marina Amaral, uniu Ailton Krenak e Déborah Danowski para refletir sobre as mudanças climáticas

No dia de nosso aniversário, 15 de março, publicamos uma reportagem que mostrou que, apesar de a primeira mulher vacinada contra Covid-19 no Brasil ser negra, dois meses após o início da imunização, o país registrava duas vezes mais pessoas brancas do que negras vacinadas. Assim como em 2020, nossa cobertura da pandemia seguiu intensa: revelamos que o governo soube dias antes sobre o colapso do sistema de saúde que ocorreu em Manaus em janeiro, investigamos como o governo Bolsonaro enviou 2,8 milhões de comprimidos de cloroquina produzida pelo Exército para todo o país e mostramos que a Secretaria de Comunicação e o Ministério da Saúde pagaram influenciadores digitais para fazer propaganda de “atendimento precoce” contra a Covid-19. Meses depois, a reportagem foi citada na CPI da Pandemia pelo senador Renan Calheiros, que perguntou ao depoente, o ex-chefe da Secretaria de Comunicação do Governo, Fábio Wajngarten, se ele conhecia a Agência Pública.

Essa não foi a única vez que nosso trabalho serviu de base para as discussões da CPI. Descobrimos que a Senah – Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários, grupo evangélico comandado pelo Reverendo Amilton Gomes de Paula, fez ofertas paralelas de vacinas ao Ministério da Saúde e a prefeituras. Semanas depois, o reverendo foi ouvido pela CPI. No relatório final da comissão, há seis menções ao trabalho da Pública.

A má condução da pandemia é um dos temas mais recorrentes nos mais de 140 pedidos de Impeachment de Jair Bolsonaro, que logo no início de seu terceiro ano de mandato passou a ser o presidente com mais pedidos de impedimento na história do país. Desde 2020, catalogamos os pedidos em uma ferramenta. Enquanto novos pedidos de impeachment se empilhavam na mesa do presidente da Câmara dos Deputados, o governo Bolsonaro perseguia cientistas – como mostramos no podcast Cientistas na Linha de Frente e nesta entrevista com Pedro Hallal, epidemiologista que foi alvo de processo da CGU por se posicionar contra o presidente -, cedia ao lobby de madeireirasflexibilizava a aprovação de novos agrotóxicos e, mesmo com a crise da saúde, fez avançar a pauta antiaborto. E esses são só alguns exemplos do que investigamos por aqui.

Mostramos também que os filhos do presidente praticam tiro em um clube nos Estados Unidos que é acusado de usar sinais nazistas e que a irmã do novo Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Pereira Leite, é sócia da Glock, fabricante que vende armas para o governo federal.

No ano em que adotamos a emergência climática como prioridade para nossas investigações, tivemos, pela primeira vez, uma correspondente cobrindo in loco a Conferência do Clima da ONU. De lá, revelamos que a baixa credibilidade internacional do governo brasileiro atrapalhou as tentativas de atrair investidores. Com a cobertura da COP, inauguramos nossa série de investigações sobre Emergências Climáticas, tema cada vez mais urgente e que será ainda mais recorrente em nossas investigações. Como sempre, vamos priorizar o ponto de vista das comunidades tradicionais da Amazônia, do Cerrado, da Caatinga e das regiões costeiras sobre o tema. Neste ano, já mostramos como os indígenas têm usado seus saberes ancestrais para combater o fogo e como os quilombolas Kalunga resistem à cobiça de grileiros para preservar o cerrado.

O quilombola Boaventura Carvalho afirma que o rio de onde vive “há dois anos, estava cheio de água, até a borda. Quase uma lagoa.”. Agora, ele está seco

Seguimos cobrindo a violência ligada à questão fundiária na Amazônia em nosso projeto Amazônia sem Lei, que neste ano ganhou um podcast. Revelamos que em pouco mais de um ano, foram exportadas 100 mil toneladas de madeira da Amazônia, inclusive de árvores ameaçadas de extinção, mostramos que indígenas Yanomami isolados correm sério risco de ter contato forçado com o garimpo e investigamos a relação entre o tráfico de drogas e a madeira ilegal na Amazônia.

Em 2020, publicamos reportagem em que 14 mulheres denunciavam ter sido abusadas sexualmente na infância por Dinamá Pereira de Resende, um homem que promovia atividades religiosas com crianças em Várzea da Palma, Minas Gerais. Após a publicação, outras vítimas apareceram, o caso foi reaberto e em novembro de 2021, Dinamá foi condenado a 87 anos de prisão. No ano seguinte, em abril, publicamos outra reportagem sobre crimes sexuais contra crianças e adolescentes em que o acusado é Samuel Klein, o fundador das Casas Bahia, uma das maiores redes de varejo do país. 

A reportagem foi resultado de uma investigação realizada em sigilo durante quatro meses de uma equipe composta por dois editores e quatro repórteres, que entrevistou diversas mulheres abusadas quando crianças em uma rede de exploração sexual de meninas que funcionou durante mais de 30 em suas propriedades no litoral e na própria sede das Casas Bahia, em São Caetano do Sul.

Apesar de o Caso Klein gerar impactos importantes como inspirar um Projeto de Lei que quer alterar o prazo prescricional para a reparação civil das vítimas de crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, a reportagem foi pouco repercutida pela imprensa tradicional brasileira. Isso nos mostra a importância de seguirmos independentes e firmes na missão de investigar os poderosos. 

Também continuamos a nos engajar em parcerias e projetos colaborativos. Com o Canal Meio, lançamos uma newsletter em série em que a diretora executiva Natalia Viana contava sua experiência como a única jornalista brasileira a trabalhar com o Wikileaks no Cablegate, o vazamento de mais de 250 mil telegramas diplomáticos. Essa história, que completou dez anos no fim de 2020, está na origem da Agência Pública e se mantém: neste ano, graças a um outro vazamento divulgado pelo Wikileaks, revelamos quem são os brasileiros associados a um grupo europeu ultraconservador e antidireitos.

Também participamos do Pandora Papers, a maior investigação colaborativa da história do jornalismo, que envolveu mais de 600 repórteres de 117 países e territórios e revelou documentos de paraísos fiscais em todo o mundo. A série revelou que o Ministro da Economia, Paulo Guedes, mantém uma offshore em paraíso fiscal. Fomos parceiras do Centro Latinoamericano de Periodismo de Investigación (CLIP) em uma investigação transnacional sobre a exportação de madeira amazônica e seguimos investigando o uso de agrotóxicos no Brasil e suas consequências com a Repórter Brasil.   

Seguindo nossa missão de fomentar o jornalismo independente no país, fizemos mais uma edição das nossas já tradicionais microbolsas. Desta vez, em parceria com o Idec, para reportagens sobre acesso à internet no Brasil. Também participamos da fundação da Ajor – Associação de Jornalismo Digital, uma entidade que busca profissionalizar e fortalecer o jornalismo digital no Brasil e já conta com mais de 50 veículos associados.

Com o valioso apoio de nossos 1.600 Aliados, completamos um ano produzindo o Pauta Pública, nosso podcast quinzenal. Entrevistamos diversos jornalistas que nos ajudam a compreender os tempos complexos em que vivemos. 

2021 foi um ano que, apesar de difícil, nos fez celebrar o fato de que há dez anos estamos aqui, fazendo e incentivando o jornalismo investigativo e independente, fundamental para a democracia, tão atacada. Nos próximos meses, vamos lançar um livro comemorativo, dividindo um pouco do que aprendemos até aqui. 

Em 2022, esperamos estar nas ruas, finalmente voltando de vez a sujar os sapatos e olhar nos olhos das pessoas que nos contam suas histórias. Estaremos de olho em quem faz as mudanças climáticas se acelerarem e em quem sofre primeiro com isso; nas eleições que vão definir o futuro de nossa democracia e, como sempre, nas violações de direitos humanos cometidas pelos poderosos.

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Cinco vezes em que nossas reportagens fizeram a diferença

1) Gastos do governo com influenciadores digitais para divulgar “atendimento precoce” contra Covid-19: Após a publicação da reportagem, no final de março de 2021, a bancada do Psol na Câmara protocolou uma denúncia contra o Ministério da Saúde na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal por “abuso do poder e desvio de finalidade manifestado pela atuação do governo federal”. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas também pediu para que o governo federal esclarecesse a fonte dos recursos usados para pagar a campanha com influenciadores. A Justiça Federal em São Paulo deu prazo de 72 horas para que a AGU respondesse a uma Ação Civil Pública que pedia a devolução dos recursos pagos em janeiro pela Secom nas ações de marketing reveladas pela reportagem. Em 30 de abril, a Justiça Federal em São Paulo proibiu que a Secretaria Especial de Comunicação Social do governo federal promova campanhas publicitárias defendendo tratamento precoce contra a covid-19 ou promova o uso de remédios sem comprovação científica contra a doença. Além disso, a justiça obrigou a retratação dos quatro influenciadores digitais pagos pelo governo para divulgar “atendimento precoce” contra a doença.

2) Grupo evangélico fez oferta paralela de vacinas ao Ministério da Saúde e prefeituras: A reportagem que revelou a atuação da Senah, liderada pelo reverendo Amilton Gomes, na compra de vacinas pelo governo, pautou e repercutiu na imprensa nacional. Em agosto, o reverendo foi chamado para dar depoimento para a CPI da Covid. Além disso, na mesma semana publicamos uma reportagem que mostra como o reverendo articulou encontros com o presidente da República, empresários e políticos do DF. A reportagem ajudou a embasar o diálogo durante o depoimento do reverendo, e o início da matéria chegou a ser lido durante a sessão pelo Senador Fabiano Contarato (REDE). Entrevistas e investigações da Pública foram citadas algumas vezes no relatório final da CPI da Covid.

3) As acusações não reveladas de crimes sexuais de Samuel Klein, fundador da Casas Bahia: Após a publicação da reportagem, a Família Klein decidiu suspender as atividades do Instituto que levava o nome do empresário e promovia atividades na área da educação. No dia 29 de abril, mulheres se reuniram na frente da sede das Casas Bahia, em São Caetano do Sul, em manifestação para pedir que a rua com o nome do empresário seja rebatizada, assim como um centro médico público que o homenageia. Motivado pela reportagem, o Ministério Público do Trabalho abriu inquérito para apurar a relação das Casas Bahia com as denúncias. O inquérito pretende ouvir testemunhas que teriam conhecimento sobre os fatos revelados, incluindo seguranças, ex-funcionários, motoristas de táxi e secretárias pessoais. Em julho, o vereador Toninho Vespoli (PSOL) propôs um PDL que retire o título de “Cidadão Paulistano” concedido em homenagem a Klein em 2006. Baseada nas revelações da Pública, a deputada Sâmia Bonfim (PSOL), apresentou um Projeto de Lei que visa alterar o prazo prescricional para a reparação civil das vítimas de crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes.

4) Brasil registra duas vezes mais pessoas brancas vacinadas que negras: Nossos repórteres foram convidados a apresentar o levantamento feito para a reportagem em reunião do Conselho Nacional de Saúde sobre o Plano de Vacinação. No dia 30 de março, o Conselho publicou uma recomendação cobrando a adoção de ações antirracistas no acesso à saúde. O documento é destinado ao Ministério da Saúde, secretarias e conselhos de saúde dos estados e município

5) Áudio revela ameaças e intimidação de advogada da Renova aos atingidos pelo desastre de Mariana: O Ministério Público Federal entrou com pedido de suspeição do juiz da 12ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, Mário de Paula Franco Júnior, responsável por julgar os processos envolvendo a tragédia de Mariana. A reportagem da Pública que revelou ameaças e intimidação de advogada da Fundação Renova durante reunião com os atingidos, publicada em fevereiro, foi citada na argumentação.

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47 republicações – Animal Político (México), elDiário (Espanha), InSight Crime (EUA).

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10 anos de Pública

Em 2021, comemoramos os 10 anos da Agência Pública. Em março, fizemos um evento especial e convidamos grandes nomes para debater o presente e o futuro do Brasil. Falamos de juventude, militares na política, negacionismo científico e mudanças climáticas, entre outros temas. Relembre aqui.

Nossos repórteres dividiram com as pessoas que nos acompanham o que aprenderam nesses 10 anos trabalhando na Pública e também contamos por que somos uma agência de jornalismo investigativo.

Além disso, vamos lançar um livro comemorativo, com reflexões de nossos diretores, repórteres e conselheiros sobre o trabalho da Pública nesses 10 anos.

Especiais

  • Amazônia Sem Lei

Neste projeto, investigamos a violência relacionada à regularização fundiária, demarcação de terras e reforma agrária na Amazônia Legal. Em 2021, revelamos a relação entre cocaína e madeira ilegal na Amazônia, mostramos que o gado de fazendas ligadas a um “narcopecuarista” foi vendido grandes frigoríficos e produzimos um vídeo, narrado pelo escritor Itamar Vieira Júnior, que explica os conflitos de terras no Brasil. Veja o especial completo.

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  • Emergência Climática

O projeto Emergência Climática tem como foco investigar as violações socioambientais decorrentes das atividades emissoras de carbono – da pecuária à geração de energia – bem como dos projetos de infraestrutura a elas associados – e a responsabilidade de empresas e governos. Também investigamos as falhas e equívocos de políticas públicas, a impunidade, os lobbies das corporações, o crime organizado, a exploração predatória, a pobreza e a fome que atingem as vidas das comunidades tradicionais, principais protagonistas dessa cobertura. Em 2021, pela primeira vez, tivemos uma correspondente na Conferência do Clima da ONU.

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PROTETORES DO CERRADO, KALUNGAS SOFREM COM GRILAGEM, SECA E PROJETOS DUVIDOSOS

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Saberes ancestrais sobre o uso controlado do fogo para evitar queimadas, reconhecidos pela ciência, inspiram projeto de lei que institui nova política de combate a incêndios

  • Amazônia Irrespirável

O especial Amazônia Irrespirável é uma série de reportagens que revela como o impacto da fumaça das queimadas associadas ao desmatamento se relaciona com a crise de saúde causada pela pandemia de Covid-19.

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  • Ferramenta do Impeachment

Desde 2020, acompanhamos os pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Neste ano, chegaram 82 novos pedidos de impeachment, incluindo repetições, aditamentos e denúncias retiradas posteriormente. Jair Bolsonaro é o presidente com mais pedidos de impeachment da história do Brasil, com um total de 143 pedidos até agora. Confira todos eles aqui.

Colaborações

Desde o fim de 2018, investigamos em parceria com a Repórter Brasil o uso e a liberação de agrotóxicos no país, assim como suas inúmeras consequências para a saúde da população e para o meio ambiente.

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Entrevistamos dois cientistas que avisaram a multinacional sobre os perigos dos pesticidas Atrazina e Paraquate, líderes de venda

Fomos um dos veículos brasileiros que participaram do Pandora Papers, um projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) que investigou milhões de documentos de paraísos fiscais em todo o mundo. Foi a maior colaboração jornalística da história, realizada por mais de 600 repórteres de 117 países e territórios.

  • Madeira sem rastro

Fizemos parte da investigação comandada pelo Centro Latinoamericano de Periodismo de Investigación (CLIP) sobre a exportação – muitas vezes ilegal – de madeira da Amazônia. Neste especial, revelamos que uma medida do Ibama investigada pela PF permitiu que 100 mil toneladas de madeira da Amazônia fossem exportadas em pouco mais de um ano.

Em parceria com o OjoPúblico e PopLab, investigamos o papel das organizações políticas e religiosas mais fundamentalistas da América Latina durante a crise sanitária gerada pela Covid-19.

Podcasts

Pauta Pública

Em 2021, nosso podcast quinzenal completou um ano! Entrevistamos diversos jornalistas que fizeram reportagens que nos ajudaram a compreender melhor o Brasil nesses tempos difíceis. Abaixo, os episódios mais tocados do ano:

Meia Volta, Volver — Militares e Bolsonaro

A Máquina do Ódio — com Patrícia Campos Mello

CPI e desinformação — com Natalia Leal da Agência Lupa

Cientistas na linha de frente

Neste podcast em seis episódios contamos as histórias de cientistas que sofreram ameaças por fazer seu trabalho. Alvos de uma onda anticiência capitaneada pelo governo Bolsonaro, esses pesquisadores sofreram intimidações, demissões e recebem até ameaças de morte.

Amazônia Sem Lei

Neste podcast narrativo, falamos sobre que está em jogo na Amazônia agora, para além do que aparece nas manchetes. A cada mês, o podcast mergulha em alguma história urgente que foi investigada por nossos repórteres. Amazônia sem Lei faz parte do projeto de mesmo nome que investiga a violência relacionada à regularização fundiária, demarcação de terras e reforma agrária na Amazônia Legal e no Cerrado.

Até que se Prove o contrário
Ilusrração em preto e branco com o desenho de um juiz com um martelo no lado direito, o logo da Agência Pública no canto direito superior e os dizeres "Até que se prove o contrário" em amarelo.

Conduzido por Ciro Barros, José Cícero e Ricardo Terto, este podcast conta no detalhe a história de inocentes que foram encarcerados e revela, ao longo de seis episódios, problemas estruturais de injustiça no Brasil.

Consciência Alterada

Neste podcast, mostramos o que vem sendo feito para tratar problemas de saúde mental com substâncias psicodélicas e explicamos as questões, dilemas e potenciais que cercam essa ciência, que explora as virtudes terapêuticas dos estados alterados de consciência.

Prêmios

Troféu Mulher Imprensa

Ganhamos o Troféu Mulher Imprensa deste ano com a investigação que revelou as acusações de abuso sexual de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia. A reportagem foi premiada na categoria “Melhor Projeto Sobre a Temática Feminina” e a decisão foi por voto popular!

Prêmio 99 de Jornalismo

A reportagem “Internet via rádio, wi-fi na lanchonete: como comunidades rurais se conectam na pandemia” ficou em primeiro lugar no Prêmio 99 de Jornalismo.

38º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo

A série Nega-te a ti mesmo, sobre “terapias de conversão sexual” ganhou menção honrosa na categoria jornalismo online.

Premio Latinoamericano de Periodismo de Investigación

Menção especial para o Caso Klein.

Neste ano, também fomos finalistas do Online Journalism Awards, The Sigma Awards for Data Journalism, Prêmio CNT e Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados.

Aliados

Em 2021, 1600 pessoas apoiaram a Pública, fazendo parte de nosso programa de Aliados. Conheça e faça parte do programa!

Financiadores

Ford Foundation

Apoio Institucional

Oak Foundation

Apoio Institucional

Climate and Land Use Alliance

Projeto Amazônia Sem Lei e Jornada de Comunicação e Audiências

Instituto Betty e Jacob Lafer

Podcast Até que se Prove o Contrário

Instituto Ibirapitanga

Por trás do Alimento

Heinrich Boll Stiftung

Investigações sobre ideologia de gênero na América Latina

Reva and David Logan Foundation

Tradução e distribuição internacional de Reportagens

Instituto Clima e Sociedade

Projeto Emergência Climática

Pulitzer Center

Especial Amazônia Irrespirável

Confluentes

Apoio Institucional

Instituto Serrapilheira

Podcast Cientistas na Linha de Frente

Idec

Microbolsas Acesso à Internet

Precisamos te contar uma coisa: Investigar uma reportagem como essa dá muito trabalho e custa caro. Temos que contratar repórteres, editores, fotógrafos, ilustradores, profissionais de redes sociais, advogados… e muitas vezes nossa equipe passa meses mergulhada em uma mesma história para documentar crimes ou abusos de poder e te informar sobre eles. 

Agora, pense bem: quanto vale saber as coisas que a Pública revela? Alguma reportagem nossa já te revoltou? É fundamental que a gente continue denunciando o que está errado em nosso país? 

Assim como você, milhares de leitores da Pública acreditam no valor do nosso trabalho e, por isso, doam mensalmente para fortalecer nossas investigações.

Apoie a Pública hoje e dê a sua contribuição para o jornalismo valente e independente que fazemos todos os dias!

Bruno Kelly/Amazônia Real
José Cícero/Agência Pública
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Imagem meramente ilustrativa/Neil Palmer/CIAT/Wikimedia Commons
Jorge Berlin/Agência Pública
Imagem meramente ilustrativa/Pixabay
Amanda Miranda/Agência Pública
Cíntia Funchal/Agência Pública
Claudia Calderón/OjoPúblico
Arte: Larissa Fernandes/Agência Pública
Ana Clara Moscatelli/Agência Pública

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